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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

[Trabalho Escravo] O verdadeiro preço dos presentes de Natal "Made in China"

Essa postagem é pra ajudar a gente a não esquecer por que custam tão pouco os produtos fabricados na China. Sangue, suor e lágrimas podem ser matéria-prima do presente de natal que você vai comprar.


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Escravo chinês denuncia trabalhos forçados em bilhete escondido em brinquedo


Fonte: http://br.noticias.yahoo.com/blogs/vi-na-internet/escravo-chin%C3%AAs-denuncia-trabalhos-for%C3%A7ados-em-bilhete-escondido-183737762.html

Foto: Facebook/Julie Keith

A norte-americana Julie Keith foi ao supermercado comprar enfeites para o dia das bruxas. Mas ela encontrou outra surpresa num dos brinquedos dados aos filhos: um pedido de socorro de um escravo vivendo em condições desumanas em um campo de trabalhos forçados em Masanija, China, conforme este post do site Planeta Sustentável.

Rotinas de trabalho diárias de mais de 12 horas, sem descanso nos finais de semana ou feriados, espancamentos, falta de sono e tortura psicológica foram relatados por Zhang, codinome do escravo chinês. Num inglês rudimentar, ele apela: “Se você comprar este produto, por favor, mande esta carta para os Direitos Humanos. Milhares de pessoas na China vão ser gratas para sempre”, dizia o bilhete.

Julie pediu ajuda a grupos dos Direitos Humanos, sem sucesso. A carta acabou repercutindo no Facebook e chamou a atenção para o problema do trabalho escravo na China. Zhang escreveu o bilhete em 2008, Julie comprou o brinquedo em 2011 e o bilhete foi achado em 2012.

Em novembro de 2013, a história voltou ao noticiário porque a CNN encontrou o autor da carta. Sob garantia de anonimato, ele relatou as condições de vida no campo de Masanija. Zhang foi preso pelo governo chinês por seguir o movimento espiritual Falun Gong, proibido por Beijjng desde 1999, considerado um culto maligno.

Zhang foi condenado a passar dois anos e meio no campo de trabalho forçado - e a tortura era mais severa com quem se recusava a mudar suas crenças políticas e religiosas. No desespero, mandou 20 bilhetes, escritos com caneta e papel contrabandeados. Um deles teve o destino esperado por Zhang após três anos, em 2012.

O trabalhador chinês está livre e o campo de Masanija, aparentemente, foi desativado. Zhang agora luta por outros presos que ainda continuam na mesma situação que ele - escravizados na China. Leia aqui a entrevista de Zhang à CNN (em inglês).

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

As novas tecnologias e o fim da privacidade

Semanas atrás veio à tona o caso de uma moça de Goiânia que teve o vídeo de sexo gravado pelo ex-namorado assistido por mais de 1 milhão de pessoas. Ontem fiquei sabendo de um aplicativo recém-lançado em que as mulheres avaliam o desempenho dos homens (contatos seus no Facebook) em aspectos como características do primeiro beijo, desempenho sexual, aparência, melhores e piores qualidades. Os comentários constrangedores podem ser acessados por todo mundo sem necessidade de autorização dos avaliados, que já devem estar de cabelo em pé a essa altura.

Sempre antipatizei com a exposição a que as pessoas se submetem no Facebook e com a falta de ética desta empresa e por isso nunca criei uma conta (faça uma busca por "facebook" neste blog). Esse infeliz aplicativo é uma ótima ferramenta para quem quiser difamar alguém. 

É triste ver as pessoas serem expostas a humilhações dessa forma.

Segue notícia que vi hoje. 

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LG investiga espionagem através das Smart TVs

Fonte: http://www.anovaordemmundial.com
 

A LG está neste momento investigando a possibilidade de algumas das suas Smart TVs estarem enviando detalhes sobre seus clientes para a fabricante, mesmo quando a opção de privacidade está "ativada".

Um técnico de tecnologia do Reino Unido veio também expor a sua investigação através do seu blog, onde publicou uma informação detalhada sobre o comportamento da sua LG Smart TV.

Comprovou que além de enviar informação sobre quais os canais que estavam sendo vistos, a TV fez também o upload de informação referente aos dispositivos que foram ligados à televisão.

Nós iremos realizar inquéritos sobres as circunstâncias da alegada quebra do "Data Protection Act" (DPA) antes de ser decidido qual a ação, se houver alguma, que deva ser tomada”, - disse um responsável pela comunicação da LG.

Quando o técnico – Jason Hyntley – contatou a LG, foi informado que ao utilizar a televisão, ele estaria automaticamente aceitando os termos e condições da LG, e que qualquer preocupação além desses termos deveria ser dirigida para o revendedor de onde adquiriu o equipamento.

Apesar da completa displicência de culpas quando contatada pelo Sr. Huntley. Depois, quando contatada pela BBC, o discurso dos responsáveis na LG foi outro:


A privacidade dos consumidores é uma prioridade de topo na LG Electronics e como tal, estamos levando este assunto muito a sério. Estamos analisando relatórios que indicam o envio de informação de visualização em LG Smart TVs sem o consentimento dos utilizadores. A LG oferece várias Smart TV únicas, e entre os modelos variam as suas funcionalidades de mercado para mercado, por isso mesmo pedimos a vossa paciência e compreendimento enquanto resolvemos este assunto.”, - respondeu a LG ao inquérito feito pela BBC.

Jason Huntley diz que se deparou com este problema em primeiro lugar no mês de Outubro, quando iniciou uma pesquisa para descobrir como é que a sua Smart TV conseguia trazer à sua família anúncios selecionados de acordo com o que esta visualizava na TV.



Depois de explorar um pouco mais a fundo todos os menus da televisão, reparou que existia uma opção chamada “collection of watching info” que se encontrava "ativa" por padrão.

Uma vez desativada, foi quando se revelou o verdadeiro problema. O Sr. Huntley conseguiu descobrir que apesar de desativada a funcionalidade, as mesmas informações privadas continuavam a ser enviadas para os servidores da LG, com uma única diferença, a marca encontrada nas informações, havia passado do valor “1″ para “0″, o que serviria como indicativo que o utilizadores não teria autorizado o envio da informação.

Continua enviando o conteúdo mas deixa uma marca que avisa que não queria que fosse enviado. É ainda pior, na minha opinião, do que se eles nem oferecessem a opção de desativar a funcionalidade e deixar os utilizadores pensarem que nada estaria sendo enviado”, - disse Jason Huntley à BBC.

Numa outra experiência, depois de ficar chocado com os resultados descobertos, experimentou conectar à sua televisão, um disco de armazenamento externo através de USB, mantendo a esperança de que nas informações enviadas para a LG apenas aparecesse a informação de que um dispositivo externo havia sido ligado.

Ao invés do resultado esperado, Jason encontrou na informação enviada para LG o nome de cada ficheiro armazenado no seu disco externo, incluindo fotos com os nomes dos seus filhos.

Jason Huntley criou até um ficheiro de teste que denominou de “Midget Porn”, confirmando depois que apareceu nos dados enviados para a LG.


Não consigo provar que esta informação tem sido ativamente controlada pela LG, mas mesmo assim, nunca deveria ser assim transmitida em sinal livre através da internet para onde quer que os servidores se encontrem.”, afirma Jason Huntley.

Para terminar, Jason sugeriu que mesmo na hipótese da LG nunca proceder à análise dos dados enviados pelos seus utilizadores, continuam correndo um grande risco pessoal, visto que todas essas informações privadas poderão ser facilmente acessadas por hackers, que certamente irão tirar grande partido deste tipo de informação.


Especialistas Dizem que Smart TVs Favorecem Espionagem




Da mesma forma que os smartphones, quanto mais avançada a tecnologia das televisões, mais elas podem ser utilizadas por pessoas mal intencionadas para espionar famílias, de forma remota, através do uso de câmeras e microfones. Além do mais, pode haver apropriação de dados sensíveis. Nesse contexto, durante o evento de segurança Black Hat EUA, que foi realizado na semana passada, um grupo de pesquisadores de segurança fez um alerta sobre os riscos oferecidos pelas Smart TVs.

Conforme apontou o estudioso Seungjin Lee, da Universidade da Coreia, quando um computador sofre uma investida cracker, geralmente ele acaba afetando uma vítima em potencial. Porém, quando se trata de uma televisão, toda uma família tem sua privacidade invadida dentro do lar.

Por enquanto, os ataques a smart TVs ainda não são uma realidade, mas servem como um alerta para que os fabricantes passem a proteger os seus consumidores.

Tecnologia, Espionagem e Recursos de Fotografia

Na sequência, Lee mostrou uma tecnologia que ele mesmo desenvolveu para controlar uma smart TV com o objetivo de espionar o que acontece do outro lado. Ele explicou que esses aparelhos são instrumentos ainda melhores para espionar usuários do que os próprios smartphones, graças aos seus avançados recursos de fotografia e gravação de vídeo.

Riscos Oferecidos por Smart TVs

Durante o evento, os pesquisadores da iSEC Partners, Aaron Grattafiori e Josh Yavor, apresentaram um estudo exploratório específico sobre televisões da Samsung, que identificou que esses aparelhos são excelentes plataformas de espionagem. Em resumo, os estudiosos mostraram que por executar funções avançadas em aplicativos Web, essas televisões oferecem o mesmo potencial de riscos do que qualquer outra plataforma.

Dessa forma, graças ao uso de seus dispositivos de microfone e câmera, o Skype pode se tornar um grande alvo de ataques. "O Skype oferece vários riscos em uma smart TV, pois qualquer coisa que for feita pelo usuário pode ser explorada por JavaScript, que será executado no contexto da aplicação", explicou Grattafiori.

Acesso Facilitado ao Conteúdo

Os especialistas também alertaram sobre as aplicações de social media das smart TVS, que também podem ser exploradas remotamente. Em qualquer lugar a partir do qual você pode acessar o conteúdo, de forma remota pode ser instalado um rootkit que é capaz de oferecer controle total do sistema. E por ser uma plataforma de social media, é possível distribuir nossos códigos entre usuários de TV.

Até mesmo os navegadores dessas televisões podem ser comprometidos, e não somente pela possibilidade de executarem sites encriptados. "Nós podemos modificar uma home page para que funcione como um site de ataque, e assim, da próxima vez que o usuário abrir o navegador, este irá capturar o nosso código e, a partir daí, podemos fazer o que quisermos", disse o especialista.

Conforme declaram os pesquisadores, essas possibilidades servem para alertar os fabricantes a desenvolverem plataformas cruzadas mais seguras para suas smart TVs, e para os desenvolvedores ficarem bem mais atentos quanto aos aplicativos na Web e à segurança dos dados que estes são capazes de armazenar.


Fontes:
TecheNet - LG investiga espionagem através das Smart TV
News.kron4- Your Smart TV May Be Spying on You
- Fórum Anti Nova Ordem Mundial: Sua Smart TV pode estar espionando você

sábado, 20 de abril de 2013

A que ponto chega a falta de vergonha dos mais privilegiados

Auxílio-moradia dos juízes: uma afronta aos trabalhadores

A Associação dos Juízes Federais (Ajufe) apresentou ao Conselho de Justiça Federal, em sua terceira tentativa de obter o benefício, requerimento para que todos os magistrados federais tenham direito ao auxílio-moradia. A Ajufe alega que a medida tem respaldo na Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman) e no Estatuto dos Servidores Públicos.

Penso eu, todos os que têm um mínimo de senso de justiça não estamos nem um pouco preocupados em saber se a medida é legal ou não, ou se existem artifícios jurídicos que conseguem provar sua legalidade ou não. Se a medida for legal, a lei é injusta e deve ser mudada. O que importa não é a legalidade, mas a moralidade da medida. Está mais do que claro que o auxílio-moradia dos juízes é uma imoralidade pública, uma vergonha nacional e uma afronta aos trabalhadores, sobretudo aos que ganham salário mínimo.

E os juízes estaduais? Vejam como exemplo o caso do estado de Goiás. É realmente o cúmulo do absurdo: “138 juízes recebem auxílio-moradia em Goiânia. Juízes e desembargadores da comarca de Goiânia, com residências na própria capital e salários entre R$ 20,6 mil e R$ 25,3 mil, começaram a receber na última semana o auxílio-moradia, o que vai gerar gastos de R$ 4,05 milhões, por ano. São 138 magistrados da comarca da cidade que passaram a ter o benefício a partir da folha de pagamento de fevereiro. Mas, se considerado o valor repassado a todos os 341 magistrados do estado assistidos (95,8% do total), o impacto nos cofres públicos mais que dobra, chegando a R$ 9,5 milhões anuais” (O Popular, 04/03/13, p. 3).

Trata-se de uma aberração jurídica, que clama por justiça. “O benefício passou a ser garantido pela Lei Estadual nº 17.962/2013 - publicada no Diário Oficial (DO) em 10 de janeiro. Prevê o pagamento mensal de ajuda de custo de natureza indenizatória aos magistrados da ativa, no porcentual de 10% de seu vencimento. A concessão do auxílio foi aprovada, em segunda e última votação, pela Assembleia Legislativa do Estado, em 5 de dezembro de 2012, e segue previsão da Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman), de 1979, anterior à Constituição. Com base no menor subsídio, o de juiz substituto, de R$ 20,6 mil, cada magistrado nesse patamar vai receber, todo mês, pelo menos R$ 2,06 mil de auxílio-moradia, o equivalente a R$ 24,72 mil por ano. Por outro lado, um desembargador, com vencimento de R$ 25,323 mil, terá, mensalmente, R$ 2,5 mil de benefício, ou R$ 30 mil anuais. Como a verba é indenizatória, não está sujeita à cobrança e Imposto de Renda. Em Goiás, há hoje 356 magistrados na ativa, muitos moram em condomínios horizontais de alto padrão ou têm apartamentos amplos em bairros nobres da cidade. São 321 juízes e 35 desembargadores (...)” (Ib.).

Digo mais: o auxílio-moradia é, sem dúvida nenhuma, uma imoralidade pública, legalizada e institucionalizada, não só para os juízes que têm residência oficial na comarca onde atuam, mas para todos os juízes. Com o salário que os juízes ganham, a própria residência oficial, paga com dinheiro público (que é dinheiro do povo), é também uma imoralidade. Pergunto: por que os juízes devem ter residência paga com dinheiro público? As outras categorias de trabalhadores não cuidam da própria residência com o seu salário? Por que tanta mordomia para os juízes? Não deveríamos ser todos iguais perante a lei?

O descaramento é tanto que, quando achamos que chegou ao seu limite máximo, mais falcatruas aparecem. A respeito dos magistrados federais e estaduais (juízes e desembargadores), fala-se também de auxílio-alimentação, de auxílio-mudança e gratificação para compra de livros. Realmente, não dá para entender! A desigualdade social é gritante e repugnante.

Quando será que o Poder Judiciário, federal e estadual, criará vergonha na cara? Como podemos confiar em juízes que defendem tamanha imoralidade? Eles não têm as mínimas condições de promover a justiça.

Diante dessa situação, não podemos ficar calados e aceitar passivamente. Precisamos manifestar publicamente a nossa indignação, denunciar a injustiça e lutar para mudar a realidade. Como diz o ditado do povo: a união faz a força. Uma outra sociedade é possível!

Escrito por Frei Marcos Sassatelli, frade dominicano e doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP), é professor aposentado de Filosofia da UFG.

Pra refletir sobre quem é realmente civilizado

http://br.noticias.yahoo.com/blogs/3-por-4/%C3%ADndios-isolados-trabalhadores-em-fuga-um-encontro-amaz%C3%B4nico-184758000.html

Índios isolados, trabalhadores em fuga: um encontro amazônico

Os seis trabalhadores da construção civil estavam perdidos em meio à floresta amazônica, no norte de Rondônia. Algumas horas antes, eles tinham corrido mato a dentro para fugir do caos que tomara o canteiro de obras da usina hidrelétrica de Jirau, onde a Polícia Militar reprimia o movimento grevista, em 2011. Depois de andar cerca de seis quilômetros, o grupo tentava encontrar o caminho de volta à obra, ou a estrada, ou qualquer sinal de urbanidade. Sem sucesso.
Ao invés disso, foram encontrados.
Sem perceber que estavam sendo cercados, os trabalhadores uniformizados se viram rodeados por oito índios nus. Eles tinham o rosto e corpo pintados, flechas em punho e “murmuravam" palavras em uma língua que os trabalhadores não conheciam. Mas logo interpretaram o sentido: estavam rendidos.


 
Índios isolados no Acre, fotografados pela Funai em 2008



Hoje, excepcionalmente, esse espaço não será dedicado a um retrato, mas a um encontro. Encontro que pode servir de pista para compor o retrato dos povos indígenas que habitam o nosso país e os quais temos tanta dificuldade de entender.

Assustados, os trabalhadores da usina se comportaram como prisioneiros dos índios. Seguiram seus passos e pararam quando eles sinalizaram. O coração disparava a cada vez que os índios se reuniam em círculo. Observaram a construção de uma espécie de churrasqueira com gravetos, onde um porco do mato foi assado. Disfarçando o mal estar, comeram cada pedaço de carne que lhes foi oferecido. À noite, um dos trabalhadores foi repreendido pelos colegas por espiar os seios da índia mais nova, a regra era olhar para o chão.

A madrugada avançou, alguns índios deitaram e adormeceram. Os trabalhadores ficaram alertas. Pela manhã, caminharam até chegar a um local onde se ouvia um barulho familiar. Os índios sinalizaram em direção ao som, disseram algumas frases que ninguém entendeu e foram embora. Os trabalhadores correram na direção indicada até que, exaustos, chegaram à rodovia federal BR 364.

Esse relato foi registrado pela historiadora Ivaneide Bandeira Cardozo, da ONG indigenista Kanindé, que entrevistou um dos trabalhadores na presença de um funcionário da Funai (Fundação Nacional do Índio). Ela acredita que os homens e mulheres descritos sejam parte de um grupo que a entidade e a Funai tentam rastrear há anos. “Pela descrição, parecem ser Kawahiba isolados”.

“Isolados” são os índios que não têm contato com a nossa sociedade, ou porque nunca cruzaram com um não-índio (casos cada vez mais raros) ou porque recusam o contato.

Na região que foi alagada pela usina de Jirau, havia rastros de um grupo isolado e nômade. A empresa repassou dinheiro para que a Funai mapeasse esses rastros. Depois de identificados, eles deveriam ganhar uma área de proteção. Mas o investimento não foi suficiente para encontrar ou proteger os índios.

Ao contrário, foram eles que encontraram e salvaram os funcionários da usina. “É difícil entender o que passou na cabeça dos índios quando viram os trabalhadores perdidos”, reflete Ivaneide. “Por que decidiram ajudar? Nunca vamos saber”.

O encontro ocorrido em 2011 é o reflexo oposto do desencontro que se deu na Câmara dos Deputados essa semana. Na terça dia 16, em uma cena inédita, os deputados federais correram pelo plenário como uma manada assustada. Fugiam de homens seminus, pintados de urucum e que balançavam seus chocalhos para protestar contra a mudança da lei que define como as terras indígenas são demarcadas.




Se o comportamento dos índios isolados e dos deputados deixa alguma pista, é que continuamos longe de entender os povos que habitam a nossa terra.

Quando retornaram à usina, os trabalhadores contaram sobre o encontro, mas o supervisor deu risada, chamando-os de mentirosos. Como se fosse impossível haver índios nas proximidades da obra, cravada no meio da floresta amazônica.

Para Ivaneide, a precisão dos detalhes é a maior evidência da veracidade da história. “Os trabalhadores eram de outros estados, uma pessoa sem convivência com indígenas não poderia saber tanto. Ele descreveu a pintura no peito, os traços no rosto dos homens, diferente das mulheres, a pena do gavião real, como tratavam a ponta das flechas. Até os detalhes de como montaram o moquém, que é onde assam a carne”. Segundo ela, o relato bate com hábitos comuns a etnias que vivem ou viveram na região, algumas consideradas extintas.

Existem 82 pistas de grupos indígenas isolados no Brasil, é a maior concentração de povos isolados do mundo. Em março desse ano, os funcionários da Funai fizeram uma carta aberta com um “pedido de socorro”. Nela, escrevem que não há equipe para proteger esses grupos, cujos territórios estão sendo invadidos pelas grandes obras, madeireiros e traficantes.

Como lidar com índios isolados é um dos temas mais complexos dentro da política indigenista. Talvez a pequena mensagem deixada pelo grupo que resgatou os trabalhadores e pelos que invadiram o congresso seja justamente sobre os nossos limites. Os índios tem um modo diferente de ser, nem sempre seremos capazes de entende-los. Talvez esses encontros sejam os momentos para refletir sobre os impactos das nossas escolhas. E fazer um esforço para, a partir dessa nova realidade, respeitar as escolhas deles.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

A Boliviana que Falou


http://br.noticias.yahoo.com/blogs/3-por-4/boliviana-que-falou-163058884.html


Tainá tem boas recordações dos quatro dias de viagem que fez ao lado da mãe no trajeto de La Paz, capital da Bolívia, até São Paulo. Pulando de ônibus em ônibus, entre rodoviárias e longas filas nos guichês de imigração, as duas mal conseguiam dormir de tanta saudade para matar. “Eu fui contando tudo que não tinha falado pelo telefone naqueles anos. A gente ria e chorava junto”.

O reencontro era esperado. Tainá viveu dos 7 aos 17 longe da mãe, período em que morou e trabalhou na casa da madrinha na capital boliviana. A mãe mora no Brasil desde que Tainá tinha 3 anos. No começo, ela até tentou conciliar o trabalho em oficina de costura com a presença da filha pequena. Tainá morou em São Paulo dos 3 aos 7 anos e lembra passar tardes amarrada num canto, junto com o cachorro, para que não pudesse se aproximar das máquinas. Por situações como essa, sua mãe julgara que era melhor viverem separadas.

O retorno ao Brasil vinha cheio de promessas: morar com a família, voltar a estudar, ter um bom emprego.
Alguns anos depois de sua chegada, porém, Tainá se viu no mesmo lugar da mãe quando tiveram que se separar. Em uma oficina de costura abafada, obrigada a trabalhar das 7 da manhã às 10 da noite enquanto a filha de 2 anos circulava entre as máquinas. Tainá estava grávida do namorado, com quem morava no mesmo local de trabalho.

 
Tainá, grávida de 8 meses

No fim da jornada, pegava fila para tomar banho no único banheiro disponível para os 17 bolivianos que trabalhavam e moravam no local. E, finalmente, deitava no quarto sem janelas, onde a cama disputava espaço com a pia e o fogão. Ao fim do mês, não chegava perto do pagamento, que ficava com o namorado, que era primo do dono da oficina.

Também boliviano, para o dono não era difícil controlar os trabalhadores. A maioria era recém chegada no Brasil, não falava português e ainda devia o valor da viagem a ele. Tainá ouviu o dia em que um grupo pediu licença para tirar os documentos brasileiros e o dono disse que teriam de pagar multa, pois eram ilegais. Uma mentira, já que a Bolívia pertence ao Mercosul e os bolivianos podem circular livremente no Brasil.
Para trabalhar, basta um registro no consulado.

Eles estavam no mesmo lugar, mas Tainá tinha condições diferentes. Ela já falava português e sabia circular pela cidade. Quando pedia para ir ao médico, levava bronca e recebia ameaças, mas não desistia. Quando insistiu em sair para fazer o pré-natal, o marido lhe empurrou com força e a fez cair. Levantou-se e, no dia seguinte, argumentou de novo.

Quando finalmente conseguiu sair para uma consulta, desabafou com a enfermeira. Ao falar, quebrou o abismo que separa a comunidade boliviana dos direitos e obrigações trabalhistas no Brasil. Tainá contou sobre a exaustão diária, as ameaças e as agressões. A Unidade Básica de Saúde entrou em contato com o Centro de Defesa e Convivência da Mulher Mariás, que acionou o Disque 100. Semanas depois, recebeu uma ligação no celular: “prepare-se, a equipe de fiscalização do trabalho está chegando”.

“De repente entrou um monte de gente, ficamos muito assustados”. Quando ouviram os fiscais do trabalho falando em espanhol, os bolivianos responsáveis pela oficina passaram a dar ordens em Aimará, língua de origem indígena falada nos países andinos. “Mandavam a gente ficar quieto e mentir que o trabalho era só até às 19h”, lembra Tainá. Uma parente do dono percebeu que ela fizera a denúncia e lhe ameaçou na frente dos fiscais, que não entenderam suas palavras: “você vai pagar e não vai ficar barato”.

A ação concluiu que as condições eram similares ao trabalho escravo e a oficina foi interditada. Como sofreu agressão física, Tainá foi levada a um abrigo para mulheres. Os outros bolivianos ficaram no local e o mais provável é que, a essa altura, estejam de volta a oficinas similares.

A ação ocorreu em janeiro e foi uma de muitas promovidas pela Superintendência regional do Trabalho e Emprego de São Paulo. Estima-se que existam ao menos 8 mil oficinas assim na grande São Paulo, onde trabalham cerca de 100 mil bolivianos, paraguaios e outros sul-americanos.

Essa rede sustenta marcas famosas, que possivelmente estão na etiqueta da roupa que você veste. As fiscalizações já flagraram trabalho escravo em oficinas que forneciam para a cadeia produtiva da Zara, Pernambucanas, Marisa, C&A, Gregory, Collins, 775 além da empresa GEP, formada pelas marcas Cori, Luigi Bertolli e Emme, e que pertence ao grupo que representa a grife internacional GAP no Brasil.

Tudo que Tainá quer, agora, é se livrar dessa cadeia. É como se ela estivesse percorrendo uma segunda viagem ao Brasil, dessa vez para um país diferente. No abrigo onde aguarda o nascimento do segundo filho, ela estuda e faz acompanhamento psicológico. Terá tempo para planejar como reconstruir a vida com os 18 mil reais que recebeu como indenização trabalhista, mais o auxílio desemprego e maternidade. Por enquanto, o plano é alugar uma casa e procurar trabalho como assistente de cozinha. “No começo, pensava em voltar pra casa da minha mãe, voltar a costurar, mas acho que estava muito dependente daquela vida”, Tainá reflete, e conclui: “preciso encontrar o meu lugar”.

*o nome foi trocado para proteger sua identidade. “Tainá” foi o nome escolhido pela entrevistada.

Câncer: uma arma secreta?


[Imagem: cancer_gun.png]

Um artigo publicado no início de 2012 pelo jornal The Guardian revela que a CIA desenvolveu uma pistola para gerar células cancerígenas e faz um grande apanhado dos líderes da esquerda e adversários dos Estados Unidos que morreram por tal enfermidade.

(...)
Parece exagerado? WikiLeaks reportou que em 2008 a CIA pediu à sua embaixada no Paraguai que obtivesse todos os dados biométricos, incluindo o DNA, dos quatro candidatos presidenciais.

Os teóricos em conspirações caribenhos que a CIA também teve envolvimento nas mortes do ativista pelos direitos civis de Trinidad y Tobago e pan-africanista Kwame Ture, o legendário ícone do reggae Bob Marley e o primeiro-ministro dominiquense Rosie Douglas.

Durante a investigação do Comitê Seleto de Inteligência do Senado dos EUA, sobre os complôs de assassinato da CIA contra líderes estrangeiros em 1975, revelou-se que a agência havia desenvolvido uma pistola com dardos venenosos que causavam ataques cardíacos e câncer.

A pistola disparava um dado com uma ponta com veneno líquido congelado, da grossura de um fio de cabelo humano e de um centímetro, que podia penetrar a roupa, era quase impossível de detectar e não deixava rastros no corpo da vítima.


Kwane Ture, ou Stokely Carmichael, o radical ex-líder dos Panteras Negras que inaugurou o Movimento do Poder Negro de 1960, morreu afirmando que a CIA o havia envenenado com câncer. Ture morreu de câncer de próstata aos 57 anos, em 1998. Seu amigo, artista multimídia e ativista Wayne Rafiki Morris afirmou que Ture disse que "sem dúvida" a CIA lhe induziu o câncer.

Bob Marley morreu de melanoma em 1981. Tinha 36 anos. O relatório oficial diz que contraiu câncer em 1977, após se queixar do pé, que nunca sarou, após jogar futebol. Os teóricos de conspirações alegam que Marley recebeu de Carl Colby, filho do ex-diretor da CIA William Colby, um par de botas com uma peça de arame de cobre em seu interior, que estava coberto com uma substância cancerígena que atingiu seu dedão.

No que se refere a sapatos envenenados, há uma atemorizante semelhança entre Marley e Castro. No caso de Marley, supostamente a CIA utilizou câncer em suas botas; para Castro, colocou os altamente venenosos sais de tálio em seus sapatos.

Depois de só oito meses após ter sido eleito primeiro-ministro da Dominica, o político radical Rosie Douglas foi encontrado morto no piso de sua residência em 2000.

A causa da morte foi atribuída como o resultado de um ataque massivo de coração. Seu coração era o dobro de seu tamanho normal. Como no caso de Ture e Marley, faziam exercício com regularidade.

O filho mais velho de Douglas, Cabral, insistiu que seu pai havia sido assassinado e também sugeriu a participação da CIA. Em 1998, reportou-se que Moshood Abiola, o homem que se pensa ter ganhado as eleições de 1993 na Nigéria, foi morto de um ataque de coração após lhe darem um coquetel que expandiu seu coração ao dobro de seu tamanho.

Jack Ruby, assassino de Lee Harvey Oswald, o suposto assassino do presidente dos EUA John F. Kennedy, morreu de câncer pulmonar em 1967. O estranho é que as células cancerígenas não eram do tipo que se originam no sistema respiratório. Disse à sua família que haviam lhe injetado células de câncer na prisão, quando havia sido tratado com injeções por um resfriado. Morreu justamente antes de testemunhar ante o Congresso.

O bombardeiro de Lockerbie, Abdelbaset al-Megrahi, desenvolveu câncer terminal. O líder do partido de oposição canadense, de tendências esquerdistas, o Novo Partido Democrático (NPD), Jack Layton morreu – de uma forma de câncer desconhecida – em 2011. Parece que ter tendências de esquerda pode ser perigoso para a saúde.

Desde 1953, os russos usaram micro-ondas para atacar o pessoal da Embaixada dos Estados Unidos em Moscou. Um terço do pessoal eventualmente morreu de câncer por causa da radiação de micro-ondas. Imagina o quão avançada e sofisticada que se tornou no presente a tecnologia do assassinato.

***

Texto publicado no dia 27 de fevereiro de 2012 no The Guardian


Tradução do inglês para o castelhano por Franco Cubello



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Fontes:

http://www.diarioliberdade.org/mundo/dir...creta.html
http://forum.antinovaordemmundial.com/Topico-c%C3%A2ncer-uma-arma-secreta-da-cia

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Entendendo a Coreia do Norte




ESCRITO POR LUIZ EÇA

TERÇA, 09 DE ABRIL DE 2013


Vamos voltar para 1953.

Foi quando terminou a Guerra da Coreia com um armistício, um simples acordo de não agressão que equivale a uma interrupção das hostilidades, as quais, aliás, poderiam ser retomadas a qualquer momento.

Tendo começado em 1950, a guerra opôs as duas Coreias entre si, sendo que a do Norte – comunista – contou com a ajuda do exército chinês, e a do Sul – capitalista –, com forças estadunidenses e de 26 outros países da ONU.

Os EUA se envolveram profundamente no conflito. Seus bombardeiros despejaram uma média diária de 800 toneladas de bombas e napalm, mais do que na guerra contra o Japão.

Foram destruídos quase todos os prédios públicos norte-coreanos e, muito mais grave, mortos cerca de 1.550.000 habitantes do país.

O horror que os bombardeios estadunidenses provocaram no povo foi cultivado nos anos subsequentes pela imprensa e os políticos da Coreia do Norte.

Desde 1953, há 60 anos, portanto, uma propaganda maciça estimula no povo o medo de uma nova agressão dos EUA, com os morticínios e destruições que causaram no passado.

Este sentimento é reforçado pela existência de bases na Coreia do Sul, onde a Casa Branca tem mantido entre 25 mil e 60 mil soldados, desde 1953. Prontos para atacar a vizinha Coreia do Norte, no entender do povo do país.

Outra linha-mestra da propaganda oficial tem sido acusar o imperialismo norte-americano e seus lacaios sul-coreanos pelos principais males da região.

A fome, a falta de habitações, a crise de eletricidade, tudo seria consequência das manobras internacionais dos EUA contra o governo de Piongiang.

Agora, vamos saltar para 1998.

Nesse ano, o então presidente Kim Jong Il resolveu tornar seu país a primeira “monarquia” comunista, garantindo sua sucessão para seu filho Kim Jong-un.

Para dobrar a resistência dos líderes partidários, ele buscou o apoio dos militares, que constituem uma classe extremamente poderosa na Coreia do Norte.

Ele o ganhou modificando a Constituição para reduzir os poderes do Partido Comunista em favor da Comissão de Defesa Nacional – onde os militares são maioria.

Essa situação, o chamado sistema songun, na qual uma junta militar de fato divide o governo com o presidente, se manteve até agora, com Kim Jong-un dando as cartas, a partir da morte do pai.

Nos últimos meses, porém, anuncia-se uma grande quebra na colheita de cereais. A fome será inevitável, espalhando sofrimento e raiva por todo o país.

Embora muita gente pense o contrário, mesmo nos sistemas autoritários a revolta do povo ameaça a estabilidade do regime.

Além de ter de lidar com esse problema, Kim Jong-un está diante de outro, tão ou mais grave: sérias tensões entre o exército e o partido. É difícil dizer de que lado ele está.

No ano passado, Kim Jong-un foi alvo de uma tentativa de assassinato, cuja autoria não foi esclarecida. É certo que o ditador está sob forte pressão.

Uma prova é a demissão do general Kim Yong Choi do importante Birô Geral de reconhecimento e sua súbita e inesperada reabilitação.

Outra vem da íntima ligação de Kim Jong com seu tio, Jang Sung Taek, o vice- presidente e número 2 do regime.

Firme aliado da China e adepto das reformas econômicas de Pequim, Jang Sun Taek já declarou desejar sua aplicação na Coreia do Norte.

Seria uma mudança total no sistema.

Para poderosas forças no partido e/ou no exército, essas ideias representam verdadeiros sacrilégios.

Temem que o presidente também pretenda imitar as políticas chinesas. Por isso mesmo, ele estaria prestigiando tanto o seu tio.

Fragilizado pela fome que começa a crescer no país, Kim Jong-un tem de enfrentar as desconfianças e pressões desses grupos.

O caminho que ele parece ter escolhido foi desafiar os EUA, inimigo número 1 da Coreia do Norte.

Apresentando-se como o defensor do povo contra as tenebrosas maquinações e agressões dos EUA e seus fantoches sul-coreanos, o jovem presidente visa conquistar “hearts and minds” dos norte-coreanos.

Quando ele ameaça atacar, atingindo até o território dos EUA com seus mísseis, mostra-se como um verdadeiro herói, um Davi enfrentando o Golias ianque.

Essa postura tem também outro alvo: os militares e/ou os radicais do partido, de um lado satisfazendo sua belicosidade, do outro usando a pressão popular para forçá-los a aceitar a hegemonia de Kim Jong-un.

Lembre-se que a guerra verbal do governo não foi desencadeada gratuitamente. Primeiro, anunciou testes com novos mísseis de longo alcance.

Para o público interno, era uma medida defensiva contra um inimigo que mantinha ameaçadoras bases militares em volta de suas fronteiras.

Os EUA não concordaram, consideraram uma atitude agressiva. Mobilizada por eles, a ONU decretou sanções punitivas contra a Coreia do Norte.

Que respondeu fazendo um teste nuclear subterrâneo. Vieram novas sanções. E, a seguir, os EUA pisaram na bola.

Realizaram jogos de guerra com a Coreia do Sul, cujo tema era o bombardeio da Coreia do Norte, usando, inclusive, dois aviões B-2, com capacidade nuclear.

Claro, o presidente norte-coreano aproveitou a deixa para elevar o tom de suas ameaças e, consequentemente, sua imagem junto ao povo norte-coreano.

Como vai acabar isso, não se sabe. É de se crer que Kim Jong não pode, de repente, calar a boca e dar o dito por não dito. Seu cargo ficaria em risco.

Será necessário que os EUA atendam a, pelo menos, alguma parte das reivindicações tradicionais da Coreia do Norte, que são:

1 - assinatura de um tratado de paz entre as duas Coreias, com troca de embaixadores e reconhecimento diplomático da Coreia do Norte pelos EUA. Isso implicaria na supressão de todas as sanções e na liberação total do acesso da Coreia do Norte ao mercado internacional;

2 - fechamento das bases estadunidenses na Coreia do Sul, tornadas desnecessárias depois de as duas Coreias fazerem as pazes. Sua existência, queira-se ou não, representa uma ameaça permanente aos norte-coreanos;

3 - unificação dos dois países. Houve uma época em que eles estavam se relacionando até que bem. A Coreia do Norte propôs então que a divisão desaparecesse, conservando cada lado seu regime. Em outras palavras seria: um Estado, dois regimes. Comunista ao norte, capitalista ao sul. Parece absurdo.

Em todo o caso, a ideia não foi adiante porque os EUA se opuseram e o governo de Seul docilmente voltou atrás.

Há bons motivos para os comunistas serem favoráveis: sendo parte de um país unificado, a pobre Coreia do Norte se beneficiaria do apoio econômico da rica Coreia do Sul.

Não sabemos se atualmente o governo de Piongiang quer o fim da divisão. Provavelmente, não.

É de se crer que, havendo paz, a reunificação poderá acabar sendo avaliada.

Qualquer uma destas propostas dificilmente será integralmente aceita.

Para os interesses geopolíticos dos EUA é importante que a Coreia do Norte continue sendo a ovelha negra, que assusta Japão e Coreia do Sul. Sobretudo agora que a Coreia do Norte pode ter armas nucleares.

Assim, eles continuarão acolhendo bases estadunidenses em seu território para defendê-los de supostas agressões.

Segundo o secretário da Defesa, Chuck Hagel, a presença militar dos EUA não pode ser reduzida.

Ele disse: “a América não pode se dar ao luxo de retrair – temos muitos interesses globais em risco, inclusive nossa segurança, prosperidade e futuro”.

É de se crer que, depois de muitas ameaças de parte a parte, a Coreia do Norte poderá conseguir um novo armistício, com levantamento das sanções, mediante compromisso de não brincar mais com armas nucleares.

Talvez ganhe de presente algumas toneladas de cereais.

la nave va.

Luiz Eça é jornalista.

 Website: Olhar o Mundo.

sábado, 16 de março de 2013

PT e PSDB unidos pra manter a Assembléia Legislativa de São Paulo inoperante

Optar entre PT e PSDB é escolher qual lixo fede menos.

Acho que fedem igual.

Esse trecho mostra como PT e PSDB tornam a Casa inútil:


"Em 2012, mais de 80% dos projetos aprovados pelos deputados tiveram pouca relevância, como a instituição de datas comemorativas. Nos últimos anos, Alckmin vetou quase 90% dos projetos propostos pelos deputados. No momento, constam mais de 600 vetos que ainda não foram votados, e não há nenhuma previsão de que isso vá acontecer. Por outro lado, a esmagadora maioria dos projetos aprovados é de autoria do próprio Palácio dos Bandeirantes.  
A influência do governo também atinge o poder de investigação da Casa. Atualmente, todas as CPIs que estão em funcionamento não afetam o governo e são chamadas de “cosméticas” pela oposição."

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Texto completo:


São Paulo

Com apoio do PT, tucano é eleito presidente da Assembleia de SP

Samuel Moreira recebeu 90 dos 91 votos; PT optou por manter acordo e continuar no comando da poderosa primeira secretaria da Casa

Jean-Philip Struck
O deputado estadual Samuel Moreira
O deputado estadual Samuel Moreira (PSDB), novo presidente da Assembleia paulista (Divulgação/Alesp)


Sem surpresa e com o apoio da bancada do PT, o deputado Samuel Moreira (PSDB) foi eleito na tarde desta sexta-feira para a presidência da Assembleia Legislativa de São Paulo. O tucano recebeu 90 dos 91 votos dos deputados presentes. A unanimidade foi quebrada pela candidatura do deputado Carlos Giannazi, do PSOL, que, a exemplo de eleições anteriores, votou em si mesmo. Três deputados se ausentaram.
Nas últimas semanas, Moreira, que substituirá o também tucano Barros Munhoz na presidência, se recusou a dar entrevistas para divulgar seu projeto para a Assembleia. Segundo sua assessoria, ele optou por se concentrar em costurar apoios.

Mas, assim como sua eleição era previsível, nenhuma suspresa deverá ocorrer durante seu mandato à frente da Casa. Deputado desde 2006, Moreira foi nos últimos dois anos líder do governo Geraldo Alckmin na Assembleia e deve dar continuidade ao processo que tem marcado o funcionamento da Casa nos últimos dezoito anos: a acomodação com as decisões do Palácio dos Bandeirantes. Além de representar a continuidade, a eleição de Moreira também marca a durabilidade do acordo entre PT e PSDB, que detêm as maiores bancadas na Casa.

Como já havia acontecido em sete das oito eleições nesses últimos dezoito anos, os petistas trocaram o apoio a um tucano na eleição pelo controle da primeira secretaria da Casa, a mais cobiçada por controlar recursos humanos e finanças. Ênio Tatto, irmão do secretário municipal de Transportes de São Paulo, Jilmar Tatto, será o sucessor de Rui Falcão na cadeira.
Para a segunda secretaria, responsável pelas licitações da Casa, foi eleito o deputado Edmir Chedid, do DEM.

Histórico - Nascido em Minas Gerais, o novo presidente da Assembleia tem 50 anos e base eleitoral em Registro, cidade de pouco mais de 50.000 habitantes do sul do estado. Eleito deputado em 2006, Moreira havia comandado anteriormente a subprefeitura de São Miguel Paulista, na Zona Leste da capital, durante a gestão do tucano José Serra (2005-2006). Ele assume uma Assembleia marcada por baixa produtividade e uma série de decisões que desmoralizaram a imagem da Casa.

Em janeiro, nas últimas semanas da gestão do presidente Barros Munhoz, o Ministério Público conseguiu uma liminar para acabar com o auxílio-moradia dos deputados, que chegava 2.250 reais mensais. Alguns parlamentares recebiam o privilégio mesmo morando a poucas quadras do prédio da Assembleia. No mesmo mês, a Casa também foi criticada por uma licitação para a compra de novos veículos para os 94 deputados. A licitação levantou suspeitas de direcionamento devido às especificidades apresentadas no edital, que previa a aquisição de 150 veículos apenas três anos após uma compra similar. Alguns dos veículos adquiridos anteriormente seriam trocados com menos de 1.000 quilômetros rodados. Em fevereiro, a licitação foi suspensa indefinidamente.

Morosidade - A imagem pública da Assembleia também sofre críticas de inoperância dos deputados. Em 2012, mais de 80% dos projetos aprovados pelos deputados tiveram pouca relevância, como a instituição de datas comemorativas. Nos últimos anos, Alckmin vetou quase 90% dos projetos propostos pelos deputados. No momento, constam mais de 600 vetos que ainda não foram votados, e não há nenhuma previsão de que isso vá acontecer. Por outro lado, a esmagadora maioria dos projetos aprovados é de autoria do próprio Palácio dos Bandeirantes.

A influência do governo também atinge o poder de investigação da Casa. Atualmente, todas as CPIs que estão em funcionamento não afetam o governo e são chamadas de “cosméticas” pela oposição.

http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/tucano-e-eleito-presidente-da-assembleia-de-sp

domingo, 10 de março de 2013

[Documentário] A Revelação das Pirâmides


Documentário "A Revelação das Pirâmides" (uma das sete maravilhas do mundo) é uma obra que faz referências aos mistérios que envolvem a construção e as mensagens contidas nas grandes pirâmides do Egito. Muitas perguntas com respostas pouco convincentes, ou até mesmo confusas. Produzida por Wild Bunch, esta obra tenta pontuar as inúmeras questões que a humanidade tenta decifrar ao longo de décadas a respeito destas maravilhosas construções. Neste vídeo, traduzido para o português, você poderá ter uma breve ideia dos grandes mistérios que ainda assombram a humanidade sobre quem foram os construtores das grandes pirâmides.

Fonte: http://www.youtube.com/user/espectralraziel

Link pra lista de reprodução completa: http://www.youtube.com/playlist?list=PLMZIvuaglYbMfia_LwIAk-wPifFsksoBA

Obs.: na parte inferior do player há um botão para ativar as legendas.

sábado, 9 de março de 2013

Falando em democracia, veja pra que servem as UPPs no Rio

Essa eu dedico aos que acham que vivemos numa democracia

http://www.rodrigovianna.com.br/colunas/mundos-do-trabalho/truculencia-e-covardia-da-pm-em-cuiaba.html



Truculência e covardia da PM em Cuiabá


publicada sexta-feira, 08/03/2013 às 19:32 e atualizada sexta-feira, 08/03/2013 às 19:59


Por Pedro Pomar, colunista do Escrevinhador

Um protesto de alunos da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) por moradia estudantil, no dia 6 de março, teve como desfecho mais uma manifestação de brutalidade da Polícia Militar. Os estudantes realizavam um ato de trancamento da avenida Fernando Corrêa, principal via de acesso ao campus de Cuiabá, quando chegaram as Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (Rotam), chamadas pela Reitoria da UFMT. Os PMs agrediram os alunos e fizeram diversos disparos de balas de borracha à queima-roupa.

Um vídeo registra o momento em que um rapaz, que conversava com os PMs e pedia calma, leva uma bofetada no rosto com tanta violência que é lançado no chão. Uma aluna teve um dedo quebrado por uma bala de borracha.



A PM deteve seis estudantes e também a advogada da Associação dos Docentes da UFMT (Adufmat), Ione Ferreira Castro, igualmente insultada pelos policiais militares. Numa entrevista coletiva realizada no dia seguinte, os alunos e a advogada


Advogada Ione Castro: desrespeitada e detida


anunciaram que vão processar o Estado e a Reitoria da UFMT. A Reitoria nega ter responsabilidade no caso e alega que populares é que ligaram para o 190. Mas, em nota oficial, a PM afirma que “a Reitoria da UFMT informou a PM do fato [o trancamento da avenida] e solicitou providências”.

A jornalista Keka Werneck, da Adufmat, entrevistou as pessoas agredidas e buscou os motivos do protesto estudantil reprimido pela PM. Reproduzo abaixo os principais trechos da sua reportagem, que mostra que no Brasil existe apenas um simulacro de democracia. Fatos como os ocorridos em Cuiabá, bem como ação semelhante da PM de São Paulo, que cegou uma jovem no bairro de Paraisópolis, atingida por bomba de gás, reiteram a urgente necessidade de desmilitarização das PMs e o fim da criminalização dos movimentos sociais.

“Batendo e atirando”
 

“A polícia já chegou batendo e atirando”, disse o estudante de Mestrado em Geologia Caiubi Kuhn, mostrando mais de 20 furos no peito, provocados por balas de borracha. Ao abrir a entrevista coletiva à imprensa, realizada no auditório da Adufmat, ele explicou que a moradia estudantil é essencial para a permanência, na universidade, dos alunos pertencentes a famílias de baixo poder aquisitivo.


Aluno Caiubi Kuhn: disparos à queima-roupa


Ainda sangrando na região próxima à virilha, a estudante de Ciências Sociais Viviane Mota, do Diretório Central dos Estudantes (DCE-UFMT) contou, na coletiva, que levou um tiro de bala de borracha a uma distância de menos de 2 metros.

Depois de ser alvejado com um tiro de bala de borracha na coluna e imobilizado por pelo menos oito policiais, um dos estudantes presos durante do protesto, Sérvulo Neuberger, que faz Comunicação Social, foi algemado e levado de camburão para o Centro Integrado de Segurança e Cidadania (Cisc) Planalto. Os outros cinco detidos demoraram para chegar lá.

Walter Aguiar foi um dos algemados e levados no camburão. “Fomos amplamente reprimidos nesse trajeto”, afirma o estudante de Engenharia Elétrica. “Nos chamaram de vagabundos e fizeram assédio psicológico. Falaram que iam nos matar e nos torturar. Nos deixaram trancados, por mais de uma hora, no camburão, debaixo do sol”.

Uma bala de borracha lesionou o terceiro metacarpo da mão esquerda da estudante de Agronomia Bruna Matos. “Isso só resolve com cirurgia, conforme o laudo de ortopedista. O Estado provocou isso aqui; o Estado vai ter que consertar. Estou escrevendo monografia, como fico? E se for irreversível?”

Causa do protesto
 

A causa do protesto é a falta de assistência estudantil na UFMT. Hoje o programa de moradia para universitários, que se chama Casas do Estudante Universitário (CEU), engloba cinco residências e 50 vagas. Acontece que a UFMT construiu uma casa dentro do campus de Cuiabá, com 64 vagas. E, sem avisar formalmente aos contemplados, rescindiu os aluguéis, na intenção de transferir todos para o prédio recentemente inaugurado.

Representando os moradores das casas estudantis, a universitária Laís Caetano afirmou que o protesto só ocorreu porque foram vencidas todas as possibilidades de diálogo. “Fiquei sabendo extraoficialmente, no dia 5 de março, que no dia 22 vou ter que sair da casa onde moro. Ora, mas isso é uma falta de respeito. Pelas nossas contas, não haverá vagas para todos, como diz a Reitoria. Nós somos 50 e já tem gente com vaga garantida na casa nova. Isso sem falar nos 635 calouros de baixa renda que estão para entrar no próximo semestre”.

A advogada Ione Ferreira Ferreira Castro, da Adufmat, afirma que foram desrespeitadas prerrogativas que sua categoria tem para exercer a profissão, como o direito de acompanhar os clientes na lavratura do Boletim de Ocorrência. “Bati na


Aluna Bruna Matos: dedo fraturado

porta para saber como estavam os estudantes, quando um mastodonte me mandou calar a boca e fechou a porta na minha cara. Mas quando eu ouvi um policial gritando que ia meter a mão em um aluno eu bati novamente, até porque os estudantes estavam lá dentro junto com dois presos fugitivos e um traficante. Mas, por ironia, só os estudantes estavam algemados; os outros não. Na hora que o policial ia fechar a porta novamente na minha cara, eu coloquei o pé e ele quebrou a porta em mim e falou que eu estava presa por desacato e por lesão ao patrimônio público”, relatou a advogada.

Ione foi vítima não só de coação, mas também de provocações: “Foi me mandando entrar e me jogando em cima da mesa. Me fez tirar tudo – brincos, anéis e deixar até a bolsa. Quando estava me qualificando, me pediu documentos e eu disse que não estava comigo. E ele retrucou: ah, então a senhora anda por aí sem documentos? Respondi que os documentos estavam lá fora, na bolsa. Olha a estupidez! Então, eu sou a prova viva do despreparo desses policiais. Eles têm preparo físico, mas não mental. Estavam no protesto para manter a ordem, mas eles que promovem a violência. Agora eu pergunto: esses PMs é que vão lidar com a gente na época da Copa? E nem digo somente na época da Copa, porque esses jogos serão passageiros. Pergunto se são esses PMs que estão andando aqui dentro da universidade?”

Outro advogado criminalista, Marco Antônio, foi detido junto com ela, simplesmente por reforçar junto a prerrogativa que o advogado tem de acompanhar o cliente. A Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Mato Grosso emitiu nota de repúdio à truculência policial. A advogada Carla Rocha, que na entrevista coletiva representou a OAB, disse que o caso será denunciado à Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública, para que isso não volte a ocorrer. “De certa forma, a Ordem foi ferida”.

A professora de Ciência Política Juliana Ghisolfi, da UFMT, destacou a correlação entre situações semelhantes que se repetem por conta da truculência da Reitoria, da Polícia e do sistema. Primeiro, lembrou da adesão ao ENEM como porta única de ingresso na UFMT, que implica a vinda de muitos estudantes do interior e até de fora do Estado. Porém, a Universidade não se preparou adequadamente para receber tantos alunos mais de fora. Ghisolfi citou ainda o caso do universitário africano Toni, assassinado em 22 de setembro de 2009 e que não tinha assistência estudantil. A UFMT também é acusada de ter sido omissa no caso Toni. “Essa Reitoria é assim, não ouve estudante, não ouve professor, não escuta ninguém. Acontece que há interesses muito maiores em jogo, é uma disputa de poder”.

Durante o protesto um jornalista, que estava cobrindo o fato, quase foi agredido pela PM, confundido com um manifestante.

Leia aqui a nota da PM-MT sobre o episódio.

A UFMT emitiu nota dando a versão oficial sobre o problema de moradia estudantil.

O Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso emitiu nota de repúdio à conduta irresponsável da Rotam.

Pedro Pomar é jornalista, editor da Revista Adusp e doutor em ciências da comunicação.

[Vídeo] Sociedades Secretas e Dialética Hegeliana - "Skull and Bones": Como Funciona e Quais seus Objetivos

domingo, 3 de março de 2013

É isso o que o governo faz com o nosso dinheiro. Acorde, você é um escravo.


Por Oswaldo Coggiola 


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O governo criou uma fonte de recursos públicos para os bancos privados financiarem investimentos de médio e longo prazo, principalmente os destinados a bancar os programas de concessões de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. Os bancos privados deverão pagar ao governo pelo acesso aos recursos uma correção baseada na TJLP (taxa de juros de longo prazo), hoje de 5% ao ano, muito abaixo da taxa “de mercado”. O formato da medida “atende pedido dos bancos privados”, anunciou o governo. Na prática, ele está acabando com a intermediação do BNDES. Os economistas “neoliberais” celebram aos brados a conversão do governo ao “credo (violento) do mercado”.


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Texto completo:

No início do ano pré-eleitoral (na verdade, já eleitoral) de 2013, todos os índices da economia brasileira apontam para a estagnação e o recuo. À queda, já anunciada, do PIB, veio somar-se agora o recuo industrial (o primeiro em uma década), o retrocesso do investimento por cinco trimestres consecutivos, o aumento do desemprego, que já afetava o setor industrial e agora se transmitiu para o setor comercial (sinalizando o fim do boom do consumo que foi a marca econômica e política do governo petista), o aumento da inflação (que teria superado 1% em dezembro passado, isto é, mais de 15% anual, se não mediasse a queda parcial das tarifas de energia - que irá reduzir em 28% o custo dos grandes consumidores e em 16% o dos pequenos e médios consumidores - e o adiamento dos reajustes de tarifa nos transportes), a queda do lucro bancário privado (- 5,3%) e o aumento (30% em média) das provisões contra calotes do setor financeiro, que lucrou R$ 27, 7 bilhões, com um total de... R$ 52 bilhões previstos para devedores duvidosos e inadimplentes. A Bolsa de Valores de São Paulo anunciou no início de 2012 que 45 companhias fariam ofertas públicas iniciais de cotização de ações (só três delas o fizeram). Em suma, um cenário de crise e recessão. O “remédio” do governo é a mesmice aumentada, ou mais e ainda mais do mesmo.

O setor de ponta da saúde pública brasileira, os hospitais universitários, por exemplo, estão sendo “assediados”, mediante “terrorismo social” (termos usados pelo procurador federal do Ministério Público do Trabalho) para ceder sua gestão ao setor privado mediante a Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares). O governo Dilma afrouxou todas as condições para a privatização (leilão) de 7500 quilômetros de rodovias, em nove lotes, aumentando de 6% para 14,6% a taxa de retorno garantido para as empresas participantes. Com esse presentão para o grande capital, pretende-se manter o programa de investimentos de R$ 250 bilhões em rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. Sem falar em que o governo está hipotecando todas as reservas do pré-sal, como já foi feito pelo governo Lula, que entregou uma grande parte do pré-sal para a empresa OGX (Eike Batista).

Com a renovação das concessões de geração, transmissão e distribuição de energia, o governo pretende hipotecar o patrimônio público para reduzir a tarifa média de energia. Uma vez vencidas as concessões, elas deveriam ser integradas ao patrimônio público. A MP (decreto) 579 é uma tentativa do governo para utilizar aproximadamente 22 mil megawatts de usinas hidrelétricas e 80 mil quilômetros de vias de transmissão para tentar fornecer essa energia só pelo custo de operação e manutenção e, com isso, tentar reduzir a média tarifária, que sempre beneficiou os maiores consumidores. O governo diminuiu a tarifa média, só que quem mais consome energia no Brasil é o grande capital (industrial, comercial, agrário, financeiro). Qualquer benefício linear beneficia só os mais ricos e deixa de fora 2,5 milhões de pessoas que ainda não têm acesso à energia. 1.500 consumidores consomem aproximadamente 28% de toda a eletricidade brasileira, e eles compram energia a um preço aviltado, porque pagam apenas 20% do custo da energia, de não menos de cem reais o megawatt-hora (MWh). Esses consumidores pagam cerca de R$ 20 por MWh. E os apagões são cada vez mais frequentes, pois, sem recursos, a manutenção é pífia.

O governo, além disso, criou uma fonte de recursos públicos para os bancos privados financiarem investimentos de médio e longo prazo, principalmente os destinados a bancar os programas de concessões de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. Os bancos privados deverão pagar ao governo pelo acesso aos recursos uma correção baseada na TJLP (taxa de juros de longo prazo), hoje de 5% ao ano, muito abaixo da taxa “de mercado”. O formato da medida “atende pedido dos bancos privados”, anunciou o governo. Na prática, ele está acabando com a intermediação do BNDES. O banco público recebia dinheiro do Tesouro e o repassava a bancos privados, cobrando uma taxa. Agora, os bancos terão acesso direto aos recursos. A nova fonte de água benta vai se somar aos R$ 15 bilhões de depósitos compulsórios que o BC já havia liberado para financiar investimentos. As instituições financeiras privadas poderão formar consórcios para ter acesso ao fundo de recursos públicos.

Os economistas “neoliberais” (tucanos ou não), escrachados durante uma década, celebram por isso aos brados a conversão do governo ao “credo (violento) do mercado”, na verdade o credo do subsídio público ao grande capital. “O governo saiu de seu labirinto”, anunciou o inefável economista tucano Mendonça de Barros, pois “passou a depender do capital privado para superar as limitações ao crescimento” (capital privado que, por sua vez, depende dos créditos públicos e do saque ao Estado mediante a especulação com títulos públicos). O governo federal já destinou dois terços dos recursos gastos em 2013 para juros e amortizações da dívida: apenas nos primeiros 35 dias de 2013 já foram gastos nada menos que R$ 145 bilhões com juros e amortizações da dívida, valor equivalente ao dobro dos recursos previstos para educação em todo o ano de 2013. Para 2013, estão previstos R$ 900 bilhões para a dívida pública, 20% a mais do que os R$ 753 bilhões gastos com a dívida no ano passado. Isto mostra que, apesar da propaganda oficial sobre a queda da taxa de juros, a dívida pública continua no centro da crise nacional. A parte do orçamento federal destinada para pagamento de juros e amortizações da dívida cresceu de 36,7% para 45,05%.

No Código Florestal, a expectativa do “veta tudo Dilma” não se concretizou, e o governo tem demonstrado que seu projeto não se restringe a uma ou outra área. Trata-se de um projeto global em favor do grande capital, adequando às formas de organização do Estado à crise. Aí se encaixa o projeto de Código Nacional de Ciência Tecnologia e Inovação, que teve a “contribuição” de fundações privadas de todo o país, há décadas empenhadas na privatização no interior das instituições públicas. Para pagar a dívida pública, houve nos dois últimos anos cortes no orçamento de 50 e 55 bilhões de reais, que, somente entre os anos 2010 e 2011, fizeram cair 16,2% o orçamento para ciência e tecnologia. Agora, para “remediar”, não só será permitida a transferência direta de recursos públicos para o setor privado, como se ampliará a possibilidade de as instituições públicas – as universidades, responsáveis por mais de 90% da produção científica do país – compartilharem seus laboratórios, equipamentos, materiais e instalações com empresas privadas, inclusive transnacionais. O Código permitirá ainda o acesso à biodiversidade pelos monopólios privados. Será permitido, sem autorização prévia, o acesso ao patrimônio genético e de conhecimento tradicional para fins de pesquisa. E também a extração do patrimônio para fins de produção e comercialização. Uma política de entrega nacional total.

A crise econômica não tem ainda reflexos políticos decisivos. Lula, finalmente, lançou a candidatura de Dilma Roussef à reeleição. As sondagens provisórias a situam em torno de 55% das intenções de voto, com pouco mais de 10% para o tucano Aécio Neves, e percentuais semelhantes para a oportunista Marina Silva (que está leiloando sua candidatura para alguma sigla ou coalizão; a ex-senadora e ministra foi recebida com gritos de “Brasil, urgente, Marina presidente” ao entrar em um teatro lotado na Vila Madalena) e para Eduardo Campos (PSB), até a data, no entanto, integrante da base aliada do governo. Ou seja, teríamos uma nova eleição plebiscitária, onde só estariam realmente em disputa alguns governos estaduais, São Paulo em primeiríssimo lugar (haveria cinco pré-candidaturas petistas, incluída a de Guido Mantega: a eleição de SP seria mais importante que a nacional...). As especulações eleitorais, a mais de um ano e meio de distância do pleito, vão com sede demais ao pote.

E não só por causa do cenário econômico de crise, nacional e internacional, mas também por causa da luta de classes, e da crise política. Uma plenária para organizar a luta pela negociação e contração coletiva no serviço público e em defesa do direito de greve no funcionalismo reuniu a 19 de fevereiro diversas entidades dos servidores públicos dos três entes federativos na Câmara dos Deputados. O evento contou com a presença de cerca de 600 participantes, das mais diversas categorias do serviço público. Teria sido melhor realizá-la num local sindical, num centro da luta de classes, mas algo foi feito. Os sindicatos portuários, vinculados à Força Sindical (que anunciou sua ruptura com o governo) e à Federação Portuária (CUT), por sua vez, anunciaram medidas de luta contra a privatização dos portos (que implicará em milhares de demissões). É claro que essas burocracias apenas ameaçam (para negociar alguma coisa), mas viram-se obrigados a abrir uma fresta por onde pode ser proposta e agitada uma política classista (não à privatização, garantia e estabilidade no emprego, reajustes salariais).

A crise do mensalão ainda não acabou, e vai marcar as composições eleitorais. Como disse candidamente Wladimir Pomar (ideólogo da “esquerda” do PT), o STF “aceitou a tese do mensalão, sem qualquer consistência objetiva, pois, se houvesse, teria que ter julgado a maior parte da Câmara dos Deputados”. Tal e qual. Genoíno e Zé Dirceu, para ele, “cometem um erro crasso ao pretenderem estabelecer uma relação das ações de repúdio aos procedimentos e às decisões do STF com o apoio e sustentação do governo da presidente Dilma, e com a luta pelas reformas política e tributária. E praticam um erro maior ainda ao pretenderem fazer com que o PT assuma, neste momento, como sua tarefa mais importante, a luta pela anulação das condenações. Esquecem que isto incluiria absolver também o escroque [Marcos Valério] que praticou inúmeros delitos comprováveis e colocar o PT no banco dos réus... Os filiados atingidos pela ação penal 470 não podem transformar sua situação numa síndrome partidária”. Xadrez para eles, portanto, para salvar o restante da Câmara dos Deputados e o PT, ou seja, a quadrilha toda.

A esquerda classista está metida no meio das mesquinhas especulações eleitorais, nas quais é só marginal. Uma política eleitoral classista, no entanto, só pode ser o resultado final (e secundário) de uma vigorosa política de frente única de classe para organizar as lutas em curso, e também as lutas potenciais (pelo salário, pelo emprego, pelo direito à organização) suscitadas pela crise do capital. Só assim a crise política dos “de cima” poderia ser aproveitada politicamente pelos “de baixo”. A primeira condição é superar o sectarismo autorreferente e autoproclamado com uma política de luta, de unidade e de independência de classe.

Osvaldo Coggiola, historiador e economista, é professor do departamento de História da USP.

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