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segunda-feira, 30 de julho de 2012

21 fotos que irão restaurar sua fé na humanidade




POSTADO POR  EM 18/07/2012 EM DESTAQUE, RANDOM, TRADUÇÕES


As pessoas nem sempre são terriveis. De vez em quando, podem até cometer alguns atos maravilhosos. Vou mostrar 21 fotos que vão te lembrar disso.



1 – Cristãos em Chicago que apareceram numa marcha do orgulho gay para pedirem desculpas pela homofobia na Igreja.

Da esquerda para direita: "Nos desculpem por como os cristãos julgaram vocês", "Nos desculpem por como os cristãos evitaram vocês", "Me desculpem por como a igreja tratou vocês", "Eu era um homofóbico cego pela bíblica, me desculpem!"
 Da esquerda para direita: “Nos desculpem por como os cristãos julgaram vocês”, “Nos desculpem por como os cristãos evitaram vocês”, “Me desculpem por como a igreja tratou vocês”, “Eu era um homofóbico cego pela bíblica, me desculpem!”


…e a reação dos integrantes da marcha.




2. Essa história sobre senhores idosos japoneses que se voluntariaram para cuidar da crise nuclear em Fukushima para que os jovens não tivessem que se submeter à radiação



Aposentados japoneses são voluntários para lidar com a crise nuclear
Yasuteru Yamada disse que pessoas de todas as faixas etárias são benvindas no grupo.
Um grupo de mais de 200 aposentados japoneses estão se voluntariando para lidar com a crise nuclear em Fukushima
Os Habilidosos Corpos Veteranos, como eles chamam a si mesmos, é composto por engenheiros aposentados e outros profissionais, todos com mais de 60 anos.
Eles dizem que eles devem encarar os perigos da radiação, não os jovens.


3 – Essa foto de 2 noruegueses resgatando uma ovelhinha do oceano.





4. A placa dessa livraria espetacular


 Durante os horários comerciais, os livros na faixada são 50 centavos cada, ou 5 por 2 dólares.
Quando o estabelecimento estiver fechado,  sintam-se livres para pegá-los emprestado ou comprá-los e me pagar depois.
A qualquer hora: Se você não tem dinheiro para comprar livros e precisa ou quer ler, sinta-se à vontade.
Aceitamos doações.

5. Esse resultado de como Snooki deveria nomear seu filho.


“Eu sinceramente não ligo.”



6. O momento em que essa atleta em Ohio parou para ajudar uma competidora machucada a atravessar a linha de chegada numa “track meet”


Meghan Vogel, 17 anos, ficou em último lugar na corrida de 3200 metros quando ela alcançou a competidora Arden McMath, cujo corpo já não aguentava mais correr. AO invés de ultrapassá-la para não ficar em última, Vogel colocou o braço de McMath nos seus ombros, carregou 30 metros, e então empurrou-a para a linha de chegada antes de atravessá-la.

7. Essa troca de cartas entre uma garota de 3 anos e um shopping center.


Algo como:
Querido Sainsssssssssssssssbbbbbbbbbbbbbbbbbbburyyys
Por que o nome do “pão tigre” é pão tigre?
O nome devia ser “pão girafa”.
Com amor, Lily Robinson idade 3 e meio


Muito obrigado pela sua carta. Eu acho que renomear o pão tigre para pão girafa é uma idéia brilhante – parece muito mais com as pintas de uma girafa do que com as listras de um tigre, não é?
É chamado de pão tigre por que o primeiro padeiro que fez o pão há muuuuuuuuito tempo achou que parecesse listrado como se fosse um tigre. Talvez ele fosse meio bobo.

Realmente gostei de ter lido sua carta, então achei que deveria te mandar um presentinho. Coloquei um vale de 3 euros com essa carta, se você pedir pra sua mamãe ou seu papai te levar para Sainsbury’s você poderia usar para comprar alguns dos seus próprios tiger breads (e talvez se sua mamãe e seu papai deixarem você pode comprar uns doces também!). Por favor, peça a um adulto para esperar 48 horas antes de usar esse cartão.
Fico orgulhoso que você tenha escrito para nós e espero que você goste de gastar seu vale. Te vejo na loja em breve.
Atenção ao “Chris King (27 anos e meio)”
(puta que pariu né? hauhauhauha quando eu for dono da minha empresa quero ser igual ele!)



8. Esse bilhete que foi deixado para um garçom junto de uma nota de 20 dólares por uma senhora anciã no restaurante em que ele trabalhava.


Luke,
A gorgeta que te dei foi por que você me lembra muito meu filho, Deron, que morreu 15 anos atrás.Talvez você pareça um pouco com ele, mas é seu tipo, sua gentileza, sua consciência, seu espírito cortês que fez essa conexão. Obrigado pela lembrança amarga e doce ao mesmo tempo. Que deus te abençoe, querido!



9. Essa excelente placa nesse Subway.

Refeições gratuitas para os moradores de rua todas as sextas, das 3 às 5 da tarde.

10. Essa foto de um camponês carregando gatinhos encalhados para terra seca durante enchentes na Cidade de Cuttack, na Índia.




11. A espetacular placa dessa loja secadora de roupas


Se você está desempregado e precisa de uma roupa limpa para uma entrevista, a gente lava DE GRAÇA
Plaza Cleaners em Portland, OR, ajudou mais de 2000 desepregados que não conseguiam bancar as lavagens a seco. O dono da loja estimou que isso custou cerca de 32 mil dólares para a companhia.

12. Essa fotografia de um homem dando suas sandálias para uma moradora de rua no Rio de Janeiro.





13. Essa foto de um bombeiro administrando oxigênio para um gatinho resgatado num incêncio domiciliar




14. E essa.




15. essa interação entre uma garota da Guatemala e esse turista que ela acabou de conhecer.

This interaction between a Guatemalan girl and a tourist she just met.



16. Esse gesto do vizinho.

This gesture from a neighbor.

Olá Vizinho.
Meu nome é Mohammad, um muçulmano, morando em (riscado).
Estamos fazendo jejum pelo mês do Ramadâ.
Domingo, 7 de agosto às 8 da noite, gostaria convidar você e sua família para quebramos o jejum. Serviremos um jantar.
Por favor me ligue para confirmar, e me diga quantos membros da sua família virão.

17. Essas fotos de duas crianças cooperando para resgatar um cachorro que caiu em um desfiladeiro

These photos of two children collaborating to rescue a dog who had fallen into a ravine.


18. Esse recado na conta de uma jovem família

This note on a young family's check.
Alguém pagou nosso jantar quando éramos pais jovens, o que realmente nos marcou.
O fundamento desse gesto é a boa paternidade.
Continuem fazendo um bom trabalho… o tempo passa muito rápido.
Minha esposa, meu bebê de 1 ano e eu fomos jantar e isso era o que estava escrito na nossa conta.


19. Essa interação entre um protestante e um militar durante um protesto no Brasil.
This exchange between a protester and a soldier during a protest in Brazil.

Durante um protesto no Brasil, um general disse: “Por favor, não lutem, não no meu aniversário…” 
Então um grupo de protestantes fizeram uma surpresa para ele.
Fé na humanidade: restaurada.



20. Essas fotos de um cara pulando em águas agtadas para resgatar um cachorro da raça Shih Tzu de estrangeiros em Melbourne

These pictures of a man jumping into rough waters to rescue a stranger's Shih Tzu in Melbourne.



Sue Drummond estava andando com seu amado Shih Tzu, Bibi, num píer em Melbourne, quando uma forte ventania o levou e o derrubou nas águas agitadas da baía. Um transeuntee, Raden Soemawinata, que por acaso estava no pier aquele dia para  espalhar as cinzas da avó, não perdeu tempo: tirou a roupa e mergulhou na baía para resgatar o animal.



21. E essa foto de 2 melhores amigos num balanço.

And this photograph of two best friends on a swing.


Retirado e adaptado de Buzzfeed

Justiça: mulher de Cachoeira ameaçou juiz com dossiê para revista Veja

http://noticias.terra.com.br/brasil/politica/cpi-cachoeira/noticias/0,,OI6033058-EI20308,00-Mulher+de+Cachoeira+ameaca+juiz+com+dossie+para+a+Veja.html

Andressa teria tentado subornar juiz do processo da Operação Monte Carlo. Foto: Sebastião Nogueira/O Popular/Futura Press
Andressa teria tentado subornar juiz do processo da Operação Monte Carlo
Foto: Sebastião Nogueira/O Popular/Futura Press
Segundo a Justiça, na suposta tentativa de chantagem ocorrida na última quinta-feira, a mulher de Carlinhos Cachoeira, Andressa Mendonça, teria informado ao juiz Alderico Rocha Santos a existência de um dossiê contendo informações desfavoráveis ao magistrado responsável pelo processo da Operação Monte Carlo. O material seria publicado pelo jornalista Policarpo Júnior na revista Veja. Se o juiz concedesse liberdade ao contraventor e o absolvesse das acusações ofertadas pelo Ministério Público, Andressa disse que poderia evitar a divulgação do material.
O conteúdo da suposta corrupção ativa praticada pela mulher de Cachoeira consta na decisão do juiz federal Mark Yshida Brandão, diretor do Foro da Seção Judiciária de Goiás, em resposta à representação encaminhada pelo Ministério Público Federal. Baseado na denúncia de Alderico Rocha, o MPF entrou com pedido de mandados de condução coercitiva para Andressa e de busca e apreensão em sua casa, além de medidas cautelares pessoais contra a companheira do bicheiro.
Entre as determinações, Andressa está proibida de acessar ou frequentar o prédio da Justiça Federal de Goiás; de manter qualquer contato, pessoal, telefônico ou por qualquer outro meio, ainda que por outra pessoa, com o juiz Alderico; de manter contato com qualquer um dos réus investigados pela Operação Monte Carlo. A decisão da Justiça Federal de Goiás foi publicada na página oficial do órgão no início da tarde desta segunda-feira.
Na decisão, o diretor do Foro achou oportuno destacar trecho do ofício enviado por Alderico Rocha, onde relata que "a referida senhora continuou a insistir para que este juiz revogasse a prisão do seu marido Carlos Augusto, argumentando que o referido dossiê iria, também, constranger o juiz Wilson Dias, afirmando que o mesmo é compadre deste juiz e que sabia da convivência familiar existente".
"A gravidade dos fatos noticiados, decorrente da ousadia e destemor demonstrados pela requerida ao tentar intimidar e chantagear o juiz federal encarregado da condução do processo pertinente a Operação Monte Carlo, por si só, exige a imediata aplicação de medida capaz de obstar novas incursões da requerida e proteger o juiz federal Alderico Rocha Santos de qualquer tentativa de intimidação, a fim de que possa desempenhar o seu mister", escreveu Brandão.
A redação do Terra entrou em contato com a Veja , mas o diretor de redação, Eurípedes Alcântara, ainda não havia dado um posicionamento a respeito da denúncia que cita a revista de circulação nacional.
Hoje pela manhã, Andressa foi ouvida na Delegacia da Superintendência da Polícia Federal de Goiânia, onde prestou esclarecimentos sobre a suposta chantagem feita ao juiz Alderico. A Justiça decidiu que ela terá três dias para pagar uma fiança estipulada em R$ 100 mil, como forma de garantir o cumprimento das medidas cautelares impostas e assegurar o seu comparecimento ao Juízo Federal todas as vezes em que for intimida.
"Ela pode ficar presa em caso de descumprimento de uma das determinações cautelares determinadas pela Justiça. Ela está proibida de entrar em contato, inclusive por telefone, com qualquer um dos investigados pela Operação Monte Carlo", explicou o delegado.
Se for indiciada e condenada por corrupção ativa, Andressa poderá pegar de dois a 12 anos de prisão, além de pagar multa. Na casa onde vive a mulher de Cachoeira foram apreendidos dois computadores e dois tablets que serão periciados.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Mentiras, verdades e silêncio sobre a política de insegurança pública

O que assistimos neste momento com a recente onda de mortes praticadas por policiais no estado de São Paulo nos leva a crer que há uma dificuldade desses setores administrarem a sua própria política de aliança com setores que alegam combater. Diferente do que o senso comum impregna, aparentemente, não se trata de um conflito entre Estado versus crime, mas de um desacerto na aliança estabelecida entre esses dois atores. Ambos criminosos. 






ESCRITO POR GIVANILDO MANOEL (GIVA)   
QUARTA, 25 DE JULHO DE 2012

Uma onda de violência em São Paulo. Entre a interpretação dada pela grande mídia e a vida cotidiana que segue na cidade, a população permanece afundada num campo de desinformação e reprodução do mais preconceituoso senso comum. Que a polícia militar é um pólo vivo e ativo da herança ditatorial, todos sabem. Que é uma das mais violentas do mundo, todos veem. Qual a novidade então? O que explica essa recente onda de violência e mortes nas periferias que já matou mais de 200 pessoas?

Há muitos anos que diversos grupos – como o Tribunal Popular, Comitê contra o genocídio da Juventude Negra, Rede contra Violência, Mães de Maio, Coletivo Merlino, entre outros – têm denunciado a violência do Estado contra a população pobre, em especial contra a juventude negra. Diversos foram os casos que tentaram levantar uma discussão séria e profunda sobre o modelo de segurança adotado em São Paulo e no Brasil.

Um caso emblemático e ao mesmo tempo típico é a do motoboy Eduardo Pinheiro dos Santos, assassinado na frente da mãe em abril de 2010. Os policiais o contiveram como suspeito, o julgaram como culpado e ali, sob os olhares desesperados da mãe, aplicaram-lhe a sentença de morte. Ele era negro, pobre e, portanto, suspeito e culpado – segundo a atual visão de segurança pública.

O problema é que não nos colocamos a pensar que política é essa, até porque por muitos anos essa ideologia entra cotidianamente em nossas vidas através dos programas sensacionalistas do mundo cão, como o Aqui e Agora, Programa do Ratinho, Datena e outros, ou das notícias que não passam de boletins de ocorrência escritos com outras palavras. Fomos sendo hipnotizados por uma falsa idéia de que era necessária uma política de segurança, que, para ser mais eficiente, poderia violar todos os nossos direitos, transferindo para o braço armado do Estado todos os desígnios das nossas vidas. A cada tiro no cidadão, um tiro em nossa já muito baleada Constituição.

O atual governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, quando assumiu seu primeiro mandato em 2001 reafirmou a mentalidade intervencionista, repressiva e autoritária baseada na doutrina de segurança pública dos Estados Unidos de guerra preventiva e permanente contra o terror. A política de “tolerância zero” é de guerra contra o inimigo interno, já que não estamos em guerra com outro país. Pra quem acha um exagero, já que se nomeia o atual regime que vivemos de democracia, até as estatísticas oficiais apontam que o inimigo interno é a população pobre e negra.

Evidentemente, essa política que teve suas bases constituídas no período da ditadura militar esmagou qualquer outro tipo de perspectiva de segurança pública a partir da amnésia e impunidade dos crimes cometidos naquela ainda recente época. Mas também pela naturalização de massacres e chacinas, como o do Carandiru, como um dos símbolos da transição desta política ditatorial para os tempos de democracia burguesa.

Com nova roupagem, essa ótica foi ampliada para os setores que também combateram a ditadura militar. O governo federal assumiu essa doutrina de segurança, adotando as UPPs como a expressão dessa capitulação à utilização do uso da força desmedida pelo Estado. A mídia pede e o exército volta, vez ou outra, a desfilar pelas ruas de diversas cidades.

O resultado é um desastre humanitário sem precedentes. O Brasil, ao longo de 10 anos, viveu um aumento de 576% de mortes violentas, foram mais de meio milhão de mortes e a ampliação de encarcerados no Brasil dobrou, indo para 500 mil. Hoje somos o terceiro país a mais encarcerar no mundo, perdendo só para a China e Estados Unidos.

O endurecimento da punição tem uma intencionalidade, como tem a intencionalidade essa política de insegurança pública que estrutura a violência estatal. É preciso que seja dito que a justificativa de guerra às drogas e a guerra à criminalidade é falsa, já que nesta estranha batalha, na imensa maioria, são os pobres que morrem. Uma guerra às drogas e à criminalidade que não atinge os mais poderosos setores envolvidos, muito ricos, não passa da mais escancarada guerra aos pobres. E não só pelas mortes, mas também pela política de encarceramento em massa, que caminha mais rápido para ser um meio de exploração da mão de obra precarizada e análoga à escravidão, travestindo essa exploração de beneficio para o restante da população. E dentro do sistema carcerário, sabe-se também que a tortura é corriqueira. Ou seja, estamos estruturando no Brasil um Estado penal.

Se por um lado a eficiência se viu no mínimo deficiente, por outro lado, a prática aponta que é um completo desastre. O aumento da população carcerária fortaleceu alguns grupos que passaram a ter poder na estrutura social dentro e fora das penitenciárias.

Mas qual é a motivação das mortes e repressão?

O primeiro desafio para alteração deste quadro talvez seja a superação da visão de que a postura de extrema repressão policial é apenas uma questão de desequilíbrio desses homens e mulheres ou de seus comandantes. De fato a extrema precarização do trabalho dos policiais e a orientação ideológica das corporações são fatores importantes. Mas é também a disputa para aplicação de um projeto de sociedade e de cidade que faz o Estado, por si só, optar por lançar mão de tal brutalidade.

Na cidade de São Paulo, o quase caricato prefeito Gilberto Kassab, como bom sucessor da gestão Serra, tomou diversas medidas em doses homeopáticas – mas muito dolorosas – que procuram um novo ordenamento geopolítico e imobiliário na cidade. A coleção de proibições visa expandir as fronteiras das áreas a serem exploradas pelo setor imobiliário.

O prefeito impôs uma política de higienização do centro da cidade, com os jatos de água diários nos moradores de rua, ameaça de proibição dos sopões, despejos de ocupações por moradia, expulsão dos vendedores ambulantes, ação repressiva na cracolândia e tantas outras.

Estranhamente, a cidade bate recordes de incêndios em favelas. Muitos obviamente criminosos (até porque se dão em terrenos em disputa), outros que, mesmo acidentais, facilitam do mesmo jeito que novos empreendimentos sejam construídos nestes locais, os valorizando. Isso tudo contribuiu, por exemplo, no aumento da população de moradores de rua, que dobrou nos anos do governo Serra-Kassab, somando mais de 20 mil pessoas, e para a disseminação de cracolândias por aí.

Mesmo os empreendimentos como viadutos, monotrilhos e grandes obras que teoricamente beneficiam a população acabam por despejar centenas de famílias, valorizar algumas regiões e substituir essas pessoas por outras com mais condições de consumidor de imóveis e outros bens. Isso se acirra ainda mais com a preparação da cidade para receber a Copa do Mundo. Por todo o país, mais famílias sofrem despejo, e enquanto a mídia teima em comemorar seus lucros com o evento as cidades servem de laboratório para uma nova estruturação, mas também para aplicação de um novo fôlego das políticas violentas de segurança.

Outras medidas, muitas vezes encaradas como transversais, também expressam essa tomada territorial. Desde a proibição dos artistas de rua, passando pela lei do Psiu e chegando até a ofensiva contra os saraus nas periferias, colocam sob a lei um modo de vida a ser seguido pela população. E a desigualdade também se encontra nesses fatos, já que isso na prática impede o acesso ao lazer e à cultura que, diante da vida massacrante de trabalho, têm sido espaços fundamentais de organização e resistência ao modelito neoliberal da cidade.

E é também por isso que se militariza tanto São Paulo. As tropas estão aí para abrir espaço e expandir as fronteiras da segregação social. Os prefeitos militarizaram 31 das 32 subprefeituras, colocando coronéis aposentados na gestão. A famigerada operação delegada, feita em um acordo ilegal com o governo do estado, contratou os serviços de mais de 4 mil policiais e agravou a violência utilizada pela Guarda Civil Metropolitana.

E qual a novidade?

Com a vitória da imposição desta lógica, se elevou também o patamar de relação do Estado com o chamado crime organizado. Como bem define o deputado estadual do PSOL-RJ Marcelo Freixo, só existe crime organizado se esse tiver relação e proteção do Estado.

O que assistimos neste momento com a recente onda de mortes praticadas por policiais no estado de São Paulo nos leva a crer que há uma dificuldade desses setores administrarem a sua própria política de aliança com setores que alegam combater. Diferente do que o senso comum impregna, aparentemente, não se trata de um conflito entre Estado versus crime, mas de um desacerto na aliança estabelecida entre esses dois atores. Ambos criminosos.

Já é de conhecimento público as investigações de envolvimento de policiais em assaltos a caixas eletrônicos, condomínios de luxo e outras práticas de corrupção. Mas isso ainda é encarado como um problema meramente moral e como fatos isolados de um setor contaminado da polícia.

A inexplicável ação da ROTA na zona leste de São Paulo, matando seis pessoas, e a morte de seis policias, em sua maioria em bico, desencadearam uma série de mortes assumidas ou não pela polícia. Estas não foram medidas tomadas somente pelos policias armados ou pelo seu comando militar, mas sim através da autorização do governador e do secretário de Segurança Publica. Sem que nenhuma morte fosse explicada para a população e em defesa de uma certa "normalidade", foi dada autorização para que a polícia utilizasse toda a força necessária, incluindo a ação de forma ilegal pelo não uso de fardas. Sim, policiais estão matando com e sem fardas, com autorização do governo. Na prática, se aproximam de uma espécie de grupo de extermínio legalizado.

Neste exato momento é a polícia quem está decretando toque de recolher em diversas regiões da cidade. Em menos de um mês foram contabilizada cerca de 200 mortes! Enquanto são registradas como “resistência seguida de morte”, supostamente investigadas pela Polícia Civil, mas quase sempre engavetadas pela Secretaria de Segurança Pública, a população vive sob o tiroteio da desinformação.

Mais uma vez, durante o período eleitoral, a política é de terror à população. E dessa forma tentam convencer que para proteção da propriedade privada vale tudo. Aos poucos a grande mídia vai repetindo a retórica do medo: “imaginem uma cidade sem polícia, seria o caos”. Na contramão disso estão ações isoladas, como a declaração da mãe de Ricardo Aquino, publicitário morto em Pinheiros, que desejou “que sua morte não tenha sido em vão”, além de responsabilizar a política de segurança como um todo.

O que está posto para o povo de São Paulo é que essa lógica faliu, aliás, já nasceu falida, pois a verdadeira política de segurança capaz de enfrentar a violência se dá pelo combate à desigualdade social com saúde, educação, lazer, esporte, cultura, emprego e moradia bons e públicos. De imediato, é preciso que a população organize sua indignação contra essas mortes, pela abertura de uma CPI para investigar a polícia, desmilitarização da polícia e pela construção de uma segurança controlada pelo próprio povo.

O período eleitoral precisa ser usado como forma de rejeição aos candidatos e partidos que estão aplicando à bala esse reordenamento da cidade, mas também aos que, em nome da governabilidade e de um tempinho de televisão, se alinham com Malufs da vida, protagonista central neste pensamento conservador de segurança pública. É preciso dar um grito, nas ruas e nas urnas, a favor da vida da classe trabalhadora, antes que a polícia e essa política agridam ainda mais nossa sangrenta democracia.

domingo, 22 de julho de 2012

São Paulo, A Cidade Proibida (O Avanço do Estado Policial)


http://www.correiocidadania.com.br/



ESCRITO POR BRUNO RIBEIRO
 
TERÇA, 03 DE JULHO DE 2012


A onda proibitiva em São Paulo começa com José Serra, continua com Geraldo Alckmin e ganha sua personificação mais bizarra com Kassab, que fez do não a marca de seu governo. Algumas poucas proibições poderiam ser justificáveis se não escondessem intenções higienistas nas entrelinhas. Outras são completamente estapafúrdias, como veremos a seguir.

Em São Paulo foi criada a Lei Antifumo, que se alastrou pelo Brasil como um câncer. O argumento de que a fumaça do cigarro alheio em ambientes fechados causaria malefícios à saúde do “fumante passivo” esbarra no direito individual quando regulamenta valores por meio da lei. Por que alguém não tem o direito, por exemplo, de abrir um bar exclusivo para fumantes ou de manter uma área reservada para eles? Em São Paulo é proibido fumar até na calçada, se houver um toldo ou cobertura sobre vossa cabeça.

Anúncios de outdoors foram vetados. A Lei Cidade Limpa é positiva quando objetiva reduzir a poluição visual na capital. O problema é o modelo de implantação desta lei, pois hoje qualquer cidadão está proibido de estender à frente de sua casa uma placa ou faixa com qualquer mensagem, inclusive (e a meu ver principalmente) de protesto contra o descaso do governo. Se alguém quiser protestar contra buracos na rua do bairro terá que pedir autorização da prefeitura. O que será negado, por óbvio, constituindo assim um veto indireto à liberdade de expressão.

Chegou a ser proibida a circulação de motos com mais de uma pessoa. O argumento para vetar o “carona” na garupa é de que este poderia ser um assaltante. Como os assaltos praticados por duplas sobre motos são comuns, decidiu-se proibir duas pessoas de dividirem a mesma moto ao mesmo tempo. A iniciativa lembra aquela piada do marido que pegou a mulher com outro no sofá e, para se livrar do problema, vendeu o sofá. Felizmente a lei foi derrubada: feria o direito de ir e vir assegurado pela Constituição Federal.

Outra envolvendo motos: veículos de duas rodas foram proibidos de circular na Avenida 23 de Maio, sem justificativa plausível. A decisão foi revogada pouco tempo depois porque não tinha consistência.

Também foi proibida a circulação de caminhões nas marginais. Agora, esses veículos precisam usar o Rodoanel da CCR (empresa de amigos de José Serra) e pagar o pedágio, se quiserem trabalhar. Recentemente, caminhões proibidos de circular pela Marginal Pinheiros pararam temporariamente de fornecer combustível para os postos de gasolina de São Paulo, como forma de protesto.

A paranóia com os assaltos fez com que o uso de celular fosse vetado dentro de agências bancárias.


Mas a melhor foi a proibição do ovo mole nos botecos da cidade. Para evitar que o cliente contraia uma intoxicação causada pela salmonela.

Cúmulo da falta do que fazer, o molho vinagrete foi proibido nas pastelarias. Para não contaminar o pastel com bactérias malvadas.

A paranóia com o silêncio levou à proibição do tradicional pregão nas feiras livres. Os comerciantes não podem mais divulgar suas ofertas em voz alta, como é costume no Brasil desde 1500.

Da mesma forma, cobradores de lotação não podem mais informar o destino do veículo gritando para fora da janela, atitude que facilitava a vida de deficientes visuais e de analfabetos.

Por incrível que pareça, não são mais permitidas bancas de jornal no centro de São Paulo, pois, segundo a prefeitura, as banquinhas poderiam ser usadas como "fortalezas e esconderijos de assaltantes em fuga".

Proibiu-se o uso de câmeras fotográficas nos terminais de ônibus.

As câmeras estão proibidas também no metrô.

Também proibiram a venda de quentão e vinho quente nas festas juninas das escolas.

Para salvaguardar a saúde de nossos jovens, refrigerantes e frituras foram vetados nas cantinas dos colégios.

Pobres estudantes: matar aula está proibido em São Paulo. Com ordem da prefeitura, PM sai à caça de alunos gazeteiros, que acabam dentro do camburão, como marginais.

Não se pode mais beber cerveja nos estádios de futebol e nem levar bandeiras para torcer pelo seu time.

Recentemente, a paranóia com o meio ambiente proibiu o uso de sacolas plásticas nos supermercados. A lei foi derrubada porque contrariava os direitos do consumidor.


Os artistas de rua estão proibidos de se manifestar na Avenida Paulista e em outras regiões nobres da cidade. Os que ousam mostrar sua arte em público, dos malabaristas às "estátuas vivas", são violentamente reprimidos pela PM.

A última da onda repressiva é a lei, já aprovada pela assembléia legislativa, que proíbe o consumo de bebida alcoólica em áreas públicas, como bares, calçadas, praças e praias. Se for sancionada pelo governador – e tudo indica que será – ninguém poderá beber sua cervejinha despreocupadamente na rua.

Isso sem falar nas vergonhosas rampas antimendigo instaladas sob os viadutos e pontos estratégicos para impedir que moradores de rua durmam naqueles locais.

Também foi proibida, pelo então governador José Serra, a venda de bananas por dúzia, como sempre foi feito nas feiras. Agora, em todo o estado, a banana só pode ser vendida por peso. Quem insistir, poderá ter seu comércio multado.

A prefeitura de São Paulo se meteu ainda em uma cruzada contra as bancas de jornais. Isso mesmo: para forçar o fechamento das bancas na Praça da Sé e outros pontos da cidade, Gilberto Kassab está proibindo os donos de vender produtos como guarda-chuvas, chocolates e publicações "atentatórias à moral". Não acreditam? Leiam aqui.

Kassab também não gosta que pobres socializem em espaços culturais criados por eles. Por isso temproibido os saraus nas periferias. Um dos mais antigos e tradicionais, o Sarau do Binho, na região do Campo Limpo, foi fechado recentemente, a exemplo de espaços culturais semelhantes no Bixiga e na Brasilândia. Todos tinham uma característica em comum: eram espaços de resistência do movimento hip-hop.

O trabalhador informal também é tratado como criminoso em São Paulo. Kassab cancelou as permissões de trabalho de todos os camelôs da cidade.

Proibição das mais cruéis é a que pretende proibir a distribuição de comida para moradores de rua. As entidades assistenciais que entregam todas as noites o "sopão" para pessoas que não têm nada na vida, são os alvos preferenciais. Kassab espera, com isso, forçar os mendigos a saírem das ruas e se internarem nos albergues da prefeitura, que são péssimos e oferecem comida de baixa qualidade.

O jornalista Rodrigo Martins, da Carta Capital, foi muito feliz quando definiu, em seu artigoCervejaço contra a caretice: "São Paulo é uma cidade de loucos exatamente pelo fato de negar a seus habitantes o direito à cidade".

Por Bruno Ribeiro.
ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO EM SEXTA, 06 DE JULHO DE 2012

quarta-feira, 18 de julho de 2012

As vergonhosas campanhas eleitorais, de novo!

http://www.brasildefato.com.br/node/10119


Como podem gastar R$ 90 milhões numa campanha de três meses? Quem está financiando depois vai cobrar a fatura, que certamente será paga com recursos do povo.

18/07/2012 

(...) Um fato muito preocupante está assolando todas as eleições, principalmente nas capitais e grandes cidades. O registro de gastos previstos para a campanha feito pelos candidatos nos tribunais eleitorais. Em São Paulo, José Serra prometeu gastar “apenas” até R$ 98 milhões. Fernando Haddad, nada menos que R$ 80 milhões. E cada vereador - de todos os partidos – sinalizaram que podem gastar até R$ 3 milhões! Ora, os recursos dessas candidaturas virão certamente de empresas. Muitas delas concessionárias de serviços públicos, na cidade ou em nível nacional. E o mais grave: todos dizem que é dentro da lei. A população está indignada. Como podem gastar R$ 90 milhões numa campanha de três meses? Quem está financiando depois vai cobrar a fatura, que certamente será paga com recursos do povo. O custo das campanhas eleitorais no Brasil tornou-se, segundo especialistas, o terceiro mais caro do mundo. Só perdemos para Estados Unidos e França. Uma vergonha! Esses milhões de reais serão usados justamente para usar técnicas de propaganda que iludem e enganam o cidadão. Não se trata de disputa de ideias, programas ou projetos para as cidades. A propaganda é cara, porque é necessário iludir, enganar, distorcer a realidade. O fato é que só há um remédio para curar essa situação que ofende a sociedade e distorce a democracia. Uma reforma política profunda, que garanta o princípio da constituição: todo poder pertence ao povo. E o povo precisar ter garantias de normas e métodos que lhe garanta o exercício pleno de sua vontade política, através de quem eleger. E dentro dessa reforma política incluir: financiamento público de campanha; pena de prisão e perda de patrimônio a quem usar recursos privados; direito do povo convocar plebiscitos e referendos (hoje restrito aos deputados federais); direito do povo convocar plebiscitos de cassação de mandatos daqueles que não honrarem com as promessas; registro em cartório sob as penas da lei, dos programas e metas a que os candidatos se comprometem perante os eleitores; fortalecimento dos partidos, e com candidaturas em listas partidárias e perda de mandato com as mudanças de siglas; fim da reeleição em qualquer nível. Os chamados políticos “profissionais”, são assim chamados porque vivem da vida pública e dos recursos públicos, transformaram a arte de enganar o povo numa profissão. Não têm categoria de trabalho nem vínculo real com outra profissão. Eles continuam impedindo a aprovação da reforma política, dos vários projetos que estão nas gavetas do Congresso. Continuam sorrindo com as enganações do povo. Mas isso não poderá ser eterno. A atual e crescente separação entre a vida da sociedade, seus interesses e os interesses desses políticos está se agravando aos olhos de um número cada vez maior de cidadãos. Está se aprofundando uma contradição que algum dia vai se transformar em alguma rebelião popular. Basta de Demóstenes e enroladores. É necessária uma verdadeira reforma política, já!

[Vídeo] Direita ou Esquerda: Temos Que Escolher?

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Motorista deve pagar pedágio em trechos urbanos de rodovias paulistas

A implantação de pedágios eletrônicos nas rodovias estaduais privatizadas de São Paulo deverá atingir motoristas até onde essas vias são utilizadas como vias urbanas. Segundo informa a “Folha de S.Paulo”, essa cobrança vai acontecer em trechos como o da Ayrton Senna, que liga a capital paulista ao aeroporto de Cumbica, e da Anchieta, que liga a cidade de São Bernardo até São Paulo. Nesses locais, o governo do estado irá instalar pórticos de cobrança, que vão ler chips instalados nos carros.

O  teste desses pórticos está sendo feito entre Indaiatuba e Campinas, na SP-75. Há um a cada 8 km, com isso as vias serão quase 100% pedagiadas.

A implantação total dos pedágios é planejada para 2013 ou 2014, dependendo do governador Geraldo Alckimin. O sistema irá cobrar tarifas mais baixas, porém de muito mais gente. Não há um estudo da Artesp (Agência de Transportes do Estado) nem das concessionárias das rodovias que diga quantos carros usam as vias.