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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

[Charlie Hebdo] Ainda Há Esperança para a Humanidade

Fonte: change.org

Em meio à escuridão e à desolação, sempre há um raio de luz. Lassana Bathily, um jovem muçulmano do Mali, iluminou uma semana que de outra forma teria sido completamente sinistra. Lassana Bathily salvou várias vidas ao esconder vários clientes do supermercado kosher que foi alvo de um atentado no dia 9 de janeiro, uma sexta-feira.
“Fui ao frigorífico [do supermercado], abri a porta e várias pessoas entraram comigo. Disse a elas para se acalmarem e não fazerem ruído”, afirmou ele à emissora de TV francesa BFMTV. Com isso, mais de 12 pessoas escaparam de uma morte quase certa.
Quando saiu do supermercado, a polícia o prendeu e o manteve algemado por uma hora e meia, assumindo que este homem negro era inevitavelmente um dos terroristas. Quando a polícia se deu conta do erro, o interrogaram e ele mostrou aos policiais o mapa do local, o que facilitou a ação da polícia.
Este jovem de 24 anos é especialmente humilde. “Sou muçulmano praticante. Já havia feito minhas orações neste local. E sim, eu ajudei vários judeus. Nós somos irmãos. Não é uma questão de ser judeu, cristão ou muçulmano, estamos todos no mesmo barco”, disse ele.
Este herói cidadão é um exemplo. Era um cidadão sem documentos quando chegou à França, conseguiu emprego em um supermercado judeu, e salvou a vida de 15 pessoas judias. Quinze pessoas. Simples assim.
Temos muitas lições para aprender com esta história. Os estereótipos fizeram com que a polícia perdesse uma hora e meia numa situação em que cada minuto conta. Mas a história de Lassana é também uma lição sobre os benefícios da solidariedade, o verdadeiro significado de qualquer religião.

Esclarecendo o Atentado ao Charlie Hebdo

ESCRITO POR RAMEZ PHILIPPE MAALOUF   
QUI, 22 DE JANEIRO DE 2015

Correio da Cidadania
Os atentados na França ao semanário Charlie Hebdo, o tiroteio em Montrouge e sequestro no mercado kosher resultaram no assassinato de pelo menos 17 pessoas, dos quais 12 eram os jornalistas e chargistas do semanário e três supostos terroristas, autores dos atentados, entre os dias 7 e 9 de janeiro de 2015. Segundo a mídia ocidental, notória por sua “objetividade” serva dos interesses do poder global dos EUA, os dois irmãos terroristas Said e Chérif Kouachi atacaram a equipe de redação por causa da publicação das caricaturas do profeta Mohammed, sempre retratado em situações degradantes. Os dois irmãos supostos autores do atentado seriam “muçulmanos radicais” que invadiram o prédio do jornal aos gritos de “Allah u Akbar!!!” (“Deus é grande!!!”).

As imagens confusas mostradas pela mídia ocidental mostraram apenas homens mascarados atirando nas ruas. Segundo a mesma mídia ocidental, os dois terroristas seriam altamente profissionais e que um deles teria deixado cair a carteira de identidade ... verdadeira, o que teria facilitado a identificação dos autores (e até mesmo a religião deles) em poucos segundos de investigação.

Na verdadeira caçada humana empreendida pela polícia e forças de segurança francesas, os dois supostos assassinos teriam sido encurralados e mortos na cidade de Dammartin-en-Goële. Um dos policiais envolvidos na caçada teria se suicidado. De qualquer forma, o ataque ao jornal foi um ato covarde e atroz não porque foi um atentado contra “liberdade de expressão”, que não é um valor e nem um direito absolutos, mas, sim, porque foi um ato contra a vida. Por este motivo, todas as lideranças muçulmanas e todos os governos árabes repudiaram e condenaram duramente o atentado.

Reforçando o ódio ao Islã

Tomando a narrativa veiculada pela mídia ocidental como verdadeira, faremos algumas breves considerações sobre este crime hediondo. Em primeiro lugar, o semanário Charlie Hebdo teria sido fundado no espírito dos protestos de maio de 1968, adotando uma linha “anarquista”, onde se caracterizava pelas charges “iconoclastas”. Segundo a mídia ocidental, a partir dos atentados de 11 de setembro de 2001, nos EUA, o semanário passou a ter uma linha de ataque ao chamado “extremismo islâmico”, dedicando inúmeras charges de “sátiras” às religiões. Em 2006, teria reproduzido as caricaturas do profeta Mohammed publicadas originalmente num jornal dinamarquês, que gerou protestos nas comunidades muçulmanas em todo o mundo, pois a religião islâmica condena a representação imagética do profeta, o que é considerado uma idolatria.

A partir de então, o semanário francês passou a sofrer ameaças. O fato é que observando as charges do Profeta e dos muçulmanos publicados pelo jornal, nota-se claramente a intenção de vilipendiar as imagens do profeta Mohammed, dos muçulmanos e da própria religião islâmica, muito longe da suposta crítica aos “extremistas islâmicos”. Há charges também ofensivas e degradantes dos personagens centrais do cristianismo. Os judeus são retratados de forma diversa, pois o jornal deixa explícito que os judeus caricaturizados são os “maus judeus”. Foram raras as charges de personagens bíblicas do judaísmo. As charges publicadas mostram os muçulmanos e o profeta Mohammed sempre da forma mais degradada possível e em frequentes cenas explícitas de sodomia, que remetem a uma obsessão com a homossexualidade. Além do racismo explícito, há homofobia.

Não há dúvidas de que, em que pese o passado supostamente “anárquico” e “libertário”, a revista prestou(a) grandes serviços à islamofobia e ao ódio aos árabes (que não têm sequer o direito de ser considerado antissemitismo), disseminados na Europa pelos partidos políticos ditos de extrema- direita, que certamente “lucraram” duplamente: primeiro com uma revista dita de esquerda que dissemina racismo; segundo, com o atentado supostamente cometido por dois extremistas “islâmicos”, mais uma justificativa para o ódio aos imigrantes.

Neste sentido, não podemos nos furtar em dizer que a Charlie Hebdo colabora, coopera e se alia taticamente com a “extrema-direita” francesa e, sobretudo, europeia, que vê nos imigrantes a causa do desemprego que se abate na Europa desde o início da crise econômica em 2008. No entanto, esta islamofobia, nada inocente da revista francesa, não podemos deixar de recordar, é um excelente instrumento para a geoestratégia imperial ianque de subjugar o mundo árabe-muçulmano e a África, visando conquistar a hegemonia mundial.

Há cerca de 6 milhões muçulmanos (descendentes de árabes principalmente, mas também de africanos subsaarianos) vivendo na França, que correspondem a mais de 10% da população do país. A grande maioria é pobre subempregada e desempregada, habitando as periferias das grandes e médias cidades, não sendo difícil o ingresso no mundo do crime, alvo fácil e preferencial da segregação/repressão social-policial. Estes muçulmanos são majoritariamente oriundos dos países colonizados pela França entre os séculos 19 e 20.

O preconceito das elites social-política-econômica francesas não recai apenas sobre os muçulmanos, mas também sobre os demais africanos e asiáticos não muçulmanos (nos quais se incluem os árabes não muçulmanos), europeus orientais e os ciganos. Em outubro de 2013, o ódio aos ciganos gerou um escândalo nacional, quando uma adolescente de origem cigana foi deportada, por ser imigrante ilegal, para o país de origem, o Kosovo, um protetorado ianque não declarado, onde grassa um Estado racial nos moldes de Israel e dos EUA (até a década de 1960). Ao chegar deportada no país eslavo e vassalo dos EUA, a criança foi linchada e por pouco não foi assassinada; seu destino atual é desconhecido.

O Ocidente armou e treinou os assassinos

Se os irmãos Kouachi são verdadeiramente os assassinos dos 12 jornalistas e chargistas do Charlie Hebdo, conforme os informes da mídia ocidental, somos obrigados a responsabilizar primeiramente o governo francês pelo massacre ao semanário, pois, segundo o jornal ianque USA Today, publicado no dia seguinte ao crime, os dois irmãos assassinos lutaram na Síria para derrubar o governo nacionalista e laico do Ba’ath do presidente Bashar al-Assad, um aliado do Irã, da Rússia e da China.

Os dois supostos assassinos foram, até 2012, integrantes dos grupos “rebeldes armados”, um eufemismo ocidental para denominar os terroristas mercenários wahhabitas (membros da seita extremista herética do Islã, disseminada mundial e oficialmente pelo reino da Arábia Saudita), armados, treinados e contratados pelos EUA e vassalos regionais (especialmente pela Turquia, Israel e Arábia Saudita). Os mercenários eram recrutados primeiramente para lutarem no Exército da Síria Livre (ESL) e na Frente al-Nusra (a ala síria da al-Qaeda), e, a partir de 2014, no Daesh(o “Estado Islâmico do Iraque e do Levante”), com o objetivo explícito de derrubarem o governo nacionalista sírio e o implícito de destruir o país árabe berço do cristianismo, para abrir caminho a um ataque ao Irã no futuro.

Não é segredo para ninguém que a França tem uma participação privilegiada na geoestratégia ianque de desestabilização do Oriente Médio. Os franceses deram início à desestabilização da Síria, em 2004, por meio do envio da resolução 1559 à votação na ONU, que exigia a retirada das tropas sírias estacionadas no Líbano desde 1976. Pelo fato de Bashar al-Assad ter se recusado, ao contrário do que fizera seu pai Hafez em 1990, a participar da coalizão liderada pelos EUA para o segundo ataque/invasão do Iraque, em 2003, a Síria foi colocada na lista do “eixo do mal” (ao lado do Irã e Coreia do Norte) pelo governo de George W. Bush. Como a França se recusou a participar da segunda invasão do Iraque, Jacques Chirac elaborou a tal resolução que desestabilizava as relações sírio-libanesas, visando se reaproximar da Casa Branca.

Entretanto, as tropas sírias que ocupavam o Líbano desde 1976, durante a Guerra Civil (1975-90), já estavam sendo retiradas lentamente desde a posse de Bashar al-Assad, em 2000, enquanto que o exército israelense permanecia ocupando um pequeno território libanês, as Fazendas de Shebaa. Quando, finalmente, as tropas sírias saíram do Líbano, sob pressão, sobretudo, da França e dos EUA, Israel promoveu a quinta grande invasão do Líbano, no verão de 2006, que exterminou mais de 1.200 árabes (libaneses e palestinos). A invasão israelense deveria alastrar a guerra para a Síria, para romper a aliança entre sírios, iranianos e o grupo xiita Hizbollah, mas seria neutralizada pela resistência árabe armada liderada pelo grupo libanês xiita, que expulsou os israelenses do Líbano.

Quando o grosso das tropas ianques foi retirado do Iraque, em 2010, sendo a maioria deslocada para o Afeganistão, França e EUA retomaram a geoestratégia de desestabilização da Síria, em março de 2011, na onda da “Primavera Árabe”. Recrutaram secretamente terroristaswahhabitas, os “rebeldes”, para derrubar o governo de Bashar al-Assad e destruir a Síria, numa geoestratégia semelhante à adotada no Afeganistão (1978), em Nicarágua (1980) e menor escala no Iraque (1991, 2003).

Com as repetidas vitórias do governo sírio sobre os terroristas, no verão de 2013, os EUA repetiram o roteiro adotado no Iraque, em 1988 (sobre o suposto ataque das tropas iraquianas à aldeia iraquiana-curda de Halabja, na verdade, realizado acidentalmente por tropas iranianas), com apoio da mídia ocidental, e fizeram parecer um ataque químico a um bairro de Damasco como de autoria do governo sírio. Desta vez, com a internet, a mentira que foi bem-sucedida com Saddam Hussein foi facilmente refutada no caso sírio.

A contínua repartição territorial da África e da Ásia

No entanto, presidente ianque Obama não pode recuar nem na acusação e nem na ameaça de ataque à Síria, que supostamente teria ultrapassado a “linha vermelha” estabelecida por Washington D.C. Sem provas concretas de que Assad ordenou o ataque químico, a Inglaterra se negou a participar da guerra dos EUA à Síria, somente a França foi o único país a apoiar a declaração de guerra de Obama aos sírios, que poderia ter aberto o caminho para uma Terceira Guerra Mundial, uma vez que Rússia, Irã e China já deslocavam tropas para as proximidades da Síria, caso o presidente russo Vladimir Putin não interviesse diplomaticamente, evitando o muito pior. Hoje o governo sírio controla apenas 40% de seu território e continua enfrentando a invasão mercenária wahhabita, patrocinada pelos EUA e França.

No último trimestre de 2014, enquanto Barak Obama fazia o Congresso dos EUA aprovar lei autorizando o envio de US$ 500 milhões para os “rebeldes sírios”, o presidente francês declarava que a França estava enviando mais armas aos “rebeldes” na Síria, isto é, estava armando os terroristas, entre os quais os irmãos Kouachi, que retornaram à França para atacar o semanárioCharlie Hebdo. Uma grande parte dos mercenários wahhabitas patrocinados pelo Ocidente que ataca a Síria, o Iraque e a Líbia é de origem europeia e sequer tem descendência árabe ou africana. As potências ocidentais temem o retorno destes terroristas aos seus países de origem, se as guerras no Oriente Médio e no norte da África terminarem.

O ativismo militar francês contra os países muçulmanos, do qual a islamofobia alimentada peloCharlie Hebdo e pela direita francesa serve como combustível, não se restringe à Síria e nem ao Iraque. A França liderou, ao lado da Inglaterra, as forças da OTAN que atacaram e destruíram a Líbia, em 2011, sob ordens dos EUA, durante a chamada “Primavera Árabe”. Mais de 150 mil líbios foram exterminados em 8 meses, “apenas” durante os bombardeios de saturação, que expulsaram mais de 2 milhões de líbios e imigrantes africanos subsaarianos, num país cuja população mal alcançava a cifra de 6 milhões de pessoas.

Com a destruição da Líbia, pela OTAN, em ação conjunta com os ataques dos mercenárioswahhabitas, não foi surpresa a desestabilização da África Central e Ocidental, abrindo caminho para o surgimento e alastramento de mais grupos armados wahhabitas (denominados pelas mídias ocidentais de “terroristas islâmicos” ou “jihadistas”), em países como Nigéria, Níger, Mali, Chade, Costa do Marfim e a República Centro-africana (RCA), dos quais se destaca o Boko Haram, atuante no norte da Nigéria. Na RCA, as tropas francesas armam milícias “cristãs” contra as comunidades muçulmanas do país.

A vassalagem francesa

O surgimento destes grupos de extremistas wahhabitas, patrocinados direta ou indiretamente pelos EUA e seus vassalos locais, regionais e internacionais, servem de justificativa para as intervenções armadas do Ocidente na África Central, sob o (falso) pretexto de combatê-las. A França tem desempenhado este lamentável papel, sob ordens dos EUA, desde o final da década de 2000, quando assumiu responsabilidades pelo genocídio de Ruanda, quando, na verdade, as tropas mercenárias de Paul Kagame, patrocinadas pelos EUA, foram as principais responsáveis pelo genocídio.

A Guerra de Ruanda (1990-94) é considerada pelos geoestrategistas como a guerra dos EUA para expulsar a França da África Central e da região dos Grandes Lagos. Uma vez reestabelecida a vassalagem de Paris a Washington D.C., em 2007, os franceses passaram a ter sinal verde para atuar em sua antiga área de influência, cuja população muçulmana é expressiva, com o objetivo de expulsar a presença chinesa da África. Na Ásia, um outro país de maioria muçulmana também mantido sob ataque francês foi o Afeganistão, invadido pelos EUA, Irã, França e OTAN em outubro de 2001, como resposta aos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.

Assim sendo, testemunhamos a ambiguidade francesa, que ao mesmo tempo em que estimula internamente o ódio aos imigrantes (africanos e asiáticos), a islamofobia, o racismo, enfim, favorece e patrocina o terrorismo wahhabita nos países que ataca na Ásia e na África. Não podemos deixar de apontar, portanto, o governo francês como co-autor do atentado ao Charlie Hebdo, ao armar, treinar e financiar estes extremistas no Oriente Médio e na África. Lembrem-nos que os supostos terroristas que assassinaram os chargistas foram executados pela polícia.

Por este motivo, podemos enquadrar as charges racistas do jornal Charlie Hebdo e os ataques terroristas ao jornal e ao mercado kosher, em Paris, na segunda semana de janeiro de 2015, como mais um caso de “choque de civilizações”. O termo inicialmente criado pelo historiador britânico Bernard Lewis, que foi alto funcionário do Departamento de Estado dos EUA, no final da década de 1970, no célebre artigo “As raízes do ódio muçulmano” na revista neoconservadora The Atlantic, em 1990, foi adotado pelo politólogo ianque Samuel Huntington, no célebre artigo homônimo publicado na revista Foreign Affairs, em 1993. O artigo se desdobraria num livro também homônimo publicado em 1997. No artigo e no livro, Huntington afirma que a cultura, e não mais a “razão de Estado” e a economia, seria a causa última dos novos conflitos que surgiriam no mundo após o fim da União Soviética e da Guerra Fria. Por isto, as guerras não seriam mais entre Estados, mas entre culturas cuja expressão máxima é a “civilização”. A base de cada civilização, de cada cultura, é a religião.

Na verdade, o livro Choque de Civilizações de Huntington é também um livro de geoestratégia que preconiza a necessidade de o Ocidente impedir a aliança do mundo muçulmano (a “civilização islâmica”, como diz o politólogo) com a China, pois caso esta aliança ocorra, os EUA perderão o controle sobre a Eurásia, a area-pivot do poder mundial. Trata-se, portanto, de uma “receita” para o imperialismo anglo-saxão manter e aprofundar sua hegemonia mundial.

Por este motivo, as charges ofensivas às religiões cristã e islâmica do semanário francês e o atentado terrorista ao jornal são instrumentos perfeitos da estratégia de “choque de civilizações”, pois demonstram aos povos dos países membros da OTAN que o enfrentamento do Ocidente contra o mundo muçulmano é inevitável.

Por este motivo, a eterna Guerra ao Terror, iniciada ainda no governo Ronald Reagan e inflada a partir do 11 de Setembro pelo ditador (ao estilo romano) George W. Bush, não é direcionada ao extremismo wahhabita – financiado pela Inglaterra desde 1811 para enfraquecer o então Império Otomano –, mas, sim, contra a Rússia e China, que já é, desde 2014, a maior economia do planeta, visando a hegemonia mundial absoluta.

O ataque “terrorista islâmico” ao Charlie Hebdo surge num momento oportuno para os EUA, Inglaterra e Israel, os verdadeiros fomentadores da geoestratégia do “choque de civilizações” (terá sido uma mera coincidência?). De um lado, governo francês estava reconhecendo que as sanções contra a Rússia deveriam terminar, por outro, o parlamento francês estava prestes a reconhecer a Palestina como Estado soberano, acompanhando a decisão de vários países europeus.

Estas ações independentes do governo francês devem ser revertidas em decorrência do lamentável episódio, enquadrando a França aos ditames de Washington D.C. (algo não muito diferente da Guerra de Ruanda, nos anos 1990, o reingresso da França na OTAN, em 2007, e a prisão do francês Domenic Strauss-Kahn, então diretor-geral do FMI, pelos EUA, em 2011). Com os EUA e sua casta racial de proprietários, não há aliança, há vassalagem. Todos os países que tentaram se aproximar, de forma soberana, com os EUA sofreram e sofrem duras represálias: Iugoslávia, Iraque, Irã, Síria, Líbia talvez sejam os casos mais notórios, para não falarmos da Rússia e da China.

Uma farsa?

Os atentados exacerbaram a islamofobia, que já estava em ascensão desde o início da crise econômica europeia em 2008. O ódio aos muçulmanos está nas praças públicas no velho e degradado continente, seja através de manifestações ou mesmo de agressões físicas, alimentando e sendo alimentado pelos partidos da chamada “extrema-direita”, nem todos muito simpáticos à hegemonia anglo-saxã-sionista-liberal sobre a União Europeia (UE), como é o caso da Frente Nacional na França, liderado pelo clã Le Pen. Sendo assim, estes grupos extremistas de direita são, no presente momento, os maiores beneficiados politicamente no curto prazo. Tendo o Partido Socialista francês adotado uma agenda ultra-liberal, e, portanto, de extrema-direita, a popularidade do presidente francês Hollande subiu significativamente, uma vez que ele era até então um dos mais impopulares lideres franceses.

Há claros e evidentes sinais de que o ataque ao semanário francês seja mais uma página da guerra dos EUA contra Rússia e China, mesmo sem levar em consideração as evidências cada vez maiores – e censuradas pela mídia ocidental, serva dos interesses da OTAN –, de que o atentado foi uma operação “false flag” (encoberta) dos serviços de inteligência ocidentais (inclusive israelense), como afirma o ex-secretário do Tesouro dos EUA Paul Craig Roberts. Quem desqualifica a priori estas hipóteses de “inside job” e “false flag” deveria estudar com mais profundidade as Histórias da Operação Condor na América Latina e da similar europeia, Operação Gládio, censuradas convenientemente em nossas universidades.

Se os franceses e todos aqueles que realmente quiserem a justiça às vítimas fatais do Charlie Hebdo, em nome do lema revolucionário francês (“liberdade, igualdade e fraternidade”), não devem apenas culpar os dois irmãos Kouachi (se é que foram os verdadeiros assassinos dos jornalistas), convenientemente assassinados pela polícia antes de serem levados aos tribunais, mas, devem, sobretudo, acusar sem hesitações o governo francês e os demais membros da OTAN, liderada pelos EUA, pelo multissecular apoio financeiro e militar a todas as formas de extremismo religioso e político em todo mundo e à destruição de nações e Estados, que se acentuou nos últimos 25 anos.

São os líderes ocidentais, especialmente os chefes-de-Estado dos EUA, que deveriam ser presos e julgados pelos maiores crimes contra a Humanidade no último quartel de século. São os verdadeiros e certamente os únicos terroristas em atividade no mundo.


Ramez Philippe Maalouf é mestre e doutorando em Geografia Humana pela USP.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Como a ciência moderna endossa a sabedoria milenar da Índia


Fonte: http://www.brasilpost.com.br/2015/01/10/ciencia-moderna-sabedoria_n_6449952.html?utm_hp_ref=mostpopular




INDIA YOGA




A adesão do Ocidente à filosofia e ao misticismo orientais tem uma história longa, abrangendo os escritos de Henry David Thoreau, “o primeiro iogue americano”, a famosa peregrinação que os Beatles fizeram à Índia em 1968 e o interesse científico atual por práticas contemplativas antigas como a meditação e a ioga.

A disseminação de ideias e práticas indianas moldou a visão da espiritualidade que temos no Ocidente. Mas as ideias indianas milenares também exercem influência em áreas mais improváveis: ciência, medicina e psicoterapia modernas.

À medida que cresce o interesse científico pela experiência interior do indivíduo, parece que estamos assistindo a um encontro de mentes entre a ciência ocidental e a espiritualidade oriental. A Scientific American destacou a meditação na capa de sua edição de novembro, e o Dalai Lama colabora com neurocientistas no estudo das dimensões da consciência.

De muitas maneiras, a ciência moderna está apenas agora alcançando a sabedoria dos ensinamentos indianos antigos, baseados nos textos védicos da antiguidade e ainda presentes em toda parte na cultura do subcontinente indiano. Hoje, muitos conceitos da filosofia védica antiga são confirmados por evidências empíricas. Como disse o Nobel de Literatura francês Romain Rolland, “no caso dos hindus, nunca se deixou que a fé religiosa contrariasse as leis científicas”.

Uma cooperação mais estreita entre cientistas ocidentais e tradições contemplativas orientais como o budismo (que também tem suas origens nos Vedas) pode “contribuir verdadeiramente para a ampliação do entendimento humano sobre o complexo mundo de experiência interior subjetiva ao qual chamamos a mente”, disse o Dalai Lama em 2005.

Citamos cinco áreas de sabedoria indiana antiga hoje confirmadas pela ciência moderna.


A ioga pode curar a mente e o corpo

pranayama

A ioga, prática indiana milenar que envolve a mente e o corpo, virou uma atividade que movimenta US$ 27 bilhões nos Estados Unidos. Embora a ioga ocidental guarde semelhança apenas parcial com a prática meditativa e escola filosófica indiana tradicional, ela pode ser considerada a prática espiritual oriental mais influente e amplamente difundida que se disseminou fora do subcontinente indiano. No Ocidente tendemos a usar o termo “ioga” para descrever apenas as posturas físicas, ou ássanas. Tradicionalmente, porém, o aspecto físico da ioga é apenas uma parte pequena da prática, algo que visava preparar o corpo para longos períodos de meditação.

Criado com o objetivo de acalmar a mente e buscar a união com o divino, acredita-se que a ioga (que significa “unidade” em sânscrito) promove a saúde do corpo, da mente e do espírito.

“A saúde é um estado de harmonia completa de corpo, mente e espírito”, disse o famoso mestre iogue indiano B.K.S. Iyengar. “Quando nos libertamos das incapacidades físicas e distrações mentais, as portas de alma se abrem.”

As evidências dos benefícios espirituais da ioga ainda são quase todas empíricas, mas um grupo crescente de pesquisas liga a prática das ássanas da ioga a uma série de efeitos para a saúde física e mental. Descobriu-se que a ioga reduz os sintomas de depressão e ansiedade, alivia a dor crônica das costas, reduz os níveis de estresse, fortalece a função cerebral e melhora a saúde cardíaca.

Hoje os cientistas sabem o porquê. Quase imediatamente depois de ser iniciada sua prática, o impacto positivo da ioga se estende até o nível celular, afetando a expressão dos genes nos leucócitos, segundo um estudo norueguês de 2013. As mudanças benéficas podem resultar em imunidade maior e redução de inflamações.

“Ocorrem mudanças rápidas (em até duas horas após o início da prática) e importantes na expressão genética ... durante um programa abrangente de ioga”, escreveram os pesquisadores no estudo. “Os dados sugerem que os efeitos anteriormente relatados da prática da ioga possuem um componente fisiológico integral ao nível molecular que é iniciado imediatamente durante a prática e pode formar a base para efeitos estáveis de longo prazo.”


A respiração afeta nosso bem-estar e saúde

breathing

De acordo com um manual de ioga do século 15, o Hatha Yoga Pradipika, temos que aprender a controlar a respiração para alcançar saúde, longevidade e paz de espírito. A prática da respiração iogue conhecida como pranayama – que significa “extensão da força vital”, em sânscrito – é usada há séculos para curar corpo e mente.

“Quando a respiração se desvia, a mente também fica inconstante”, diz o Pradipika. “Mas quando a respiração se acalma, a mente também o faz, e o iogue alcança vida longa.”

O modo como respiramos pode ter impacto grande sobre nosso bem-estar e nível de estresse e pode até gerar mudanças físicas no corpo, como a redução da pressão sanguínea. A prática da respiração controlada na meditação pode aumentar o tamanho do cérebro, aumentando a espessura cortical, segundo um estudo de Harvard de 2005. Entre músicos, 30 minutos de respiração profunda podem reduzir a ansiedade antes de apresentar-se em público, e estudantes de terceira série que praticam respiração profunda antes de um exame sentem menos ansiedade e insegurança e se concentram melhor. A prática da respiração profunda pode reduzir a pressão sanguínea, segundo o Dr. David Anderson, dos Institutos Nacionais de Saúde.
“Geralmente não pensamos na nossa respiração, assim como não pensamos em nossas batidas cardíacas”, disse ao Huffington Post no ano passado uma especialista em respiração do Instituto de Ioga Integral, Carla Ardito. “A diferença com a respiração é que podemos treiná-la.”


A cúrcuma realmente é uma cura milagrosa

turmeric

Boa parte do aroma delicioso da cozinha indiana tradicional e de sua cor amarela vibrante vem da cúrcuma, um condimento saboroso e poderoso agente anti-inflamatório. O uso da cúrcuma na tradição védica vem de pelo menos 4.000 anos atrás. Historicamente, a cúrcuma não era usada apenas como tempero – também exercia um papel nas cerimônias religiosas e era empregada medicinalmente dentro da tradição de saúde holística ayurveda (“ciência da vida”).

A ciência nutricional moderna confirma que a cúrcuma de fato possui propriedades curativas poderosas. Testes clínicos descobriram que ela combate a indigestão e azia, reduz o risco de ataque cardíaco, repara células-tronco cerebrais e possivelmente até combate células cancerígenas. 

A cúrcuma pode ser especialmente benéfica para uma população mais idosa. De acordo com pesquisas recentes, o acréscimo de um grama de cúrcuma ao desjejum pode ajudar a melhorar a memória das pessoas com risco de debilidade cognitiva.


A meditação realmente conduz a uma espécie de iluminação

meditation

Segundo os textos iogues antigos, anos (ou vidas) de prática da meditação podem acabar levando à iluminação, ou união com o divino. Quando as flutuações da mente são completamente acalmadas, ficamos livres para vivenciar o Eu verdadeiro – a alma divina.

É claro que seria difícil provar se a meditação é ou não um caminho para se chegar diretamente a Deus. Mas a ciência moderna mostrou que a meditação regular pode iluminar a mente de várias maneiras.

Quando a mente se aquieta com a prática da meditação, ocorrem modificações reais no cérebro; já foi demonstrado que a prática da “mindfulness” (atenção consciente) eleva a neuroplasticidade e até reconstrói fisicamente a massa cinzenta cerebral. A prática de meditação por oito semanas encolhe a amígdala cerebelosa – o centro cerebral da reação de lutar ou fugir – e espessa o córtex pré-frontal, uma área associada à consciência, concentração e tomada de decisões.

Isso pode exercer efeitos físicos e psicológicos poderosos. A atenção consciente reduz o estresse ao diminuir os níveis do cortisol, o hormônio do estresse, no corpo. A meditação também é uma maneira poderosa de combater problemas de saúde mental: foi constatado recentemente que um treino de meditação em grupo foi tão eficaz quanto várias sessões tradicionais de terapia comportamental cognitiva para reduzir os sintomas de ansiedade e depressão.

Façanhas mentais incríveis foram documentadas entre meditadores altamente experientes. Um estudo constatou que anos de meditação podem gerar mudanças nas redes neurais cerebrais que rompem a barreira perceptiva e psicológica entre o eu e o outro, levando o meditador a experimentar um sentimento de harmonia total entre ele e o mundo em volta. Normalmente o cérebro alterna entre a rede extrínseca (usada quando focalizamos coisas fora de nós mesmos) e a rede intrínseca, que envolve a autorreflexão, a emoção e o pensamento autorreferencial. Essas redes raramente atuam juntas. Mas estudos de imageamento cerebral revelaram que alguns monges e meditadores experientes conseguem manter as duas redes ativas ao mesmo tempo quando meditam, possibilitando um senso real de unidade.

O monge budista francês Matthieu Ricard comentou: “Meditar não é simplesmente ficar sentado debaixo de uma mangueira, sentindo êxtase. É algo que muda seu cérebro completamente, e assim, muda o que você é.”


É possível que tudo realmente esteja interligado

spirituality

Podemos pensar na física e na espiritualidade como sendo coisas que se opõem por completo, mas recentemente algumas pesquisas de física teórica e quântica vêm embasando cientificamente os princípios básicos do misticismo oriental. O físico e escritor austríaco Fritjof Capra escreve: “A física nos conduz hoje a uma visão de mundo que é essencialmente mística”.

Uma explicação resumida: segundo a metafísica oriental, tudo no universo está interligado e a consciência permeia toda a matéria. Já na ciência ocidental, a visão mais comum sugere que a consciência só ocorre nos humanos como subproduto de mudanças físicas no cérebro. Mas algumas pesquisas de física quântica hoje embasam a visão oriental de que os estados mentais talvez não dependam exclusivamente dos estados materiais; logo, que a consciência pode existir separadamente de qualquer espécie de modificações que ocorram no cérebro físico. Em outras palavras, pode haver conexões não locais entre fenômenos físicos e mentais – até mesmo matéria que pareça estar separada pode ser interligada, de alguma maneira.

“A teoria quântica... revela uma unidade básica do universo”, escreve Capra em O Tao da Física. “Ela mostra que não podemos decompor o mundo nas unidades menores que existem independentemente. À medida que penetramos na matéria, a natureza não nos mostra quaisquer ‘blocos básicos’ isolados, mas, em vez disso, se mostra como uma teia complexa de relações entre as várias partes do todo. Essas relações sempre incluem o observador de maneira essencial. O observador humano constitui o elo final na cadeia de processos observacionais, e as propriedades de qualquer objeto atômico só podem ser entendidas em termos da interação do objeto com o observador.”

Também o eminente físico teórico David Bohm chegou à conclusão de que existe uma unidade subjacente dos elementos que, em nossa percepção limitada, aparentam ser separados.

“A mente e a matéria não são substâncias separadas”, ele escreveu em The Undivided Universe. “São aspectos diferentes de nosso movimento inteiro e ininterrupto.”

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

domingo, 28 de setembro de 2014

Urna eletrônica pode ser fraudada? Especialistas explicam

Bruna Borges
Do UOL, em Brasília
29/08/2014

A urna eletrônica usada no Brasil não é totalmente confiável, está sujeita a fraudes internas e externas e não permite auditoria, segundo especialistas ouvidos pelo UOL. Isso significa que seu voto pode ir a outro candidato e não necessariamente o crime será descoberto.
No último teste público do equipamento promovido pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), em 2012, uma equipe de especialistas em computação da UnB (Universidade de Brasília) descobriu uma lacuna no sistema de segurança. O tribunal não permitiu novos exames públicos e não respondeu por que não realizou mais avaliações. 
"Atualmente votamos com confiança incondicional na autoridade eleitoral e seus processos, algo que não faz qualquer sentido do ponto de vista de segurança", afirmou Diego Aranha, professor de computação da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e da UnB, que liderou o grupo de especialistas em segurança e tecnologia da informação que encontrou a brecha na urna.
O grupo conseguiu quebrar o sigilo da urna e desembaralhar a ordem dos votos fictícios registrados  no equipamento. "Em um sistema com registro puramente eletrônico dos votos, como o brasileiro, há o perigo constante de fraude em larga escala via software e sem possibilidade de detecção. Uma fraude sofisticada pode inclusive eliminar os próprios rastros, tornando-se indetectável até em uma auditoria posterior nas memórias internas dos equipamentos", explicou Aranha.
Para o professor Pedro Rezende, do Departamento de Ciência da Computação da UnB, a votação no Brasil continua podendo ser fraudada mesmo depois de ser informatizada. "Não há sistema informatizado invulnerável. Qualquer interessado em fraudar um complexo sistema informatizado buscará o caminho que lhe ofereça melhor relação entre o esforço ou dificuldade de execução, e o risco de ter o efeito da fraude desvelado e anulado ou a sua autoria rastreada e punida."
Principais problemas da urna eletrônica, segundo especialistas

·         Possibilidade de fraudes externas
Fraudes externas, no software da urna, são difíceis de achar. Um grupo conseguiu quebrar o sigilo da urna em um teste em 2012 e desembaralhar a ordem dos votos fictícios registrados. "Há o perigo constante de fraude em larga escala via software e sem possibilidade de detecção. Uma fraude sofisticada pode inclusive eliminar os próprios rastros, tornando-se indetectável", explica Diego Aranha

·         Possibilidade de fraudes internas
Há chances de ataques internos. Segundo Amílcar Brunazo Filho, supervisor do Fórum do Voto Eletrônico, a urna brasileira é vulnerável a ataques internos, os efetuados por quem atua nas eleições como mesários e funcionários do TSE. "Alguns dos ataques dá para detectar, outras fraudes não dá se for via software. E a sociedade não consegue garantias de que o sistema foi fraudado"

·         Não há garantia (voto impresso)
O sistema utilizado pela urna brasileira conta os votos apenas eletronicamente, mas não permite a verificação ou a recontagem independente de software
Fonte: Especialistas ouvidos pelo UOL

Questionado sobre a segurança da urna brasileira, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) tergiversou. "A confiabilidade não é determinada pela razão, mas pela percepção que uma ou mais pessoas têm sobre algo (equipamento, processo, governo, cliente, fornecedor, etc). No entanto, a segurança deve ser garantida por barreiras impostas tendo como base a realidade e não em aspectos subjetivos da percepção", afirmou Giuseppe Janino, secretário de Tecnologia de Informação do tribunal.
O TSE também afirmou que tem buscado bloquear possíveis ataques, mas reconhece que "tais barreiras nem sempre 'garantidamente' impedem uma fraude". Segundo Janino, o fraudador "com grande margem de certeza" deixa marcas que permitem sua identificação. O secretário, no entanto, não explicou que meios utiliza para manter a segurança dos dados nas eleições e fiscalizar supostas sabotagens nas urnas. Também não informou o percentual do que chama de "margem de certeza".

Críticas e modelos de urnas

Uma das recomendações dos membros do Fórum do Voto Eletrônico é a introdução do voto impresso complementar para que o eleitor possa conferir se seu voto foi registrado corretamente na urna para permitir a auditoria independente da apuração do TSE. A iniciativa ocorre na Argentina, Israel, Estados Unidos, Equador, Bélgica, Canadá e Peru, de acordo com os especialistas.
A Justiça Eleitoral brasileira implantou a urna eletrônica em 1996 e utiliza desde então um modelo de equipamento que os especialistas em segurança da informação chamam de sistema de 1ª geração, que é exclusivamente eletrônico. Já foram criadas as de 2ª e 3ª geração, que incluem uma versão impressa auxiliar ao meio eletrônico.
O equipamento usado no Brasil é do modelo DRE (Direct Record Electronic) foi criado em 1991. Ele conta votos eletronicamente, mas não permite a verificação ou a recontagem independente de software. Isso quer dizer que se a votação ou a apuração for violada dificilmente será identificada e sua auditoria não é possível, apontam especialistas.
Há também equipamentos de 2ª geração como o modelo VVPT (Voter-Verifiable Paper Audit Trail) criado em 2000. Esse sistema exige um registro impresso do voto digital para que seja possível uma auditoria independente do software da máquina. "Alguns tipos de urna requerem o registro material [de papel] na entrada da coleta eletrônica, onde uma cédula é escaneada, enquanto outros geram o registro material como saída, imprimindo uma cédula correspondente ao voto digital coletado", explicou Rezende. Segundo o professor da UnB, esse modelo é passível de sabotagem também porque se houver discrepância entre a contagem eletrônica, automática, e a física, com o papel do voto, a auditoria não consegue  descobrir qual delas foi violada.
Os especialistas destacam o modelo E2E (End-to-End auditability) que é de 3ª geração como o mais transparente. Essas máquinas começaram a ser usadas em 2006 na Argentina e em regiões dos Estados Unidos. O modelo concentra as duas versões de voto, a impressa e a digital. O voto é eletrônico, mas gera um papel com voto e um chip com o registro do voto eletrônico. Assim, caso haja alguma discrepância entre uma contagem eletrônica e do voto impresso, é possível identificar a origem do erro ou da fraude.
"Votação puramente eletrônica e votação puramente em papel são sistemas vulneráveis a vários ataques. Combinar as duas tecnologias exige que o fraudador seja capaz de manipular não apenas as cédulas eleitorais, mas também a contagem eletrônica de votos, para que ambos os registros sejam compatíveis, o que termina por aumentar o custo de ataque substancialmente", afirmou Aranha. "A imensa maioria das máquinas de votar em operação em outros países obedecem a esses princípios, para que os resultados não dependam unicamente do software de votação. Em sistemas com registro físico dos votos, tentativas de manipular o resultado se tornam visíveis, e, portanto passíveis de detecção por eleitores ou fiscais de partido."
Os especialistas consultados pelo UOL explicam que a fraude no sistema exclusivamente eletrônico é difícil de ser identificada porque não há outra maneira de contagem de votos que identificaria um erro ou sabotagem. Se o voto eletrônico fosse combinado com o impresso seriam duas contagens que precisariam ser correspondentes e uma funcionaria como auditoria da outra. Em caso de fraude, ficaria muito mais difícil ao responsável pela sabotagem corromper os dois meios de votação, impresso e eletrônico.
"Uma solução interessante é adotada na Argentina: cada cédula de votação carrega o registro impresso (para verificação pelo eleitor) e eletrônico (para apuração rápida) de um voto individual", defendeu Aranha.
Casos suspeitos de fraude

        
Saquarema (RJ)
Um hacker identificado apenas como Rangel afirmou que conseguiu violar a urna durante as eleições de 2012 e mudar os votos antes da transmissão para a TSE por meio de um acesso da intranet do tribunal. Ele capturava o voto, alterava os resultados e retransmitia. Segundo ele, havia um leilão na internet para que hackers efetuassem o trabalho. O caso é investigado pela Polícia Federal.

Caxias (MA)
Uma urna de uma seção da periferia de Caxias (MA) apresentou problemas, segundo relatos de eleitores em 2012. Um dos indícios é que um dos candidatos que votava na seção da urna não teve nenhum voto computado, nem o dele mesmo. Outros eleitores alegaram que quando digitavam o número do candidato não aparecia a foto dele. O caso foi investigado pela Justiça Eleitoral.Foto: Arte/UOL

·         Alagoas
Durante as eleições para governador de 2006 um terço das urnas eletrônicas utilizadas em Alagoas apresentou funcionamento irregular e impróprio, revelou o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica). O caso foi investigado pela Justiça Eleitoral que após quase quatro anos arquivou o processo.


Concentração de poder da Justiça Eleitoral

No Brasil, o TSE organiza e julga o processo eleitoral e isso comprometeria a isenção do órgão, segundo os especialistas. Eles defendem que seja criada uma entidade independente para organizar as eleições e que o TSE fique cuide exclusivamente dos processos judiciários das eleições como julgamento de registros, impugnações, recursos, entre outros.
Para Amílcar Brunazo Filho, o principal problema do sistema de votação no país é a concentração de poder da Justiça Eleitoral. É o que os especialistas chamam de "autoridade eleitoral".  "O TSE são juízes e administradores. A regra de transparência é estabelecida por eles. Se você questiona, eles vestem a roupa de juiz e vão julgar se erraram?", questiona.
"Até onde sei, dentre as democracias atuais, só no Brasil as votações oficiais são regulamentadas, executadas e julgadas por uma mesma instituição. Mais precisamente, por um ramo atípico do judiciário cuja cúpula congrega metade dos juízes da Corte Suprema, os quais não se constrangem em alardear, até em sentenças, a falaciosa suposta invulnerabilidade do sistema de votação que eles controlam", declarou Rezende.
Questionado a respeito da concentração de poder, o TSE não se posicionou sobre a crítica feita pelos especialistas nem respondeu sobre a possibilidade de ser criado um órgão independente para administrar as eleições.
A resposta da seção jurídica do TSE sobre esta questão foi: "a Constituição de 1988 não dispõe sobre a competência da Justiça Eleitoral, limitando-se a dizer que ela será definida em lei complementar (art. 121, caput), porém tal lei complementar ainda não foi editada, acordando os doutrinadores que se consideram as disposições do Código Eleitoral."
Aranha e um grupo de especialistas em computação desenvolveram um aplicativo para que o próprio eleitor atue como auditor da apuração eleitoral, o "Você Fiscal". A ideia é auditar o processo final da votação, a chamada totalização, que envolve a soma dos resultados parciais produzidos por urnas eletrônicas em todo o país.
Para utilizar o aplicativo, o eleitor deverá tirar fotos do BU (boletim de urna) que é disponibilizado na seção eleitoral ao final da votação. Esse boletim é uma espécie de recibo emitido pelas urnas eletrônicas dos votos de cada candidato. As fotos do boletim são comparadas pelo aplicativo, que também relaciona a informação extraída dessas fotos com os boletins eletrônicos publicados pelo TSE alguns dias após o resultado da eleição.
"Desta forma, ficam evidentes possíveis erros ou fraudes na transmissão dos BUs para os servidores do TSE. A fiscalização será efetuada nas eleições ainda deste ano e a previsão é de que o aplicativo fique pronto entre 15 e 20 de setembro", explicou o professor.


quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Quem causou a crise na USP

Nota: sou funcionário concursado da USP há 1 ano e 4 meses e sou a favor da greve (apesar de estar trabalhando normamente). A discussão na grande mídia é superficial e parcial. Os reais motivos da situação ter chegado ao ponto que chegou estão listados abaixo.

Luiz.

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Texto escrito por João Sette Whitaker, professor da USP



1. Resumindo os Fatos:

Entre 2010 e 2013, a USP parecia viver momentos de euforia. Além da presença já tradicional da universidade no topo da produção científica nacional, um Reitor escolhido a dedo pelo Governador José Serra (afinal, era o segundo colocado da lista tríplice), o Prof. João Grandino Rodas, punha em prática uma gestão que mesclava (propositalmente?) irresponsabilidade financeira, certo autoritarismo (na relação com o Conselho Universitário), e doses de populismo, gastava o que devia e o que não devia em obras de grande visibilidade, bolsas de todos os tipos, vistosas “embaixadas” da universidade em Cingapura, Londres e Boston, e alguns merecidos benefícios a docentes e funcionários, cujo patamar salarial sempre foi muito aquém do que deveria ser (conseguindo assim acalmar os ânimos grevistas em sua gestão).
Terminado seu mandato, o novo Reitor (que fazia parte da gestão anterior), depara-se com o óbvio: a gestão Rodas havia gasto muito além da conta, entrando sem parcimônia nas reservas financeiras da USP e colocando em risco (propositalmente?) sua tão sagrada autonomia face ao Governo do Estado. Nada mais previsível. Porém, a estrutura de poder da universidade é hoje tão viciada que o então reitor pôde fazer tudo isso, pasmem, dentro da legalidade, amparando-se na condescendência de seu Conselho Universitário.
Diante da grave crise, o atual Reitor voltou-se contra seu próprio lado. Esquecendo-se de que é ele mesmo professor (fazendo parte de reduzidíssima elite com salários bem graúdos), em vez de abrir as opacas contas da universidade para amplo conhecimento da sociedade e uma real apreensão do que havia sido feito, preferiu colocar a culpa na folha de pagamento e na massa salarial que compromete 105% do orçamento e “engessa” a universidade. Em suma, para o Reitor, são os professores e funcionários da USP que geram a crise, e não a sequência de gestões irresponsáveis.
Com isso, provoca dois movimentos que parecem bem planejados: por um lado, alimenta uma campanha perversa e simplista da grande mídia contra os “marajás” da USP, supostamente responsáveis pelo colapso financeiro, como sugere, por exemplo, artigo do jornalista Élio Gaspari atacando os “doutores da USP” (leia aqui). Por outro lado, abre espaço para um movimento de enfraquecimento da USP e da universidade pública, que passa a ser vista, também de maneira simplista e perversamente equivocada, como uma máquina anacrônica e deficitária que necessita de um “choque de privatização”. Vão nesse sentido as propostas diversas de privatização da USP, como as avançadas pelo próprio Reitor em artigos na mídia (sugerindo por exemplo a redução de docentes em dedicação exclusiva), ou o tragicômico artigo da Folha de SP sugerindo que os alunos da USP poderiam pagar “pequenas” mensalidades de quase 4 mil Reais!
Que não se enganem os incautos a quem essas campanhas se destinam. São argumentações grosseiras que escondem a realidade. Que Élio Gaspari não se preocupe: os “Doutores da USP” que ele ataca ganham certamente bem menos do que ele, renomado jornalista do mercado midiático, e são bem menos responsáveis pela crise do que parece, como veremos.

2. Desfazendo um primeiro mito: “a folha de pagamento que compromete 105% do orçamento da USP é a grande culpada pela crise”.
Comecemos, então, por essa questão: a folha de pagamento da USP compromete 105% do seu orçamento não porque os salários de seus docentes e funcionários sejam milionários, mas porque há anos a universidade vem sofrendo constante ampliação sem que, ao mesmo tempo, haja um aumento correspondente das verbas para seu sustento.
Para quem não sabe, as universidades estaduais paulistas vivem, desde 1989, do repasse de 9,57% da arrecadação do ICMS do Estado, verba destinada a seu custeio, o que implica, na maior parte, no pagamento dos salários. Além, é claro, de outras fontes de financiamento, estas porém destinadas à pesquisa, provindas dos governos estadual (Fapesp) e federal (Capes-Cnpq e Finep), assim como de agências internacionais ou mesmo de instituições privadas (por meio de convênios específicos). A alíquota do ICMS repassada às universidades, nos primeiros anos, sofreu reajustes, conforme as três universidades cresciam: de 8,4% do ICMS em 1989, passou para 9,57% em 1995.
Porém, desde então, congelou-se. Em quase 20 anos, não houve mais reajuste, enquanto que a universidade não parou de crescer. O orçamento da USP ficou dependente de um repasse variável conforme aumenta – ou diminui – a arrecadação anual do ICMS, para suprir um gasto fixo com tendência a aumentar, o da folha de pagamento. Uma conta que não fecha, e que há anos, e muito antes da gestão Rodas, já compromete em mais de 90% a verba de custeio da universidade.
O Reitor insiste em ver nesse fato e no aumento de empregados as causas da crise que tem que enfrentar: alegando, em carta enviada aos docentes, o “insustentável comprometimento com gastos de pessoal”, e apontando a contratação de cerca de 2.400 funcionários e 400 docentes entre 2010 e 2013 como causa do aumento incontrolável desses gastos, a atual gestão decidiu congelar qualquer reajuste salarial, negando até a reposição das perdas com a inflação. Por isso, e compreensivelmente, docentes e funcionários da USP, e os alunos em seu apoio, estão em greve.
Acima da questão salarial em si, que poderia ser negociada, está a atitude de calar sobre as verdadeiras causas do aperto financeiro: os gastos escandalosos da última gestão, que comprometeram o tênue equilíbrio de um orçamento já em seu limite há décadas. Nada também sobre o uso das reservas da USP (que levaria um poder executivo submetido à Lei da responsabilidade Fiscal - o que a USP não é - à condenação certa por improbidade administrativa). Também não se discute a atuação individual e irresponsável do ex-Reitor da USP em relação às suas congêneres paulistas, de certa forma levando-as a pagar um preço por algo que não fizeram. A Unicamp e a Unesp também cresceram, mais até que a USP, e a proporção da distribuição do repasse do ICMS nunca foi tampouco discutido.
Nada disso, ao invés de levantar-se todas essas questões, a culpa é da folha de pagamento, “dos doutores da USP”, que o Elio Gaspari mostra empenho em desqualificar. E ponto final, sem mais discussões nem negociações. Diz nosso Reitor: “afirmar que a crise financeira da USP é resultado de sua expansão ou de repasses incorretos feitos pelo Governo não nos ajuda a superá-la”.
Pois bem, valeria a pena então que nosso Reitor analisasse com mais acuidade o anuário estatístico que sua universidade produz, ano a ano. Lá veria que sim, o crescimento da USP desde 1995, quando foi congelada a alíquota, foi significativo, e que o problema, nem de longe, está nos 2800 funcionários e docentes recentemente admitidos. A USP nesse período não só criou cursos como incorporou ou fundou novos campi, como os de Lorena, de Santos ou da USP Leste, ampliou seus museus, cresceu em todas as dimensões possíveis. E isto, vale dizer, não pelo acaso, mas como fruto de uma política oficial (e louvável) de expansão por parte do Governo do Estado. Só faltou, é claro, destinar as verbas para sustentar tal crescimento.
Para facilitar o trabalho, mostro a seguir alguns desses números: entre 1995, ano do último reajuste da alíquota, e 2012, a USP passou de 132 cursos oferecidos a 249, ou um aumento de 88,6%. Na Graduação, as vagas oferecidas no vestibular, que eram 6.902 em 1995, passaram para 10.602 em 2012, um aumento de 53,6%. Os alunos matriculados aumentaram em 77,6% no período, passando de 32.834 para 58.303.
Na pós-graduação, área em que a USP se destaca, sendo responsável por 25% da pesquisa no país, os cursos tiveram um aumento de 34,6%, passando de 476 em 1995, para 641 em 2012. O que levou a um aumento do número de alunos matriculados de 102,3% no período.
Tudo isso com a mesma alíquota. A USP e suas congêneres Unicamp e Unesp só não quebraram porque no rico estado de São Paulo, o ICMS desde então felizmente sempre cresceu, e bastante. Tal crescimento, porém, não pode ser usado como contra-argumento para a não correção da alíquota, mesmo se ele foi na média superior à inflação do período, pois a conta  é muito mais complexa. Ao crescerem e modernizarem-se (vale lembrar que a partir da década de 1990 as universidades se informatizaram, por exemplo), aperfeiçoarem-se e começarem a aparecer com destaque até no cenário internacional, os custos gerais das universidades paulistas crescem e muito (pois crescem e se sofisticam os equipamentos, os custos de pesquisa, além dos custos de manutenção, como reformas caras e necessárias em muitos edifícios, como o da FAU, e assim por diante), de tal forma que o custo por aluno também aumenta, e muito. Sem dúvida, porém, tal conta deve ser feita, e é uma das motivações pela transparência total das finanças da USP.
Por incrível que pareça, o número de empregados docentes e administrativos, alegadamente o grande culpado pela crise, também aumentou, é verdade, mas em proporções MUITO MENORES do que o crescimento da universidade mostrado acima. O número de docentes da USP, entre 1995 e 2012, passou de 5.056 para 5.860, ou um aumento de.....apenas 15,9%! O número de funcionários não docentes, que era de 15.105 em 1995, passou para 16.839, um aumento ainda menor, de 11,5%. E para aqueles que acham que a USP vem “inchando-se” de funcionários em relação ao número de docentes, os dados mostram que, pelo contrário, o corpo funcional enxugou-se nesse período, mesmo que discretamente, a relação professor-funcionário tendo diminuído de 1 / 2,98 para 1 / 2,87.
Ou seja, que me desculpem o Reitor, a mídia e quem mais acreditar no argumento do inchaço da folha salarial, o que ocorreu na verdade é que a USP ampliou em 88% seus cursos e em 77% seu número de alunos mesmo tendo um aumento de docentes e funcionários de apenas 15% e 11%, respectivamente. A verdade é que, isto sim, nos últimos 17 anos, os empregados da USP aumentaram significativamente sua carga de trabalho e sua eficiência!
Se tomarmos, por exemplo, o critério do aumento da proporção de alunos de graduação per capita, aumentou em 53,3% a eficiência dos professores e em 59,4% a dos funcionários, entre 1995 e 2012, já que a proporção alunos/professor aumentou de 6,49 para 9,95, e a de alunos por funcionários, de 2,17 para 3,46, nesses 17 anos.
E dai, evidentemente, a conta não fecha. Aumentar cursos em quase 90% significa aumentar drasticamente os gastos de custeio, e também de pessoal, por mais que se aceite trabalhar mais ganhando pouco. A criação de 282 novos cursos de graduação e pós em 17 anos implica em ter novos professores e novos funcionários, mesmo que isso tenha sido feito em proporções muito menores. Se uma família cresce, não há saída: deve-se aumentar o orçamento familiar, para sustentá-la. É um cálculo simples, que qualquer estudante do ensino fundamental já saberia fazer: não é possível aumentar-se expressivamente o volume de gastos sem buscar mais fundos para custeá-los.
Pois bem, o orçamento das universidades paulistas continua fixado no repasse dos mesmos 9,57% da arrecadação do ICMS, desde 1995. E ai está certamente o maior erro do Sr. Reitor, e o motivo da enorme incompreensão da comunidade que ele deveria representar. Ao invés de voltar-se contra seus pares, deveria enfrentar o Governador do Estado e a Assembleia Legislativa para defender a urgente necessidade de ampliar a verba orçamentária da USP.


Continua: http://cidadesparaquem.org/blog/2014/8/14/a-usp-no-problema-soluo