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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

10 razões para dizer NÃO aos transgênicos


Desde 2003 o Brasil tem um decreto sobre rotulagem. Todo alimento com mais de 1% de transgênico deve ser rotulado. Infelizmente as empresas não estão cumprindo a lei. O governo não fiscaliza. Os consumidores estão saindo no prejuízo pois podem estar levando transgênicos para casa sem saber.
1. Não precisamos dessas sementes na nossa agricultura – depois de 10 anos de uso comercial em outros países só dois tipos de transgênicos foram criados. Um é resistente a herbicidas e outro mata lagartas – o Bt. Os problemas que os agricultores brasileiros enfrentam no dia a dia são outros e bem mais complexos. Por exemplo: comercialização, crédito e assistência técnica adequados. São problemas que não podem ser resolvidos por esses dois tipos de transgênicos.
2. Seus riscos nunca foram devidamente testados – as empresas e os pesquisadores que promovem os transgênicos tentam convencer a população que eles são iguais aos outros alimentos. Tentam assim dizer que não precisam ser testados. As pesquisas feitas antes da liberação comercial não avaliam questões importantes sobre impactos para a saúde humana e o meio ambiente. Testes rigorosos sobre alergias e segurança alimentar devem ser feitos antes da liberação.
3. A CTNBio não garante a segurança desses produtos – a lei de Biossegurança criou a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – a CTNBio. Esta comissão é formada por 27 pesquisadores indicados pelo governo e pela sociedade civil. A maioria dos integrantes da CTNBio trabalha com transgênicos e tem interesse que eles sejam rapidamente liberados. Essa visão prejudica avaliações de risco que garantam nossa saúde e meio ambiente.
4. Maior uso de agrotóxicos – De cada 10 hectares plantados com transgênicos no mundo, quase 7 deles são com soja, milho, algodão ou canola resistentes a herbicida. O uso repetido de um mesmo herbicida tem levado ao aparecimento de plantas resistentes. Essas plantas que não são mais controladas pelo herbicida levam o produtor a aumentar a dose do agrotóxico ou usar outros produtos mais tóxicos. Na Argentina, o uso de Roundup cresceu 86% com a soja transgênica. Nos Estados Unidos, cresceu mais de 70%. Lucra a Monsanto, que vende a semente e o herbicida.
5. Criação de novas pragas – os transgênicos do tipo Bt produzem uma toxina em todas as partes da planta que serve para controlar lagartas. Estudos já mostraram que a quantidade de toxina Bt varia na planta ao longo do ciclo da cultura. Isso pode criar insetos resistentes ao Bt. Há ainda o risco de que outros insetos também morram ao se alimentar das plantas Bt. Isso pode prejudicar o equilíbrio ecológico e o controle biológico de pragas. Como as plantas Bt controlam só alguns insetos, elas não eliminam o uso de inseticidas.
6. Contaminação das variedades crioulas – a experiência tem mostrado que é muito difícil manter os transgênicos sob controle depois que eles são liberados. No caso da soja, a contaminação da produção orgânica e convencional vem acontecendo desde a semente até a armazenagem. O uso de máquinas e colhedeiras pode misturar as sementes. No caso do milho o problema é ainda muito mais grave. Além das máquinas e caminhões, a contaminação pode acontecer pelo vento, que carrega o pólen a distâncias muito grandes. Ninguém sabe ao certo o que acontece no longo prazo com as sementes contaminadas. O certo é que o agricultor pode perder o direito de escolher o que plantar e o que colher. E se a contaminação se espalha, o consumidor perde o direito de escolher o que comprar.
7. As sementes são patenteadas – todo agricultor que planta semente transgênica deve pagar uma taxa para a empresa dona da semente. Essa taxa é conhecida como royalty. Ao comprar a semente o agricultor assina um contrato com a empresa assumindo o compromisso de não vender, não guardar e não plantar no ano seguinte as sementes colhidas. O contrato também coloca um limite de produção por hectare de acordo com o cultivo e a região do produtor. A empresa faz isso como forma de garantir que o agricultor terá que comprar suas sementes no próximo ano. Com as sementes transgênicas o agricultor fica totalmente dependente de empresas como Monsanto e Syngenta.
8. Controle de multinacionais – Apenas 4 empresas multinacionais dominam quase todo o mercado de transgênicos no mundo e 49% de todo o mercado de sementes. Com tanto poder em mãos essas empresas podem direcionar inclusive os programas de melhoramento da Embrapa e de instituições estaduais de pesquisa. Isso pode reduzir a oferta de sementes não-transgênicas no mercado e deixar os produtores sem opção.
9. Os alimentos não são rotulados – Desde 2003 o Brasil tem um decreto sobre rotulagem. Todo alimento com mais de 1% de transgênico deve ser rotulado. Infelizmente as empresas não estão cumprindo a lei. O governo não fiscaliza. Os consumidores estão saindo no prejuízo pois podem estar levando transgênicos para casa sem saber.
10. Há caminhos mais sustentáveis para a agricultura – A agroecologia é um movimento que cresce cada vez mais no Brasil inteiro. As experiências com agroecologia vêm mostrando ótimos resultados na redução de custos, no aumento e na diversificação da produção e na segurança alimentar das famílias. A agroecologia incorpora novas técnicas ao mesmo tempo em que valoriza e resgata o saber camponês. As sementes crioulas são adaptadas aos sistemas agroecológicos e deixam o agricultor livre da dependência da indústria de insumos e sementes.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Apple na China: O lado podre da maçã


Em Taiwan, um repórter da rede estadunidense ABC conseguiu entrar numa unidade da Foxconn, maior produtora de iPhones e iPads do mundo.

Reportagem da inglesa BBC
afirma que o repórter teve acesso à fábrica dias após a Apple ter anunciado que um grupo de investigadores independentes iria inspecionar as fábricas que produzem 90% de seus produtos.

As condições são semelhantes àquelas em que vivem cobaias em caixas de Skinner. No entanto, Tim Cook - o sucessor de Steve Jobs - enviou e-mail a todos os seus empregados, onde defende os valores da empresa e afirma a preocupação da Apple com cada um dos empregados da cadeia de produção:


"A nosotros nos definen nuestros valores. Desafortunadamente algunas personas están cuestionando los valores de Apple hoy en día... Nosotros valoramos a cada trabajador en nuestra cadena de suministro global...Cualquier insinuación de que no nos interesa es claramente falsa y ofensiva para nosotros".

Que tal Tim Cook passar uma semana no lugar de um dos trabalhadores da Foxconn para sentir na pele "los valores da Apple"?

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Na Europa, o poder é do Goldman Sachs

 
Eles pertencem à rede que o Goldman Sachs teceu no Velho Continente e, em diferentes graus, participaram da mais truculenta operação ilícita orquestrada pela instituição americana. Além disso, não estão sozinhos.

Os adeptos das teorias conspiratórias estão vendo suas expectativas se cumprirem. Onde está o poder mundial? A resposta cabe num nome e num lugar: na sede do banco de negócios Goldman Sachs.

O banco americano consegui uma façanha rara na história política mundial: colocar os seus homens à frente de dois governos europeus e do banco que rege os destinos das políticas econômicas da União Europeia. Mario Draghi, o atual presidente do Banco Central Europeu; Mario Monti, presidente do Conselho italiano, que substituiu Silvio Berlusconi e Lucas Papademos, o novo primeiro-ministro grego; todos pertencem à galáxia do Goldman Sachs.

Estes governantes, dois dos quais Monti e Papademos, são a ponta de lança da anexação da política pela tecnocracia econômica, pertencem à rede Sachs e participaram das mais truculenta operação ilícita orquestrada pela instituição americana. Além disso, eles não estão sozinhos. Pode-se também mencionar Petros Christodoulos, hoje à frente do organismo que administra a dívida pública grega e ex-presidente do Banco Nacional da Grécia, a quem Sachs vendeu o produto financeiro conhecido como swap e com o qual as autoridades gragas e Goldman Sachs orquestraram a maquiagem das contas gregas.

O dragão que protege os interesses de Wall Street conta com homens chaves nos postos mais decisivos, mas não apenas na Europa. Henry Paulson, ex-presidente do Goldman Sachs, foi nomeado secretário do Tesouro americna, enquanto que William C. Dudley, outro das altas esferas do Goldman Sachs, é o atual presidente do Federal Reserve de Nova York.

Mas o caso dos líderes europeus é mais paradigmático. O lugar de honra cabe a Mario Draghi.

O hoje, presidente do Banco Central Europeu, BCE, foi vice-presidente da Goldman Sachs para a Europa entre 2002 e 2005. O título de seu cargo era “empresas e dívidas públicas”. Precisamente nessa cargo, Draghi teve como missão vender o incendiário produto swap. Este instrumento financeiro é chave na ocultação da dívida pública, ou seja, na maquiagem das contas gregas. Foi essa ardilosa armação que permitiu a Grécia se qualificar para fazer parte dos países que entrariam no euro, a moeda única europeia. Tecnicamente, e com o Goldman Sachs como operador, transformou-se a dívida externa da Grécia de dólares para euros.

Com isso, a dívida grega desapareceu dos balanços negativos e Goldman Sachs (GS) levou uma suculenta comissão. Logo depois, em 2006, Goldman Sachs vendeu parte desse pacote de Swaps ao principal banco comercial do país, o National Bank of Greece, liderada por um outro homem da GS, Petros Christodoulos, um ex-corretor da Goldman Sachs e atual diretor do órgão de gestão da dívida da Grécia que ele mesmo e, os citados anteriormente, até então ajudaram esconder.

Mario Draghi tem uma história pesada. O ex-presidente da República Italiana, Francesco Cossiga acusou Draghi de ter favorecido Goldman Sachs na adjudicação de grandes contratos, quando era diretor do Tesouro da Itália e estavam em pleno processo de privatização. A verdade é que agora o diretor do Banco Central Europeu, aparece como o grande vendedor de Swaps em toda a Europa.

Neste emaranhado de falsificações aparece o chefe do Executivo grego, Lucas Papademos. O primeiro-ministro foi o governador do banco central grego entre 1994 e 2002. Esse é precisamente o período em que Sachs foi cúmplice na ocultação da realidade econômica grega. Papademos, responsável pela entidade bancária nacional, não podia ignorar a armação que estava sendo montada. As datas em que ocupou o cargo fazem dele um operador da montagem.

Na lista de notáveis segue Mario Monti. O atual presidente do Conselho italiano foi conselheiro internacional do Goldman Sachs desde 2005. Em síntese, muitos dos homens que fabricaram o desastre foram chamados agora para tomar as rédeas de postos chaves, com a missão de reparação às custas dos benefícios sociais do povo, conseqüências que eles mesmos criaram. Não há dúvida de estamos vendo o que os analistas chamam de "um governo Sachs europeu”.

O Português Antonio Borges dirigia até pouco tempo – acaba de renunciar - o Departamento Europeu do Fundo Monetário Internacional. Até 2008, Antonio Borges foi vice-presidente do Goldman Sachs. O sumido Karel Van Miert – Bélgica –, foi comissário europeu da Competividade e também um quadro do Goldman Sachs. O alemão Ottmar Issing foi sucessivamente presidente do Bundesbank, conselheiro internacional do banco de negócios americano e membro do Conselho de Administração do Banco Central Europeu.

Peter O'Neill é outro homem do emaranhado: presidente do Goldman Sachs Asset Management, O'Neill, apelidado de O Guru do Goldman Sachs, é o inventor do conceito Brics, o grupo de países emergentes composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Acompanha O'Neill outro peso pesado, Peter Sutherland, ex-presidente da Goldman Sachs International, membro da seção Europeia da Comissão Trilateral, assim como Lucas Papademos, ex-membro da Comissão de Competividade da União Europeia, fiscal-geral da Irlanda e influente mediador do plano que desembocou no resgate da Irlanda.

Alessio Rastani é que tem toda a razão. Este personagem que se apresentou diante da BBC como um trader disse faz poucas semanas: "Os políticos não governam o mundo. Goldman Sachs governa o mundo". Sua história é exemplar do duplo jogo, como as personalidades e as carreiras dos braços mundiais do Goldman Sachs. Alessio Rastani disse que ele era um trader londrinense, mas logo depois descobriu-se que nada tinha de trader e que fazia parte do Yes Men, um grupo de ativistas que, através da comédia e da infiltração nos meios de comunicação, denunciam o liberalismo.

Ficará para as páginas da história mundial a impunidade desses personagens. Empregados por uma empresa americana, orquestraram uma dos maiores golpes já conhecidos, cujas conseqüências estão sendo pagas hoje. Foram premiados, agora, com o leme da crise, planejada por eles mesmos.

A reportagem é de Eduardo Febbro e publicado pelo Página/12, 23-11-2011. A tradução é do Cepat.
Fonte: http://diacrianos.blogspot.com/

Repressão Preventiva, Ovo da Serpente






ESCRITO POR LÉO LINCE   
SEXTA, 17 DE FEVEREIRO DE 2012


Os acontecimentos da semana serviram para mostrar que o artigo mudou de gênero, mas o substantivo continua a operar no diapasão de sempre. A presidente da República, que na juventude enfrentou a tortura com extrema dignidade e foi anistiada, agora resolveu tomar assento entre os templários da ordem injusta.  Do alto de sua nova posição, disparou cavalos telegráficos: não negocia com grevistas, nem cogita de anistia. Ao invés de Violeta Parra (“os famintos pedem pão”), ou do liberal mineiro Milton Campos (mandem o trem pagador), ela optou pela mão pesada da punição exemplar. Uma exigência da máquina mercante.

O ministro da Justiça, oriundo das fileiras mais arejadas do petismo, abandonou a antiga leveza, simpática e bem humorada. Agora, corpanzil alargado pela untuosidade do poder, adota ares sombrios que fazem lembrar Gama e Silva. No vértice de uma inusitada articulação de forças, cenho franzido, ele dispara as ameaças típicas da opção preferencial pela linha do confronto. A ostentação da musculatura repressiva do governo federal, inclusive com o uso cada vez mais banalizado das Forças Armadas no papel de polícia, deve ser motivo de preocupação para a cidadania. Ainda mais quando pairam sombras sobre alguns elos da investida desencadeada.

Dizem os do governo que houve autorização judicial para grampear telefones. Tal autorização teria sido assinada por um juiz cujo nome foi mantido em segredo. Qual a razão de tão estranho procedimento?  Também nada foi informado sobre o alcance do grampo. Quais foram os atingidos pela autorização secreta? Os líderes grevistas da Bahia e do Rio de Janeiro? Os parlamentares que buscavam mediar negociações também tiveram seus telefones grampeados?  São informações importantes para que o cidadão possa avaliar o sentido geral da operação. O império da lei opera na transparência, as maquinações do arbítrio no lusco-fusco da opacidade.

Outra dimensão do acontecido, talvez por conta de antecedentes tão famosos, intriga por demais o cidadão. Causa espanto a rapidez com que trechos seletos de telefonemas grampeados apareceram no mesmo dia, e com absoluta exclusividade, na tela da Globo. Impossível não ficar de pé atrás. Qual a razão da exclusividade? Foi combinado com antecedência? As fitas foram levadas até a emissora por algum estafeta ou foi a própria emissora que operou o grampo? Quem selecionou os trechos a serem exibidos? A emissora? Os agentes da repressão? O próprio ministro?  São indagações para as quais a ausência de resposta explica tudo.

Hoje já se sabe que dois senadores petistas, um do Rio outro da Bahia, estão na fita de um dos telefones grampeados. Foram poupados (por razões óbvias?) de aparecer na telinha. A divulgação de trechos seletos de telefonemas grampeados não cumpre, por suposto, qualquer função investigativa, de segurança ou prevenção de malefícios. É pura manipulação da informação para fins de propaganda. Revela, ao mesmo tempo, uma intimidade promíscua entre o agente público e os potentados da mídia grande. Trata-se de um detalhe que parece pequeno, mas que, por si só, confere ao conjunto da operação as feições de uma urdidura tenebrosa.

Uma marca que se confirma com os absurdos cometidos na seqüência. Vejamos, para exemplo, o acontecido no Rio de Janeiro. Apesar do deliberado em assembléia, não houve greve alguma. Houve apenas um buliçoso ato público em pleno coração da cidade, na Cinelândia. Nenhum ônibus queimado, nenhum vandalismo, nenhum confronto ou empurra-empurra. Nada. Apenas um protesto ordeiro e até bem humorado. Uma pauta elementar de reivindicações econômicas. Salários aviltantes, comidos pela carestia crescente. Além de deixar claro, pela volumosa presença, a insatisfação que grassa na base das categorias presentes no protesto.

Apesar da calmaria, os do governo resolveram optar pela continuidade do arreganho repressivo. O líder dos bombeiros do Rio foi preso no aeroporto quando voltava de Salvador, onde participava das negociações. Sem qualquer formalismo legal, não pode sequer falar com a esposa e os filhos que o esperavam. Ele e outros líderes foram levados para o presídio de segurança máxima, em Bangu. Um presídio reservado para condenados, nunca até então usado para prisões preventivas, e para criminosos de alta periculosidade. A agressividade cruel dos governos Dilma e Cabral inaugurou lá uma ala de prisioneiros políticos.

Barbas de molho, cidadãos. O contubérnio de forças articulados no episódio presente pode ser o ensaio geral do que está por vir. Autorizações judiciais secretas, governos submissos aos ditames da máquina mercante, informação manipulada nos canais da mídia oligopolizada.  O “estado de exceção”, já anunciado como recurso indispensável para o sucesso dos megaeventos esportivos, sempre esteve entre os desígnios permanentes da máquina mercante. A repressão preventiva não combina com democracia, tampouco com estado de direito.  Ecos da doutrina Bush, ela é a ante-sala do arbítrio total, o ovo da serpente.

Léo Lince é sociólogo.
ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO EM SEXTA, 17 DE FEVEREIRO DE 2012


Governo corta R$ 5 bilhões da Saúde para pagar dívida pública

O governo federal anunciou na última quarta-feira (15) um corte de gastos em R$ 55 bilhões no Orçamento de 2012. A ação visa auxiliar no cumprimento da meta de superávit primário (economia feita para o pagamento dos juros da dívida pública), que é de R$ 139,8 bilhões. A pasta com maior redução é a Saúde, com R$ 5,4 bilhões a menos para o ano.
De acordo com o professor de Economia da Saúde da Faculdade de Saúde Pública da USP, Áquilas Nogueira Mendes, a política de cortes para manutenção do superávit primário – e seus efeitos na saúde – vem desde o governo Fernando Henrique Cardoso e se mantém nos governos do PT.
“O orçamento então – como tem tido vários cortes – no fundo não tem refletido no aumento do compromisso da União nos recursos com a área da saúde. Quando a gente compara em relação ao PIB, tem se mantido em 1,7%. Então esse corte agora, em nome do superávit primário, não é novidade, o ano passado também teve. E, assim, o orçamento da saúde vem sendo engolido por essa política econômica do governo federal, que não é de hoje”.
A média de investimento para a Saúde vem sendo de 4% do PIB, sendo 1,7% União e o restante de estados e municípios.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou que apesar dos cortes, os recursos destinados à Saúde iriam aumentar este ano em mais de 10%. No entanto, Mendes argumenta que o índice permanece praticamente o mesmo.
“Muito se anunciou que o orçamento deste ano para o Ministério da Saúde havia tido um crescimento substantivo em relação ao ano passado, porém, se olharmos a inflação e também este corte agora, na realidade ficou-se na mesma”.
Outras pastas também irão ter cortes, como as Cidades, R$ 3,322 bilhões, e a Defesa, R$ 3,319 bilhões.
De São Paulo, da Radioagência NP, Vivian Fernandes.
17/02/12

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Esse é nosso governo "de esquerda"...

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Isso é esquerda?


"Eu não consigo mais me surpreender com os caminhos trilhados pela neo-esquerda governista. E digo "esquerda" apenas em honra ao passado militante de muitos, porque  ter no Sarney, no Collor, e agora na Bancada Evangélica, aliados de primeira ordem não me parece muito como atitudes de esquerda e sim de oportunistas que tentam atodo custo se manter no poder.

Mas tudo bem, vamos aceitar por um momento que a "governabilidade" valha a pena, me pergunto: Até que ponto?

Qual o limite que podemos chegar?


Na "Base Aliada" do governo temos Jaqueline Roriz, Inocêncio de Oliveira, Garotinho, Magno Malta e muitos "progressistas" e governistas parecem não ver problemas nisso. Em teoria, essa base é necessária para aprovar projetos para o povo. Mas que projetos? Tudo que sempre ouvimos é denúncias de corrupção, ministros caindo, deputados pegos mas inocentados por seus pares e insurgências na base.

Pra que garantir a aprovação do PLC 122 se você pode simplesmente garantir o apoio dos evangélicos e rifar os direitos LGBT's? Pra que servem os LGBT's afinal, não é mesmo? O problema hoje é a heterofobia, já diz o Bolsonaro (que faz parte de partido da base aliada, diga-se de passagem).


Mas estes aliados não são suficientes para se garantir o poder apenas pelo poder, é preciso ampliar a base até abarcar tudo e todos.


Aí chega o PSD, com o higienista Kassab, com a escravista Katia Abreu... Serão recebidos de braços abertos pelo governo de... esquerda?

E quando me falam que é preciso ter base ampla para avançar nos direitos dos trabalhadores eu me pergunto: Que direitos?


Professores de Institutos Federais estão em greve e os das federais receberam 4% (míseros 4%) de aumento para não pararem.

Os direitos humanos dos indígenas são 
desrespeitados com Belo Monte, com o genocídio contra os Guarani Kaiowá que o govenro federal não toma conhecimento no Centro-Oeste. As greves pipocam nas obras da copa e até trabalho escravo é descoberto nas obras do PAC e tudo que o governo faz (ou um dos membros do governo, na figura nefasta do Paulinho da Força) é dizer que o problema é a falta de prostitutas pra amansar o trabalhador revoltoso.

Os direitos LGBT's já não são mais pauta. Educação de 
qualidade  nem pensar, a idéia é precarizar a mão de obra do professor e investir pesado no ensino de UniEsquinas sem exigir nada, raciocínio igual para o PNBL e para todo o setor das telecomunicações, onde não há nenhuma competição e somos reféns de preços altos e qualidade zero. Mas o governo está satisfeito.

Na saúde, o mesmo caos de sempre, mas agora com a desculpa de que sem a 
CPMF não há o que se fazer (engraçado, com a CPMF o SUS continuava sendo péssimo!), mas nem uma palavra sobre taxar grandes riquezas ou mesmo controlar a farra dos bancos. Pelo contrário, os bancos lucram como nunca, roubam como nunca e nos exploram como sempre.

E, por fim (apenas para não passar o dia enumerando absurdos), não haverá qualquer controle da 
mídia.

Nem o PT exige mais isso.


Ah, não posso esquecer da Reforma Agrária. Não sairá do papel, aliás, nem está no papel, o PT e o governo abandonaram qualquer projeto no sentido, preferiram aprovar Código Florestal e afagar ruralistas.

Não à toa, Katia Abreu agora é governista!

De forma surpreendente, a senadora ruralista Kátia Abreu (sem partido-TO) passou a ser queridinha no Palácio do Planalto nos últimos meses. Depois de uma atuação fortemente oposicionista nos dois mandatos do governo Lula, a senadora agora já é listada como parceira do governo Dilma. A rápida mudança de posição chama a atenção de antigos aliados da oposição e dos novos parceiros governistas. Kátia já anunciou sua filiação ao PSD, o partido ainda em fase de criação.
E, mesmo assim, querem me fazer acreditar que este é um governo de esquerda? E pior, a militância internalizou o discurso - ou afalta de discurso.

Progressistas que agem igual ou pior que o PIG, escondendo lutas populares ou apoiando a destruição de modos de vida, mentindo e mantendo a mentira pese a verdade estar escancarada...

Belo Monte foi combatido por décadas pela esquerda que hoje apoia o projeto. O que mudou? A esquerda.


Qualquer um que queira se aliar é aceito. E um preço é sempre pago com prazer, não importa qul seja. O preço já foi a reofrma agrária, a educação de qualidade, a internet de qualidade, a dignidade dos LGBT's e por aí vai. E não para.

Kassab se prepara para, com partido formado e legal, virar governista. O que mais a esquerda terá de abrir mão para contentar o novo aliado?


E os demais aliados que virão, até que não existe mais oposição e também não exista mais esquerda?"