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domingo, 30 de setembro de 2012

Resposta a "[ESTUDO] Transgênicos da Monsanto Causam até Três Vezes Mais Câncer e Mortes Precoces"

Agradeço ao Paulo Andrade, do Dept. Genética/ UFPE, proprietário do blog http://genpeace.blogspot.com, por ajudar a enriquecer o debate.

 

Abraços,

 

Luiz.


-- 


Artigo que “mostra” o surgimento de tumores em ratos provocado pelo consumo de milho geneticamente modificado carece de qualquer base científica

http://genpeace.blogspot.com.br/2012/09/artigo-que-mostra-o-surgimento-de.html

 

quinta-feira, 20 de setembro de 2012




Mais uma vez o grupo do prof. Séralini brinda a comunidade científica com um artigo que pretende demonstrar efeitos deletérios do consumo de milho GM em mamíferos. Em todos os sites da internet que divulgam notícias sem ir ao fundo delas está dito o que o autor principal declarou aos jornais: que os efeito são claros, que é um crime liberar este produto para consumo, etc.

Mas o artigo é um completo desastre científico e fica muito difícil entender como uma revista científica de qualidade aceitou tamanho disparate. Para que o leitor entenda a questão é essencial saber que estudos de curta e média duração com milho GM já foram feitos com diferentes animais experimentais, em diferentes condições, e nunca apontaram qualquer efeito deletério sobre a saúde dos animais experimentais. É importante também saber que o milho NK603 é consumido por animais e serem humanos há quase uma década, pelo mundo afora, sem qualquer relato de problemas de saúde. Assim, soa muito estranho que um experimento conduzido em ratos tenha mostrado um impacto tão grande, com o aparecimento de tumores nos animais.

Neste comentário não vamos entrar nos detalhes estatísticos do trabalho e na forma deficiente como os resultados são apresentados. Isso será encaminhado ao público mais tarde. Vamos apenas trazer ao conhecimento público o que ocorre quando ratos da raça escolhida pelo grupo francês são mantidos em laboratório por mais do que os regulares 6 meses.

Os leitores devem saber que um rato costuma viver em média cerca de 700 dias, portanto menos de dois anos. A pretensão do Dr. Séralini e seu grupo de fazer um estudo de longa duração com um animal que vive tão pouco já começa errada aí. Como todos os grupos de mamíferos,  à medida que vão envelhecendo, os ratos começam a apresentar tumores (malignos ou não) em diversos órgãos e tecidos do corpo, e isso é especialmente comum nos ratos da raça escolhida pelo grupo francês. A tendência a ter tumores pelo corpo é genética nesta raça e nada tem a ver com o tipo de tratamento que se dá a eles. Claro é que muitos fatores podem aumentar ou diminuir um pouco esta tendência, mas são tantos (tipo de alimento, estresse, manipulação, etc., etc.) que é IMPOSSÌVEL deduzir o que quer que seja quando estes tumores começam a aparecer.  É exatamente por isso que os estudos com ratos em laboratório não podem ir além de uns poucos meses.

Pois bem: o Dr.Séralini empurrou a janela temporal de seu experimento até a morte dos ratos, quase dois anos depois de começar seu experimento. E, é claro, observou uma enorme quantidade de tumores nos ratos. Estes tumores devem ter aparecido também nos animais controle mas, espertamente, o artigo esconde isso num texto confuso e mal escrito. Em resumo, o grupo criou um factoide científico, empregando uma metodologia completamente errada. Suas conclusões são inválidas do princípio ao fim e é realmente uma vergonha que uma revista conceituada como a Food and Chemical Toxicology tenha aceito o artigo.

Para leitura dos mais interessados, recomendamos os artigos abaixo, já muito bem assimilados pela ciência (publicados muitos anos atrás!), que descrevem os tumores espontâneos  em ratos (da raça usada pelo grupo francês) e em camundongos:

Recomendamos com muita ênfase a leitura do artigo abaixo, que mostra a forma importante como variações da dieta (que nada tem a ver com transgênicos) afetam o aparecimento dos tumores.

[ESTUDO] Transgênicos da Monsanto Causam até Três Vezes Mais Câncer e Mortes Precoces

Thursday, 20 September 2012 |



Do site http://www.anovaordemmundial.com

Eu havia postado 2 anos atrás um estudo muito parecido sobre transgênciso e seu riscos, mas apenas agora a mídia corporativa está começando a alertar sobre o assunto.

 Recomendo a leitura deste apanhado de artigos (que inclui este estudo) postado no Fórum Anti-NOM.

 Abaixo o artigo que saiu no UOL:  

Estudo compara tumor de cobaias alimentadas com milho transgênico: o risco aumentou até três vezes

Os ratos alimentados com alimentos transgênicos morrem antes e sofrem de câncer com mais frequência que os demais, destaca um estudo publicado nesta quarta-feira (19) pela revista Food and Chemical Toxicology, que considera os resultados "alarmantes".

"Os resultados são alarmantes. Observamos, por exemplo, uma mortalidade duas ou três vezes maior entre as fêmeas tratadas com organismos geneticamente modificados [transgênicos]. Há entre duas e três vezes mais tumores nos ratos tratados dos dois sexos", explicou Gilles-Eric Seralini, professor da Universidade de Caen, que coordenou o estudo.

Para fazer a pesquisa, 200 ratos foram alimentados durante um prazo máximo de dois anos de três maneiras distintas: apenas com milho OGM NK603, com milho OGM NK603 tratado com Roundup (o herbicida mais usado no mundo) e com milho não alterado geneticamente, mas tratado com Roundup - o milho transgênico (NK603) e o herbicida são produtos do grupo americano Monsanto.

Durante o estudo, o milho integrava uma dieta equilibrada, em proporções equivalentes ao regime alimentar nos Estados Unidos.

"Os resultados revelam uma mortalidade muito mais rápida e importante durante o consumo dos dois produtos", afirmou Seralini, cientista que integra ou integrou comissões oficiais sobre os alimentos transgênicos em 30 países. "O primeiro rato macho alimentado com transgênicos morreu um ano antes do rato indicador (que não se alimenta com transgênicos). A primeira fêmea oito meses antes. No 17º mês são observados cinco vezes mais machos mortos alimentados com 11% de milho (transgênicos)", explica o cientista.

Os tumores aparecem nos machos até 600 dias antes que nos ratos indicador (na pele e nos rins). No caso das fêmeas (tumores nas glândulas mamárias) aparecem uma média de 94 dias antes naquelas alimentadas com transgênicos.

"Pela primeira vez no mundo, um transgênico e um pesticida foram estudados por seu impacto na saúde a mais longo prazo do que haviam feito até agora as agências de saúde, os governos e as indústrias", disse o coordenador do estudo.

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Outros artigos na mídia corporativa são mais céticos em relação a este estudo.

Esta matéria na Reuter coloca em dúvida o artigo citando o porta-voz da Monsanto, que disse:

"Numerosos estudos científicos peer-reviewed realizados em culturas biotecnológicas até esta data, incluindo mais de uma centena de estudos de alimentação, têm continuamente confirmado a sua segurança (dos transgênicos), como se reflete nas respectivas avaliações de segurança das autoridades regulatórias em todo o mundo."

O título da matéia na Reuters, "Estudo mostrando preocupações sobre o milho transgênico da Monsanto levanta ceticismo", tendencioso no mínimo, mostra muito bem o lobby gigantesco das empresas de limentos geneticamente modificdos.

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Está cada vez mais difícil esconder os efeitos nocivos dos transgênicos, e podem ter certeza que esta indústria irá tentar contra-atacar, através do seu gigantesco lobby e da manipulada mídia corporativa, qualquer estudo que mostre realidade.

Fontes:

[ESTUDO] Science Direct: Long term toxicity of a Roundup herbicide and a Roundup-tolerant genetically modified maize
Estudo na Íntegra
Forum Anti-NOM: Efeitos dos Transgênicos na Saúde
Digital Journal: Monsanto's GM corn and weedkiller cause rats tumors and mortality
Reuters: Study on Monsanto GM corn concerns draws skepticism