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sexta-feira, 29 de julho de 2011

Elite brasileira mostra sua cara

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Editorial do jornal Brasil de Fato:

“Há casos folclóricos nos hangares do Campo de Marte. Como o da milionária que mandou o cão para o veterinário de helicóptero. Dona da aeronave, ela estava em Maresias (litoral norte) e viu o cãozinho comer a marmita de seu segurança. Ela mandou o piloto voltar imediatamente a São Paulo para fazer exames no pet", relata um piloto, que pede para não ser identificado.

Acredite. O trecho acima foi extraído da coluna de Eliane Trindade, publicado na Folha de S. Paulo, sob o título: “Helicóptero é usado para ir à balada e ao pet shop”.

Esse fato mostra a absoluta falta de escrúpulos dos poucos privilegiados do nosso país e demonstra mais uma vez o caráter e a natureza da elite brasileira. “Pensei que a história da dona Vera Loyola, há uns quatro anos, ter enviado seu cãozinho para o cabeleireiro de helicóptero e, em seguida, explicado aos jornalistas que o fez "porque o Rio é uma cidade muito violenta" fosse o 'top de linha' do escárnio”, diz o jornalista Alipio Freire. No entanto, segundo ele, a cada dia, a elite brasileira - a burguesia no Brasil - mostra sua face de absoluto desprezo e de humilhação contra aqueles aos quais passou a se referir como PPPs (Pretos, Pobres e da Periferia).

Essa notícia só reforça uma característica de parte do Brasil e uma herança maldita: uma burguesia com a cabeça colonizada, saudosa dos tempos da nobreza, realeza. Nossa memória não precisa ser muito estimulada para recordarmos do cão com coleira de diamantes de uma tal socialite, seguido de afirmações de que tal animal era provido de tanta doçura que o feito era pouco. Essa elite, consumista, não se importa de passar o ridículo por algo desta natureza. É a reafirmação de que é uma elite ignorante, colonizada, subserviente, babona, que sonha com o dia em que o Brasil será uma mistura dos paraísos europeus e estadunidense. Dizem que essa mamãe do cão pediu ajuda gritando “help”. E uma coincidência: a opulência sempre combinada com segurança, mal pagos, mal tratados, a ponto de ter uma quentinha que poderia fazer mal para o pobre cão.

SOS burguesia

A segurança é o principal problema do pais, dirá essa “nobreza” deslocada no tempo e espaço. E claro, clamam por polícia, mais investimento em segurança, mais leis, mais rigor, repressão. Afinal, querem copiar o país que tem mais de 1% da sua população encarcerada (EUA). E claro, entre eles há quem bem explore esse clamor. A título de exemplo, a cidade de São Paulo é uma das três maiores consumidoras de carro blindado, a frente de países com guerra civil e conflitos abertos. Se somarmos o crescimento da frota de helicópteros, que na mesma comparação a capital paulista fica entre as cinco metrópoles do mundo em tamanho de frota e volume de voos diários, chegando ao absurdo de ter um bairro - Moema - com mais heliportos do que pontos de ônibus. Patrão por cima, empregados por baixo e filhos no cofre motorizado (blindados). Eis o Brasil desenhado por eles.

Outra imagem simbólica disso são as casas fortificadas, condomínios parecidos com fortalezas da idade média. E o resultado? Segue a insegurança. Propõem com seus meios de comunicação, parlamentares, prefeitos, etc. o aumento dos orçamentos para segurança. Querem o exército nas ruas, tropas, tropas! Recrutam milhares de jovens para trabalhar como seguranças privados, num trabalho de tamanho risco que um dos “benefícios” oferecidos por algumas empresas é auxilio funeral. Um atestado de crueldade. Trabalhadores mal remunerados, obrigados a ter outros bicos, com estímulos econômicos para o uso da “valentia” para evitar assaltos não raras vezes resultando em mortes ou ferimentos graves. Mas se sobrevive, ganha prêmio. Alguns bancos chegam a pagar extra para o segurança que reage e consegue conter um assalto.

Essa mesma elite, em pânico e bradando por mais segurança e mais rigor nas leis, é a mesma que luta contra qualquer mudança que garanta e amplie direitos sociais, mudanças que alterem a concentração de renda, que o povo tenha acesso a programas de combate à pobreza e à miséria, dentre outros. Sempre com um discurso pronto para qualquer intervenção do Estado (quando em benefício do povo): “dar o peixe não resolve”. Cínica, prefere a cadeia à moradia, o trabalho informal, e sempre usando o argumento de que chegou onde chegou por mérito, muito esforço e toda essa velha história do empreendedor. Só esquece de dizer que cresceu e se fez pagando injustamente, com mais da metade dos trabalhadores sem direitos e na informalidade, não aceitando sequer a igualdade de direitos dos trabalhadores domésticos com os demais trabalhadores.

Contradição ou coerência?

Nem mesmo os poucos avanços obtidos com a Constituição Federal depois de muita luta são respeitados, como demonstramos em edições anteriores do Brasil de Fato. As bandeiras do povo, tais como a redução da jornada de trabalho sem redução de salários, o fim do fator previdenciário, resgatar o direito de greve, são bandeiras que essa elite reage com veemência.

Portanto, conhecer melhor os inimigos do povo é um desafio para compreender que essa burguesia só se submete com luta, se forçada pela pressão das massas e do povo organizado. Nada virá de negociações ou concessão.

Essa postura das elites brasileiras, que gasta mais com a alimentação de um cão do que de um trabalhador, que usurpa os recursos públicos, que exige mais recursos do Estado para a (sua) segurança, é a mesma de sempre na defesa de seus privilégios. E, assim, age coerente na recusa dos direitos sociais, contrária à distribuição de renda, aos programas sociais, às políticas públicas e tudo o que pode democratizar o acesso à habitação para todos, como terra para quem trabalha, apoio aos pequenos (campo e cidade), o acesso à educação superior, dentre outros.

Essa é uma característica dessa burguesia. Que prefere integrar-se de forma subordinada à burguesia mundial a ter projeto próprio de nação. Por lucro, passam por cima de tudo, inclusive de qualquer democracia. Essa burguesia nos mostra que as necessidades históricas do povo brasileiro somente serão conquistadas com luta, mobilização e unidade. Assim, quiçá, avancemos rumo à construção de um projeto popular para o Brasil.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Gastos Militares, Juros da Dívida e Somália: Tudo a Ver

Fonte: http://provosbrasil.blogspot.com/2011/07/somalia-planeta-terra-por-luis-f-c.html 


Diante da pior crise humanitária do século 21, “comunidade internacional” permanece passiva. Globalização ficará restrita às finanças e comércio?

Um bilhão e seiscentos milhões de dólares é, aproximadamente, o que o orçamento fiscal dos Estados Unidos destina, a cada 24 horas, a gastos militares. Também chega a 1,6 bilhão de dólares o que Estado brasileiro oferece, todas as semana, aos mercados financeiros, na forma de juros. Por fim, 1,6 bilhão de dólares é o que a ONU reivindica, numa única prestação, para acabar com o drama humanitário na Somália e outros países do “chifre da África” – onde 12 milhões de pessoas sofrem com a seca; veem-se obrigadas a deixar suas terras; vivem, vegetam ou morrem em campos de refugiados superlotados e desumanos. Mas os somalis, ao contrário da indústria de armamentos norte-americana ou do sistema financeiro brasileiro, não fazem lobby, nem têm voz na mídia. Por isso, o padrão de globalização sob o qual vivemos nega-lhes os recursos que não faltam nem ao complexo industrial-militar norte-americano, nem aos banqueiros do Brasil.

Contrastes em Sampa

Fonte: http://altamiroborges.blogspot.com/2011/07/tire-as-maos-do-meu-carro.html

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Tire as mãos do meu carro!

Por Leonardo Sakamoto, em seu blog:

Critiquei o comentário tosco do prefeito de São Paulo ao tratar do frio a que estão submetidos moradores de rua no meu último post. É incrível mas, quando toco nesse assunto, há uma enxurrada de comentários raivosos e, entre eles, a frase que representa toda a sabedoria reacionária por trás de tanto ódio:
“Tá com dó, leva pra casa”. Para dar continuidade ao assunto, resgatei uma história que já havia discutido aqui.


Um Beetle (o Fusca reestilizado da Volkswagen) cor-de-rosa pára no cruzamento da avenida Henrique Schaumann com a rua Cardeal Arcoverde, área nobre da cidade de São Paulo. No interior, apesar dos vidros fechados, dá para ver uma moça por volta de seus 20 anos e um rapaz da mesma idade, ambos aparentando alta classe social. Finos. Um velho homem, sem-teto, se aproxima do carro para pedir uma esmola. A idade pesa e ele encosta no capô enquanto faz o pedido aos ocupantes.

Pânico rosa-choque. A menina gesticula freneticamente. Aperta um botão no painel de seu carro e liga um alto-falante para falar com o mundo exterior: “Tire as mãos do carro!”

O idoso, surpreso, obedece. O semáforo abre e o carro arranca.

Ações explícitas de preconceito social no trânsito, travestidas do verniz de “temor por segurança”, não páram de me surpreender. De início, foram os carros blindados, que levam para as ruas da cidade a sensação de encastelamento dos condomínios fechados ou das mansões muradas. Sentimento falso, pois não são muros, chapas de aço ou um sisteminha de microfone/alto-falante de carro de pamonha que garantirão segurança aos moradores de uma metrópole como São Paulo. É bom como efeito placebo, para se enganar, mas, mais dia ou menos dia, as “hordas bárbaras” vão engolir a “civilização”. Ou seja, uma hora a bomba estoura.

São Paulo tem mais de 11 milhões de habitantes, mas apenas uns poucos são efetivamente cidadãos, com acesso a todos os seus direitos previsto em lei. Lembra a antiga Atenas, com uma democracia para uns poucos iluminados e o trabalho pesado para o grosso da sociedade, composta de escravos. Enquanto uns aproveitam uma vidinha “segura” dentro de clubes, restaurantes, boates, residenciais e carros com alto-falantes, outros penam para sobreviver e ser reconhecidos como gente. Para casa assassinato em Moema, 130 são mortos no Grajaú. Só que a morte de uma jovem em Moema causa mais impacto na mídia do que a de 130 na periferia, como já aconteceu em outros tempos. Tem vida que vale mais que outras, por causa do dinheiro.

Qual a causa da violência? A resposta não é tão simples para ser dada em um post de blog, mas com certeza a desigualdade social e a sensação de desigualdade social está entre as principais razões.

O preconceito da proprietária do Fusca estiloso vai no sentido contrário a uma solução, isolando os ricos ainda mais, deixando-os alheios ao sofrimento do resto da cidade. E, pior, dando aos mais pobres a sensação de que são lixo. Corta-se com isso a dimensão de reconhecer no outro um semelhante, com necessidades, e procurar um diálogo que construa algo e não destrua pontes. Há riscos de assaltos? Sempre há e eles vão acontecer. Mas deve se ter em mente que há atitudes que pioram o quadro. Ou a cidade será boa para todos ou a aristocracia que sobrar após o caos não conseguirá aproveitar sua pax paulistana.

Um brasileiro em Moçambique e a fome na África



Parado no sinal fechado, voltando do almoço, vi a loirinha abrir a janela do Jeepão 4×4 e fazer um gesto pra menino que estava ali, no cruzamento das avenidas Mao Tse Tung (ele mesmo) e Julius Nyerere (ex-presidente da Tanzânia), zona nobre de Maputo. O garoto veio, correndo entre os carros. A moça deu a ele dois saquinhos – um azul e outro rosa. Eram de algodão doce. Os olhos do menino ficaram bem arregalados, e muitos foram os sorrisos e agradecimentos.
Abriu o sinal, o trânsito andou, o Jeepão foi embora, e eu, sem vaga pra parar o carro, acabei por ter que dar outra volta no quarteirão, parando quase no mesmo sinal fechado, uns dois minutos depois da cena inicial. Tempo suficiente para ver o mesmo menino, os mesmos saquinhos. Só que agora, ele já estava tentando vendê-los.
Decepcionado com tanta “ganância”? Não fique. Sorriso e algodão doce podem até preencher o coração do menino de amor, mas não mata a fome dele. O que mata a fome dele é xima: água e farinha de milho, base da alimentação de milhões e milhões de africanos.
“Quebra um pouco o encanto”, mas pobreza não tem encanto. Olhos azuis cercados por cabelos amarelos, quando encontram olhos pretinhos num rosto tristonho, costumam brilhar de compaixão e piscar intensamente, cheios de doçura – mas não enchem barriga.
Pra alguns também “quebra o encanto” saber que aquele agasalho velho que foi doado para “os pobres da África” não é entregue a um “pobre da África”. É destinado a instituições (em alguns países é mesmo o governo que faz isso) que – segure seu queixo, loirinha – vendem essas roupas, aos fardos, para revendedores locais.
Há verdadeiros mercados só com as roupas doadas. Aqui em Moçambique chamam a isso de “Calamidades”. “Comprei nas Calamidades”, é a frase. Camisas, calças, cintos, vestidos, agasalhos, sapatos, cobertores, tecidos, chapéus, toalhas, sacos de dormir, barracas de lona, fogareiros. Tem de tudo nas Calamidades.
Sim, loirinha: eles vendem aquele vestidinho que você doou “com tanto carinho”. E isso é ótimo. Gera emprego e renda pro vendedor, distribuidor, revendedor, costureira que conserta o que não vem bom, motorista do caminhão. Alguém usa a roupa, mas alguém também ganha dinheiro – e compra farinha pra fazer xima.
“Mas estão lucrando em cima de mim! Da doação que fiz com tanto carinho!” Bom, chegamos ao ponto da indignação, então: é que eles ganham, e não você – que doou “com tanto carinho”.
Entrevistei Dom Paulo Evaristo Arns, uma vez, nas vésperas de um Natal. No clima, pediu para as pessoas não restringirem a caridade ao fim do ano, e, também, a “doarem de verdade”. “Mas o que é doar de verdade, Dom Paulo?” “Doar de verdade é tirar de si – do que lhe fará falta – para dar a quem precisa. A doação de que fala a Bíblia é aquela em que você arranca de si próprio para que o próximo receba, mesmo que você fique sem.”
Quantos ficarão decepcionados na porta do Céu! Vão bater e voltar, mesmo tendo doado milhões de dólares para a caridade.
Ao longo da vida, “deram de coração”, “deram com carinho” – mas só o excedente. Deram porque não fazia falta. Ajudaram ao próximo? Sim. Mas, pelas palavras de Dom Paulo, passando longe da tal “doação de verdade”.

Nesta semana, a ONU “alertou para a fome” na Somália. Está hoje nos jornais que “se ninguém fizer nada, 800 mil pessoas morrerão de fome no Chifre da África”. E tem um monte de matéria, repórteres vindo, programas já sendo montados. Sacos de arroz serão enviados em aviões militares. Princesas e atrizes virão beijar os pobrezinhos, e chorar diante de tanta miséria. Talvez algum grupo de artistas de renome monte um show, ou – quem sabe – grave uma música! Cachês serão doados e todos os lucros – excetuadas as despesas, claro – serão doadas para combater a fome na África. Que tal?
“We are the World”, de 1985, foi exatamente isso. O “sobrenome” do projeto era “USA for Africa”, e surgiu quando de um onda de fome bíblica na Etiópia – vizinho de parede da… Somália.
Poucos tinham pensado nisso tudo semana passada, antes do “alerta” da ONU. Mas a fome – oh! – já estava lá. E aqui. E ali. A cada seis habitantes da Terra, um passa fome, a maioria dos famintos é de africanos (e asiáticos também). Metade do continente está abaixo da linha da pobreza. A proporção é essa já faz um tempo. “Se ninguém fizer nada” ficará pior.
Mas, pra ficar claro: que façam. Que venham as princesas, que mandem o arroz, que cantem as canções. Afinal, é de coração. E vai ajudar de alguma forma: é um pouco mais de dinheiro, é um pouco mais de arroz, é um pouco mais de atenção. Um pouco mais de algodão doce.
Imagino que a loirinha do Jeepão deva ter seguido o seu caminho sentindo-se recompensada pelo sorriso do menino, pensando que “se todos no mundo olhassem um pouquinho mais para esse pobres da África, o mundo seria melhor.” Seria, mas não basta “olhar um pouquinho”. É preciso olhar muito, pensar muito, tirar do seu pra ele ter (daí sim) um pouquinho. Mais do que saquinho colorido, eles precisam de impulso, comércio justo, que não se estimule a corrupção, investimento cavalar em educação e saúde. Em uma palavra: oportunidade.
A África fica feliz com sorriso e algodão doce. Mas consegue viver sem eles. Não vive é sem farinha pra fazer xima. A mudança virá, mesmo, no dia em que puder pelo menos sonhar em comprá-la sozinho.
PS: As fotos do post do Marcello Casal Jr, tiradas no Soweto, África do Sul, durante a Copa de 2010.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Para Entender a Crise


Todos, quase todos, sabem que a atual crise econômica teve início com o estouro de uma gigantesca bolha especulativa no setor imobiliário, em setembro de 2008, nos Estados Unidos. Mas é só isso? Não haverá causas globais e estruturais que expliquem melhor a presente depressão de praticamente todas as economias do mundo? Não seria, enfim, o caso de estudarmos melhor o fenômeno descrito como o das crises cíclicas que acometem periodicamente (grosso modo a cada dez anos) o sistema (modo de produção) capitalista?

Esta coluna tentará dar resposta a estas perguntas.

26-07-11

Arrogantes e insensatos, americanos ensaiam a Crise Mãe

A mídia está tratando esta questão do iminente calote dos EUA, como uma imperdoável leviandade dos políticos  americanos que, por questões eleitorais, estão brigando à  beira do abismo e  colocando toda a economia mundial em risco.
É uma verdade, mas não é toda a verdade. Por trás desta disputa entre  o presidente Obama e os republicanos, que controlam a Câmara dos Representantes (dos deputados), há uma insuperável  questão ideológica: os republicanos e não só os mais radicais, acreditam sinceramente que toda e qualquer solução econômica deve ser entregue às leis do  Mercado e  não à ação do Governo. Aliás, os neoliberais brasileiros, também  pensam assim.
É a velha proposta do Estado Mínimo. Quando estourou a  Grande Crise Americana de setembro de  2008 (que é sistêmica e terminal) as lideranças políticas republicanas e seus principais ideólogos,  disseram claramente: deixa quebrar, mesmo que  haja  temporariamente desemprego e sofrimentos humanos, o Mercado  se encarregará de ajustar as coisas logo mais adiante.  A economia tem capacidade de auto-regeneração e sempre foi  assim, com  alternância de picos de crescimentos eufóricos e vales depressivos.
Nos quatro anos anteriores,  Bush filho  seguira  à risca  esta receita: diminuiu a ação social do Estado e eliminou alguns impostos cobrados ao Grande Capital  que, assim, poderia investir mais e gerar empregos. Em seguida, partiu para a guerra no Iraque e no  Afeganistão, enquanto  o Grande Capital (controlado já pelo segmento financeiro) partia para a construção  meticulosa  da maior bolha especulativa de  todos os  tempos. Deu no que deu.
O papa de todas estas teorias cretinas que  gente como Míriam Leitão e  Carlos Alberto Sardenberg  repetem e à exaustão e de forma de   nauseante e simplória   é  o economista  americano Milton Freidman, Prêmio Nobel (1976) e autor da “bíblia” Capitalismo e Liberdade.
Freidman, além de pregar (contrapondo-se a  Keynes)  o Estado Mínimo e o Mercado Máximo, teve a  habilidade ou malícia, como o título sugere,  de afirmar que   capitalismo é sinônimo de liberdade. Na verdade, porém, a maior  afinidade do capitalismo puro e fundamentalista (a seleção  social natural – que vença o mais forte) e com o nazismo puro.
A Bíblia 2 dos republicanos  e parte dos neoliberais americanos é  a obra  “O Choque das Civilizações”  (1996) do polêmico e ousado  economista  e cientista político Samuel Huntington que  desde  a  Era Reagan vem sendo conselheiro formal  ou informal de todos os presidentes republicanos.
 Ele defende, em síntese, que, na virada do século,  as guerras religiosas  substituiriam as ideológicas.  É nesse sentido que, para grande parte dos norte-americanos, a guerra contra o islamismo (que para eles se confunde com o terrorismo moderno), faz todo o sentido. Aliás, para  parte da mídia brasileira mais exaltada também faz. Tanto que ela alinha-se automaticamente  ao conteúdo  editorial  da mídia americana que é, por sua vez,  ditado pelo Departamento de Estado.
Como se vê, esta briga entre Obama e  os republicanos vai muito além de uma simples disputa eleitoral. E segue a novela:
 Barack Obama fez ontem (25) um apelo desesperado em rede nacional de TV para que haja um comprometimento de republicanos e democratas com um acordo para elevar o teto da dívida pública do país, hoje em US$ 14,3 trilhões. O prazo fatal para a declaração de inadimplência (calote de consequências imprevisíveis) é 2 de agosto.
Momentos após o discurso de Obama, o presidente da Câmara, o republicano John Boehner, disse que os Estados Unidos não podem suspender os pagamentos, mas também não se pode dar um “cheque em branco” ao governo.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Europa salva a Grécia e os bancos com o dinheiro dos contribuintes


Os governantes europeus, reundidos ontem (21) em Bruxelas, decidiram aprovar um pacote de  109 bilhões de euros para cobrir o “rombo” da dívida grega. É um calote histórico que recebeu  o apelido de “moratória seletiva”. Tudo, para evitar que o Continente  inteiro fosse contaminado.
Setenta por cento de toda essa grana será fornecida pelos próprios governos, principalmente os da Alemanha e da França. Ou seja, dinheiro dos contribuintes será usado para tentar solucionar uma crise onde os banqueiros são os  maiores responsáveis.

As orígens
Os neoliberais são realmente impagáveis, além de cínicos e hipócritas, é claro. Durante trinta longos anos (desde a derrocada da extinta União Soviética) eles impuseram ao Mundo seus dogmas expressos na cartilha do Estado mínimo e obediência cega às leis do Mercado.
Toda vez que o Governo tentava intervir para evitar alguma distorção, eles gritavam: estão usando indevidamente o meu, o seu, o nosso dinheiro.  Se dependesse deles tudo ia ficando tudo por conta do Mercado, inclusive a minha, a sua, a nossa saúde.
O Setor Financeiro, evidentemente, deitou e rolou, sem peias  ou qualquer tipo de regulamentação. Promoveram, enfim, fantásticas e absurdas alavancagens (na verdade dinheiro fictício em caixa,  para investimentos sem lastro) através de espertas  “engenharias financeiras”. Estas espertezas consistiam em  abusar dos chamados derivativos, ou seja: emitiam-se papeis sem lastro (negociados no Mercado futuro) para garantir  papeis  sem lastro emitidos no passado.
Com isso criaram uma descomunal bolha especulativa que tomou conta do Mundo. As bolhas, como se sabe, um dia estouram. E essa bolha gigante estourou num certo dia de setembro de 2008, a falência do Lehmon Brothers, nos Estados Unidos. Em seguida começaram a pipocar bolhas  pontuais na Europa: Islândia, Irlanda, Portugal, Grécia,  Espanha , Itália e por ai vai.
Para salvar a economia e os bancos, Obama jogou a cartilha  neoliberal para o alto e  interveio firme no Mercado, enquadrando bancos e financeiras e até encampando a General Motors (um símbolo nacional), antes que ela caísse nas mãos de europeus  ou até de chineses.
A Europa demorou um pouco mais para cair na real, porque  supôs que seus problemas eram pontuais e não sistêmicos. Agora, entretanto, percebeu que  a enrascada  é de todos e vai pesar no bolso das duas principais  locomotivas da Zona do Euro, Alemanha e França.
A primeira ministra alemã, Angela  Merkel  (de centro-direita) em um momento de lucidez  resolveu, ao comprometer-se com a solução do problema grego,  exigir que os bancos participassem solidariamente dos prejuízos: “Vocês sãos os principais culpados disso, agora devem arcar com o custo da solução, disse ela referindo-se ao  iminente calote grego.  Calote, aliás, que eles  chamam, sofisticamente, de  “moratória seletiva”.
Os bancos aceitaram o “sacrifício”, (entram com 30% do total) mas querem garantias. Na verdade eles trocarão  títulos gregos prestes a vencer por outros de valor um pouco menor, mas com juros mais baixos e prazos bem mais alongados.
 A proposta final foi de La Merkel que  apresentou aos ansiosos dirigentes europeus (eles estiveram reunidos ontem (21) em Bruxelas para discutir isso) a idéia de reforçar o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF – na sigla em inglês) para ”garantir” o pagamento da dívida grega. O reforço, é claro, será efetivado com recursos públicos.
 Ou seja, se o governo grego não pagar, o Fundo reforçado arca com o prejuizo. E os banqueiros sorriem felizes, porque mais um vez serão salvos com o dinheiro do contribuinte, neste caso europeu. Ou como  os neoliberais  gostam de dizer: “o seu, o meu,  o nosso dinheiro”.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Analfabetismo político, desinformação...


"(...) A função de jornalistas como Noblat e jornais como o Globo é produzir analfabetos políticos em série. Como imprensa classista,  eles defendem a todo transe o interesses de seu  patrões e/ou patrocinadores, o Grande Capital liderado pelo Setor Financeiro.
Desinformar é a missão. Desinformar fingindo que informa. Desinformar pautando matérias de forma seletiva no interesse dos patrões e as editando de forma truncada quando não  de forma invertida e deturpada.
 Promove-se  o linchamento (seletivo) de políticos, mas não se diz uma palavra contras seus patrões e verdadeiros eleitores, os banqueiros e os empreiteiros. Criticam-se os fichas sujas, mas não se toca (a não ser excepcionalmente) na folha corrida dos grandes empresários,    fonte primária do caixa dois de todos os políticos.
Como resultado, cria-se uma fantástica legião  de analfabetos políticos de classe média especialmente  amestrada para só ver e compreender a superfície dos fenômenos.  Uma gente que reclama da demora ou mau humor dos bancários dentro das agências, mas em nenhum instante  se insurge contra os donos dos bancos.
Uma gente  que não percebe que o problema das filas e longas esperas poderia ser resolvido se os banqueiros  deixassem seus estabelecimentos abertos  pelo  período normal  obedecido por todo o comércio e empregassem mais bancários para preencher os espaços vazios, onde deveriam estar funcionando mais caixas.
Critica-se o Legislativo e suas mazelas. Mas não se  aponta a sua principal distorção: o fato de que  75% dos parlamentares são patrões ou mesmo  grandes proprietários capitalistas  e apenas 25% da cadeiras são ocupadas por trabalhadores. Ou seja, há uma  inversão aberrante da representatividade (e legitimidade) do Parlamento. A função da grande mídia é a de desviar as atenções sobre esse fato crucial, remetendo seus leitores para as superficialidades da vida. 
Mas o Globo não é apenas   uma máquina de desinformação. É um instrumento de negócios escusos. Há, nos  anais do Congresso, toneladas de documentos  comprovando as negociatas  da Família Marinho, apuradas durante  dezenas de CPIs nos últimos  50 anos, desde a injeção financeira ilegal promovida  pelo grupo Time Life para a instalação da TV Globo."