Por Pedro Pomar, colunista do Escrevinhador
Um protesto de alunos da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)
por moradia estudantil, no dia 6 de março, teve como desfecho mais uma
manifestação de brutalidade da Polícia Militar. Os estudantes realizavam
um ato de trancamento da avenida Fernando Corrêa, principal via de
acesso ao campus de Cuiabá, quando chegaram as Rondas Ostensivas Táticas
Metropolitanas (Rotam), chamadas pela Reitoria da UFMT. Os PMs
agrediram os alunos e fizeram diversos disparos de balas de borracha à
queima-roupa.
Um vídeo registra o momento em que um rapaz, que conversava com os
PMs e pedia calma, leva uma bofetada no rosto com tanta violência que é
lançado no chão. Uma aluna teve um dedo quebrado por uma bala de
borracha.
A PM deteve seis estudantes e também a advogada da Associação dos
Docentes da UFMT (Adufmat), Ione Ferreira Castro, igualmente insultada
pelos policiais militares. Numa entrevista coletiva realizada no dia
seguinte, os alunos e a advogada
anunciaram que vão processar o Estado e a Reitoria da UFMT. A
Reitoria nega ter responsabilidade no caso e alega que populares é que
ligaram para o 190. Mas, em nota oficial, a PM afirma que “a Reitoria da
UFMT informou a PM do fato [o trancamento da avenida] e solicitou
providências”.
A jornalista Keka Werneck, da Adufmat, entrevistou as pessoas
agredidas e buscou os motivos do protesto estudantil reprimido pela PM.
Reproduzo abaixo os principais trechos da sua reportagem, que mostra que
no Brasil existe apenas um simulacro de democracia. Fatos como os
ocorridos em Cuiabá, bem como ação semelhante da PM de São Paulo, que
cegou uma jovem no bairro de Paraisópolis, atingida por bomba de gás,
reiteram a urgente necessidade de desmilitarização das PMs e o fim da
criminalização dos movimentos sociais.
“Batendo e atirando”
“A polícia já chegou batendo e atirando”, disse o estudante de Mestrado
em Geologia Caiubi Kuhn, mostrando mais de 20 furos no peito, provocados
por balas de borracha. Ao abrir a entrevista coletiva à imprensa,
realizada no auditório da Adufmat, ele explicou que a moradia estudantil
é essencial para a permanência, na universidade, dos alunos
pertencentes a famílias de baixo poder aquisitivo.
Ainda sangrando na região próxima à virilha, a estudante de Ciências
Sociais Viviane Mota, do Diretório Central dos Estudantes (DCE-UFMT)
contou, na coletiva, que levou um tiro de bala de borracha a uma
distância de menos de 2 metros.
Depois de ser alvejado com um tiro de bala de borracha na coluna e
imobilizado por pelo menos oito policiais, um dos estudantes presos
durante do protesto, Sérvulo Neuberger, que faz Comunicação Social, foi
algemado e levado de camburão para o Centro Integrado de Segurança e
Cidadania (Cisc) Planalto. Os outros cinco detidos demoraram para chegar
lá.
Walter Aguiar foi um dos algemados e levados no camburão. “Fomos
amplamente reprimidos nesse trajeto”, afirma o estudante de Engenharia
Elétrica. “Nos chamaram de vagabundos e fizeram assédio psicológico.
Falaram que iam nos matar e nos torturar. Nos deixaram trancados, por
mais de uma hora, no camburão, debaixo do sol”.
Uma bala de borracha lesionou o terceiro metacarpo da mão esquerda da
estudante de Agronomia Bruna Matos. “Isso só resolve com cirurgia,
conforme o laudo de ortopedista. O Estado provocou isso aqui; o Estado
vai ter que consertar. Estou escrevendo monografia, como fico? E se for
irreversível?”
Causa do protesto
A causa do protesto é a falta de assistência estudantil na UFMT. Hoje o
programa de moradia para universitários, que se chama Casas do Estudante
Universitário (CEU), engloba cinco residências e 50 vagas. Acontece que
a UFMT construiu uma casa dentro do campus de Cuiabá, com 64 vagas. E,
sem avisar formalmente aos contemplados, rescindiu os aluguéis, na
intenção de transferir todos para o prédio recentemente inaugurado.
Representando os moradores das casas estudantis, a universitária Laís
Caetano afirmou que o protesto só ocorreu porque foram vencidas todas
as possibilidades de diálogo. “Fiquei sabendo extraoficialmente, no dia 5
de março, que no dia 22 vou ter que sair da casa onde moro. Ora, mas
isso é uma falta de respeito. Pelas nossas contas, não haverá vagas para
todos, como diz a Reitoria. Nós somos 50 e já tem gente com vaga
garantida na casa nova. Isso sem falar nos 635 calouros de baixa renda
que estão para entrar no próximo semestre”.
A advogada Ione Ferreira Ferreira Castro, da Adufmat, afirma que
foram desrespeitadas prerrogativas que sua categoria tem para exercer a
profissão, como o direito de acompanhar os clientes na lavratura do
Boletim de Ocorrência. “Bati na
porta para saber como estavam os estudantes, quando um mastodonte me
mandou calar a boca e fechou a porta na minha cara. Mas quando eu ouvi
um policial gritando que ia meter a mão em um aluno eu bati novamente,
até porque os estudantes estavam lá dentro junto com dois presos
fugitivos e um traficante. Mas, por ironia, só os estudantes estavam
algemados; os outros não. Na hora que o policial ia fechar a porta
novamente na minha cara, eu coloquei o pé e ele quebrou a porta em mim e
falou que eu estava presa por desacato e por lesão ao patrimônio
público”, relatou a advogada.
Ione foi vítima não só de coação, mas também de provocações: “Foi me
mandando entrar e me jogando em cima da mesa. Me fez tirar tudo –
brincos, anéis e deixar até a bolsa. Quando estava me qualificando, me
pediu documentos e eu disse que não estava comigo. E ele retrucou: ah,
então a senhora anda por aí sem documentos? Respondi que os documentos
estavam lá fora, na bolsa. Olha a estupidez! Então, eu sou a prova viva
do despreparo desses policiais. Eles têm preparo físico, mas não mental.
Estavam no protesto para manter a ordem, mas eles que promovem a
violência. Agora eu pergunto: esses PMs é que vão lidar com a gente na
época da Copa? E nem digo somente na época da Copa, porque esses jogos
serão passageiros. Pergunto se são esses PMs que estão andando aqui
dentro da universidade?”
Outro advogado criminalista, Marco Antônio, foi detido junto com ela,
simplesmente por reforçar junto a prerrogativa que o advogado tem de
acompanhar o cliente. A Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Mato
Grosso emitiu nota de repúdio à truculência policial. A advogada Carla
Rocha, que na entrevista coletiva representou a OAB, disse que o caso
será denunciado à Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública,
para que isso não volte a ocorrer. “De certa forma, a Ordem foi ferida”.
A professora de Ciência Política Juliana Ghisolfi, da UFMT, destacou a
correlação entre situações semelhantes que se repetem por conta da
truculência da Reitoria, da Polícia e do sistema. Primeiro, lembrou da
adesão ao ENEM como porta única de ingresso na UFMT, que implica a vinda
de muitos estudantes do interior e até de fora do Estado. Porém, a
Universidade não se preparou adequadamente para receber tantos alunos
mais de fora. Ghisolfi citou ainda o caso do universitário africano
Toni, assassinado em 22 de setembro de 2009 e que não tinha assistência
estudantil. A UFMT também é acusada de ter sido omissa no caso Toni.
“Essa Reitoria é assim, não ouve estudante, não ouve professor, não
escuta ninguém. Acontece que há interesses muito maiores em jogo, é uma
disputa de poder”.
Durante o protesto um jornalista, que estava cobrindo o fato, quase foi agredido pela PM, confundido com um manifestante.
Leia aqui a nota da PM-MT sobre o episódio.
A UFMT emitiu nota dando a versão oficial sobre o problema de moradia estudantil.
O Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso emitiu nota de repúdio à conduta irresponsável da Rotam.
Pedro Pomar é jornalista, editor da Revista Adusp e doutor em ciências da comunicação.
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domingo, 10 de março de 2013
[Documentário] A Revelação das Pirâmides
Documentário "A Revelação das Pirâmides" (uma das sete maravilhas do mundo) é uma obra que faz referências aos mistérios que envolvem a construção e as mensagens contidas nas grandes pirâmides do Egito. Muitas perguntas com respostas pouco convincentes, ou até mesmo confusas. Produzida por Wild Bunch, esta obra tenta pontuar as inúmeras questões que a humanidade tenta decifrar ao longo de décadas a respeito destas maravilhosas construções. Neste vídeo, traduzido para o português, você poderá ter uma breve ideia dos grandes mistérios que ainda assombram a humanidade sobre quem foram os construtores das grandes pirâmides.
Fonte: http://www.youtube.com/user/espectralraziel
Link pra lista de reprodução completa: http://www.youtube.com/playlist?list=PLMZIvuaglYbMfia_LwIAk-wPifFsksoBA
Obs.: na parte inferior do player há um botão para ativar as legendas.
sábado, 9 de março de 2013
Essa eu dedico aos que acham que vivemos numa democracia
http://www.rodrigovianna.com.br/colunas/mundos-do-trabalho/truculencia-e-covardia-da-pm-em-cuiaba.html
Truculência e covardia da PM em Cuiabá
publicada sexta-feira, 08/03/2013 às 19:32 e atualizada sexta-feira, 08/03/2013 às 19:59
terça-feira, 5 de março de 2013
domingo, 3 de março de 2013
É isso o que o governo faz com o nosso dinheiro. Acorde, você é um escravo.
Por Oswaldo Coggiola
O governo criou uma fonte de recursos públicos para os bancos privados financiarem investimentos de médio e longo prazo, principalmente os destinados a bancar os programas de concessões de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. Os bancos privados deverão pagar ao governo pelo acesso aos recursos uma correção baseada na TJLP (taxa de juros de longo prazo), hoje de 5% ao ano, muito abaixo da taxa “de mercado”. O formato da medida “atende pedido dos bancos privados”, anunciou o governo. Na prática, ele está acabando com a intermediação do BNDES. Os economistas “neoliberais” celebram aos brados a conversão do governo ao “credo (violento) do mercado”.
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Texto completo:
No início do ano pré-eleitoral (na verdade, já eleitoral) de 2013, todos os índices da economia brasileira apontam para a estagnação e o recuo. À queda, já anunciada, do PIB, veio somar-se agora o recuo industrial (o primeiro em uma década), o retrocesso do investimento por cinco trimestres consecutivos, o aumento do desemprego, que já afetava o setor industrial e agora se transmitiu para o setor comercial (sinalizando o fim do boom do consumo que foi a marca econômica e política do governo petista), o aumento da inflação (que teria superado 1% em dezembro passado, isto é, mais de 15% anual, se não mediasse a queda parcial das tarifas de energia - que irá reduzir em 28% o custo dos grandes consumidores e em 16% o dos pequenos e médios consumidores - e o adiamento dos reajustes de tarifa nos transportes), a queda do lucro bancário privado (- 5,3%) e o aumento (30% em média) das provisões contra calotes do setor financeiro, que lucrou R$ 27, 7 bilhões, com um total de... R$ 52 bilhões previstos para devedores duvidosos e inadimplentes. A Bolsa de Valores de São Paulo anunciou no início de 2012 que 45 companhias fariam ofertas públicas iniciais de cotização de ações (só três delas o fizeram). Em suma, um cenário de crise e recessão. O “remédio” do governo é a mesmice aumentada, ou mais e ainda mais do mesmo.
O setor de ponta da saúde pública brasileira, os hospitais universitários, por exemplo, estão sendo “assediados”, mediante “terrorismo social” (termos usados pelo procurador federal do Ministério Público do Trabalho) para ceder sua gestão ao setor privado mediante a Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares). O governo Dilma afrouxou todas as condições para a privatização (leilão) de 7500 quilômetros de rodovias, em nove lotes, aumentando de 6% para 14,6% a taxa de retorno garantido para as empresas participantes. Com esse presentão para o grande capital, pretende-se manter o programa de investimentos de R$ 250 bilhões em rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. Sem falar em que o governo está hipotecando todas as reservas do pré-sal, como já foi feito pelo governo Lula, que entregou uma grande parte do pré-sal para a empresa OGX (Eike Batista).
Com a renovação das concessões de geração, transmissão e distribuição de energia, o governo pretende hipotecar o patrimônio público para reduzir a tarifa média de energia. Uma vez vencidas as concessões, elas deveriam ser integradas ao patrimônio público. A MP (decreto) 579 é uma tentativa do governo para utilizar aproximadamente 22 mil megawatts de usinas hidrelétricas e 80 mil quilômetros de vias de transmissão para tentar fornecer essa energia só pelo custo de operação e manutenção e, com isso, tentar reduzir a média tarifária, que sempre beneficiou os maiores consumidores. O governo diminuiu a tarifa média, só que quem mais consome energia no Brasil é o grande capital (industrial, comercial, agrário, financeiro). Qualquer benefício linear beneficia só os mais ricos e deixa de fora 2,5 milhões de pessoas que ainda não têm acesso à energia. 1.500 consumidores consomem aproximadamente 28% de toda a eletricidade brasileira, e eles compram energia a um preço aviltado, porque pagam apenas 20% do custo da energia, de não menos de cem reais o megawatt-hora (MWh). Esses consumidores pagam cerca de R$ 20 por MWh. E os apagões são cada vez mais frequentes, pois, sem recursos, a manutenção é pífia.
O governo, além disso, criou uma fonte de recursos públicos para os bancos privados financiarem investimentos de médio e longo prazo, principalmente os destinados a bancar os programas de concessões de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. Os bancos privados deverão pagar ao governo pelo acesso aos recursos uma correção baseada na TJLP (taxa de juros de longo prazo), hoje de 5% ao ano, muito abaixo da taxa “de mercado”. O formato da medida “atende pedido dos bancos privados”, anunciou o governo. Na prática, ele está acabando com a intermediação do BNDES. O banco público recebia dinheiro do Tesouro e o repassava a bancos privados, cobrando uma taxa. Agora, os bancos terão acesso direto aos recursos. A nova fonte de água benta vai se somar aos R$ 15 bilhões de depósitos compulsórios que o BC já havia liberado para financiar investimentos. As instituições financeiras privadas poderão formar consórcios para ter acesso ao fundo de recursos públicos.
Os economistas “neoliberais” (tucanos ou não), escrachados durante uma década, celebram por isso aos brados a conversão do governo ao “credo (violento) do mercado”, na verdade o credo do subsídio público ao grande capital. “O governo saiu de seu labirinto”, anunciou o inefável economista tucano Mendonça de Barros, pois “passou a depender do capital privado para superar as limitações ao crescimento” (capital privado que, por sua vez, depende dos créditos públicos e do saque ao Estado mediante a especulação com títulos públicos). O governo federal já destinou dois terços dos recursos gastos em 2013 para juros e amortizações da dívida: apenas nos primeiros 35 dias de 2013 já foram gastos nada menos que R$ 145 bilhões com juros e amortizações da dívida, valor equivalente ao dobro dos recursos previstos para educação em todo o ano de 2013. Para 2013, estão previstos R$ 900 bilhões para a dívida pública, 20% a mais do que os R$ 753 bilhões gastos com a dívida no ano passado. Isto mostra que, apesar da propaganda oficial sobre a queda da taxa de juros, a dívida pública continua no centro da crise nacional. A parte do orçamento federal destinada para pagamento de juros e amortizações da dívida cresceu de 36,7% para 45,05%.
No Código Florestal, a expectativa do “veta tudo Dilma” não se concretizou, e o governo tem demonstrado que seu projeto não se restringe a uma ou outra área. Trata-se de um projeto global em favor do grande capital, adequando às formas de organização do Estado à crise. Aí se encaixa o projeto de Código Nacional de Ciência Tecnologia e Inovação, que teve a “contribuição” de fundações privadas de todo o país, há décadas empenhadas na privatização no interior das instituições públicas. Para pagar a dívida pública, houve nos dois últimos anos cortes no orçamento de 50 e 55 bilhões de reais, que, somente entre os anos 2010 e 2011, fizeram cair 16,2% o orçamento para ciência e tecnologia. Agora, para “remediar”, não só será permitida a transferência direta de recursos públicos para o setor privado, como se ampliará a possibilidade de as instituições públicas – as universidades, responsáveis por mais de 90% da produção científica do país – compartilharem seus laboratórios, equipamentos, materiais e instalações com empresas privadas, inclusive transnacionais. O Código permitirá ainda o acesso à biodiversidade pelos monopólios privados. Será permitido, sem autorização prévia, o acesso ao patrimônio genético e de conhecimento tradicional para fins de pesquisa. E também a extração do patrimônio para fins de produção e comercialização. Uma política de entrega nacional total.
A crise econômica não tem ainda reflexos políticos decisivos. Lula, finalmente, lançou a candidatura de Dilma Roussef à reeleição. As sondagens provisórias a situam em torno de 55% das intenções de voto, com pouco mais de 10% para o tucano Aécio Neves, e percentuais semelhantes para a oportunista Marina Silva (que está leiloando sua candidatura para alguma sigla ou coalizão; a ex-senadora e ministra foi recebida com gritos de “Brasil, urgente, Marina presidente” ao entrar em um teatro lotado na Vila Madalena) e para Eduardo Campos (PSB), até a data, no entanto, integrante da base aliada do governo. Ou seja, teríamos uma nova eleição plebiscitária, onde só estariam realmente em disputa alguns governos estaduais, São Paulo em primeiríssimo lugar (haveria cinco pré-candidaturas petistas, incluída a de Guido Mantega: a eleição de SP seria mais importante que a nacional...). As especulações eleitorais, a mais de um ano e meio de distância do pleito, vão com sede demais ao pote.
E não só por causa do cenário econômico de crise, nacional e internacional, mas também por causa da luta de classes, e da crise política. Uma plenária para organizar a luta pela negociação e contração coletiva no serviço público e em defesa do direito de greve no funcionalismo reuniu a 19 de fevereiro diversas entidades dos servidores públicos dos três entes federativos na Câmara dos Deputados. O evento contou com a presença de cerca de 600 participantes, das mais diversas categorias do serviço público. Teria sido melhor realizá-la num local sindical, num centro da luta de classes, mas algo foi feito. Os sindicatos portuários, vinculados à Força Sindical (que anunciou sua ruptura com o governo) e à Federação Portuária (CUT), por sua vez, anunciaram medidas de luta contra a privatização dos portos (que implicará em milhares de demissões). É claro que essas burocracias apenas ameaçam (para negociar alguma coisa), mas viram-se obrigados a abrir uma fresta por onde pode ser proposta e agitada uma política classista (não à privatização, garantia e estabilidade no emprego, reajustes salariais).
A crise do mensalão ainda não acabou, e vai marcar as composições eleitorais. Como disse candidamente Wladimir Pomar (ideólogo da “esquerda” do PT), o STF “aceitou a tese do mensalão, sem qualquer consistência objetiva, pois, se houvesse, teria que ter julgado a maior parte da Câmara dos Deputados”. Tal e qual. Genoíno e Zé Dirceu, para ele, “cometem um erro crasso ao pretenderem estabelecer uma relação das ações de repúdio aos procedimentos e às decisões do STF com o apoio e sustentação do governo da presidente Dilma, e com a luta pelas reformas política e tributária. E praticam um erro maior ainda ao pretenderem fazer com que o PT assuma, neste momento, como sua tarefa mais importante, a luta pela anulação das condenações. Esquecem que isto incluiria absolver também o escroque [Marcos Valério] que praticou inúmeros delitos comprováveis e colocar o PT no banco dos réus... Os filiados atingidos pela ação penal 470 não podem transformar sua situação numa síndrome partidária”. Xadrez para eles, portanto, para salvar o restante da Câmara dos Deputados e o PT, ou seja, a quadrilha toda.
A esquerda classista está metida no meio das mesquinhas especulações eleitorais, nas quais é só marginal. Uma política eleitoral classista, no entanto, só pode ser o resultado final (e secundário) de uma vigorosa política de frente única de classe para organizar as lutas em curso, e também as lutas potenciais (pelo salário, pelo emprego, pelo direito à organização) suscitadas pela crise do capital. Só assim a crise política dos “de cima” poderia ser aproveitada politicamente pelos “de baixo”. A primeira condição é superar o sectarismo autorreferente e autoproclamado com uma política de luta, de unidade e de independência de classe.
Osvaldo Coggiola, historiador e economista, é professor do departamento de História da USP.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
[Vídeo] Como Funciona o Brasil
Como Funciona o Brasil?
A resposta está nos primeiros 2min43s deste vídeo. A gente esquece que fica com apenas cerca de 23% do que produz, enquanto o Estado leva cerca de 77% sem nos dar quase nada nada em troca.
A resposta está nos primeiros 2min43s deste vídeo. A gente esquece que fica com apenas cerca de 23% do que produz, enquanto o Estado leva cerca de 77% sem nos dar quase nada nada em troca.
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