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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

A empresa CONTROLAR é só a ponta do iceberg

Navegando num blog da quadrilha petista, encontrei informações interessantes sobre a quadrilha tucana. O negócio é aproveitar o que o sujo fala do mal lavado.

Segue a matéria.


O poderoso chefão, capítulo PSDB: nas entranhas da máfia protegida pela imprensa

Vender, privatizar, terceirizar e faturar. Por dentro da  mais poderosa máfia partidária em atuação no Brasil, sem compromisso algum com o País ou com os brasileiros

Num dos filmes da trilogia de Francis Ford Coppola, O Poderoso Chefão, Al Pacino vai a uma comissão do Senado dos EUA negar as acusações que lhe eram feitas, defender a família Corleone e mostrar o patriotismo de quem combateu pelos EUA, ele próprio.
A trama mostra que a chave do FBI – Federal Bureau of Investigation – era um velho mafioso que testemunharia contra Michael Corleone e daria fim ao propósito de “legalizar” os negócios da “família”.
Como toda quadrilha que se preza a de Michael Corleone tinha a figura do conselheiro. Uma espécie de porta-voz, de analista das decisões e advogado quase sempre.
É esse conselheiro que visita a testemunha chave do caso, que no passado tivera ligações com a família Corleone e relembra a ele a ética da máfia, o compromisso do silêncio e a forma como devem proceder aqueles que se perdem num determinado momento.
A visita acontece numa prisão e na manhã seguinte a testemunha é encontrada morta dentro de uma banheira e com os pulsos cortados. Estava cumprida a ética da máfia.
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O senador Aloysio Nunes foi a Natal, Rio Grande do Norte, visitar João Faustino, antigo subchefe da Casa Civil do governo de José Serra e preso – já está solto – na Operação Sinal Fechado. Aloysio Nunes foi ministro da Justiça no governo de FHC, o homem forte do governo de José Serra em São Paulo e é um dos principais líderes da quadrilha tucana.
João Faustino, Gilberto Kassab, José Serra, Paulo Maluf e outros são acusados de envolvimento nos “negócios” da empresa CONTROLAR.
A um “preço módico”, em contrato sem licitação, a empresa realizava vistoria de veículos na cidade de São Paulo, em Natal e planejava atingir dez estados da Federação no próximo ano. O faturamento previsto por João Faustino era de um bilhão de reais e além do ganho dos integrantes da quadrilha, boa parte do dinheiro irrigou e iria continuar irrigando campanhas de candidatos do PSDB, dentre eles José Serra.
Alexandre Moraes, ex-secretário de Transportes de Kassab é o advogado de João Faustino que ao ser solto gritou “Viva o Corinthians”.
Aloysio Nunes foi a Natal lembrar a João Faustino os compromissos éticos da quadrilha, o maior deles o de não abrir a boca envolvendo chefões e, lógico, como no filme, garantir que o criminoso vai ter toda a assistência necessária.
Imagine um fato desses, investigado por uma dessas duplas de detetives que geralmente são os principais protagonistas das séries policiais norte-americanas.                                                                                                                                                                   
Com certeza o alvoroço telefônico, em encontros reservados e movimentação financeira para a conta do advogado Alexandre Moraes – o defensor de João Faustino – apareceriam, isso se o pagamento não tiver sido feito cash para um paraíso fiscal, especialidade da filha de José Serra.Haveria um levantamento total das ligações telefônicas entre os acusados, dos encontros, das viagens feitas, um rastreamento de contas bancárias, transferência de recursos, todo aquele aparato que no final permitem aos policiais prender os bandidos.
E nesses levantamentos, cruzamentos, etc., os nomes de José Serra e outras grandes figuras do tucanato viriam à tona mostrando ligações perigosas dos que formam a quadrilha PSDB.
O escândalo da CONTROLAR é apenas uma ponta – significativa – do que representa todo o processo de atuação política dos tucanos. Vender, privatizar, terceirizar e faturar. Tudo através de laranjas, em vários estados do País – onde elegem prefeitos e governadores –, como foi feito no governo de FHC. A CONTROLAR é apenas uma das muitas fachadas da quadrilha tucana.
Não tem escrúpulos – a quadrilha pela totalidade de seus integrantes – e nem tem compromisso algum com o Brasil ou com os brasileiros.
É, literalmente, a mais poderosa máfia partidária em atuação o Brasil, seguida pelo PMDB, o PR... E outros menores... Evidente.
A demonstração cabal de que o modelo político institucional vigente está falido; a democracia é uma farsa, pois deitam tentáculos mafiosos por todos os poderes da Republica, do aparelho estatal nos seus três níveis (União, Estados e Municípios). 
Sem falar no controle da mídia. Esse tipo de fato só sai na GLOBO, se sair, em pequenos cantinhos do noticiário, sem envolver os poderosos chefões do crime político organizado no Brasil. No mais é silêncio total. O fato de Kassab estar sendo crucificado em alguns veículos da grande mídia é sintoma que o prefeito está sendo jogado às feras por ter fugido a compromissos políticos com os tucanos. A grande mídia, GLOBO à frente, é parte decisiva da quadrilha tucano/neoliberal. É a que mostra ao telespectador “idiota” (definição dada por William Bonner) a “verdade” segundo o tamanho da fatura.
João Faustino entendeu o recado, acolheu as recomendações de Aloysio Nunes. Não é como no filme, um caso de suicídio. Está aí o ex-governador de Brasília, José Roberto Arruda recolhido ao nada político, mas com todo o patrimônio roubado, garantido pela máfia tucana.
É a ética do silêncio, que resulta na solução do bode expiatório. Uma ética fundamental num momento em que se avizinham as eleições municipais do próximo ano e novas prefeituras são importantes para aumentar o faturamento da quadrilha através de empresas como a CONTROLAR. Tem a QUEIROZ GALVÃO, tem a NORBERTO ODEBRECHT, tem a CAMARGO CORRÊA (dona da CONTROLAR), uma infinidade delas a serviço de “negócios” desse porte.
Um detalhe interessante e que bem poderia ser objeto de investigação é o uso de figuras como João Faustino em operações como essa. Em Minas o procurador da FEAM - FUNDAÇÃO ESTADUAL DO MEIO AMBIENTE – prestou serviços aos tucanos em um estado do norte do País, foi condenado pelo Tribunal de Contas a devolver dinheiro público – companhia de águas – e no governo Aécio e agora, pontifica “corruptando”, como João Faustino, nos muitos “negócios” tucanos. É conhecido como JoaQUINZINHO. Outro Faustino da vida.
Os tucanos dispõem de toda essa espécie de operadores do crime (lembram do Paulo Preto  em São Paulo que garfou a grana - 4 milhões de reais - do Caixa 2 do PSDB nas eleições de 2010?) que rodam o País por governos estaduais e municipais que o partido controla e mantêm cheios os cofres pessoais e do partido ensejando campanhas sempre recheadas de recursos.
Tudo como o poderoso chefão na vida real, ou o filme, é o mais correto. É apenas a demonstração do que representa o capitalismo, onde a corrupção é princípio, meio e fim.

RedeCastorPhoto, Laerte Braga

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Nova lei de direitos autorais: retrocesso


Manter um blog de MP3 poderá ficar ainda mais difícil no Brasil. O Ministério da Cultura (MinC) finalmente fechou o texto da nova Lei de Direitos Autorais. Se sancionado pela presidente Dilma Rousseff, detentores de direitos podem pedir a remoção de conteúdo de blogs e sites sem a necessidade de ordem judicial.O Link teve acesso ao texto final da Lei de Direitos Autorais, que será enviada pelo Ministério à presidente. Ele é fruto de anos de brigas entre governo, partidários da reforma e opositores de qualquer flexibilização – em geral, representantes de associações arrecadadoras. No geral, o texto é bem parecido ao que foi proposto pela gestão anterior do MinC. A nova lei é mais flexível do que a atual, de 1998, e permitirá, por exemplo, cópias de obras para uso privado, educação ou preservação.
Só que ao texto foi acrescentado o mecanismo de "notice and take down", ou notificação e retirada, que serve para que detentores de direitos autorais tirem conteúdo pirata do ar sem a necessidade de ordem judicial.
O mecanismo proposto pelo MinC é igual ao dos EUA. Se uma gravadora se deparar com um blog hospedado no Blogger com links para downloads ilegais de discos, pode solicitar ao Google a remoção do conteúdo. O Google é obrigado a cumprir e notificar o autor. Avaliações ficam para depois. Cabe ao dono do blog fazer uma contranotificação pedindo a manutenção do conteúdo e assumindo a responsabilidade por uma eventual acusação.
Segundo explicou ao Link Marcia Regina Barbosa, diretora de Direitos Intelectuais do MinC, o mecanismo foi incluído na lei "por demanda dos produtores da área audiovisual e musical". A medida, segundo ela, "legalizará um procedimento que hoje já é muito utilizado".
"‘Notice and take down’ é censura prévia", opina Pablo Ortellado, o diretor do Grupo de Políticas Públicas para o Acesso à Informação da USP. "Mesmo se o dono assumir, a obra já foi retirada do ar. O provedor tira, para evitar o processo. E as associações muitas vezes nem têm os direitos autorais." Manter um blog de MP3, para Ortellado, "vai ser impossível".
Registro. O Ministério da Cultura também quer criar um registro central de obras. Na prática, o sistema (que tem o nome provisório de I-Registro) é uma plataforma que centralizará dados sobre tudo o que é produzido de cultura no Brasil.
Fez uma música? Será necessário registrá-la no MinC para receber direitos autorais. "A regulação do registro de obras é uma tendência e foi tema de um recente evento promovido pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual", explica Marcia. O Ministério diz que o registro permitirá transparência e dará mais poder aos autores. O MinC está "iniciando estudos" para essa plataforma.
O problema é que a Convenção de Berna, que estabelece princípios básicos de direitos autorais, da qual o Brasil é signatário, define que não é necessário registro para uma obra ser protegida. "A necessidade de registro é ilegal", diz Ortellado. Segundo ele, o registro ainda impedirá o autor de optar por algo mais flexível, como Creative Commons.
O ministério diz que quer lançar uma ferramenta de licenciamento específica para o ambiente digital. Algo "que permita a circulação da obra na internet". Segundo Marcia, "uma solução aos desafios que a internet impôs" e uma maneira de garantir ao autor todos os direitos sobre a obra – incluindo "a liberação de seu uso seguro sem embaraços no ambiente digital para a criação colaborativa".
Em outras palavras, seria uma espécie de Creative Commons governamental. Só que isso não está na lei – é uma das propostas do registro e está no campo das ideias e na carta enviada a Dilma Rousseff para a aprovação da lei.

sábado, 3 de dezembro de 2011

[Vídeo] "Profissão Repórter" de 29/11/2011: Protestos pelo Mundo

O “Profissão Repórter” de 29/11/2011 mostrou os mais diversos protestos pelo mundo:

Nova York – Manifestantes brigam com  a  polícia e fazem campanha contra o  consumismo.
Cairo – Depois da queda do ditador, manifestantes continuam lutando e têm medo da repressão.
Londres – Repórter passou uma noite acampada junto com os manifestantes.



sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Estudante processa Facebook por armazenar toda sua vida na rede

http://br.omg.yahoo.com/blogs/podeisso/estudante-processa-facebook-por-armazenar-toda-sua-vida-133935762.html


Max Schrems, que estuda direito na Áustria, resolveu processar o Facebook pelo armazenamento de seus dados. Ele descobriu que a rede social não excluía as mensagens deletadas por ele em seu perfil. Depois de muito esforço, ele conseguiu que o Facebook lhe enviasse um CD com todas as informações geradas em seu perfildurante três anos. Para ter ideia do tamanho, o arquivo tem mais de 1200 páginas de informação em várias categorias, como 'cutucadas', pedidos de amizade, religião e, inclusive, as mensagens deletadas, motivo do processo. Olha só:

Conheça o ciclista que “tomou um dedo” na capa da Folha e veja foto inédita da cena

do site Desculpe a nossa fAlha

ENSURA DA FOLHA À FALHA + O QUE NOS DER NA TELHA // ASSANGE E MTV, TAMO JUNTO

EXCLUSIVO: Conheça o ciclista que “tomou um dedo” na capa da Folha e veja foto inédita da cena

No alto, a imagem que revela o contraplano da foto que foi capa da Folha (abaixo)
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A cena é forte. Uma senhora mostra o dedo médio para um rapaz de bicicleta, sem camisa, que parece lhe pedir calma. Foto de capa da Folha de S.Paulo da última sexta-feira (25/11), a imagem era da passeata dos estudantes na USP na avenida Paulista que havia acontecido no dia anterior. Mais de 5 mil pessoas tomaram a via para pedir, entre outras reivindicações, a saída da PM do Campus e o afastamento do reitor João Grandino Rodas. A imagem espalhou-se pela internet rapidamente e retrata, de certa forma, o racha na cidade em torno dessa discussão que mistura estudantes da USP, invasão da reitoria, liberdade, polícia e preconceito. A fAlha achou Guilherme Folco, protagonista da foto. Recebemos também outra foto, de autoria desconhecida, que revela o outro lado da cena. É exatamente o mesmo momento da foto de capa da Folha, mas de outro ângulo. O músico, produtor e artista circense Guilherme, 32 anos, nasceu e foi criado na Mooca. E, diferentemente do que a Folha disse, não é estudante da USP, mas acha a discussão importante e por isso foi lá. Guilherme também trabalha, ao contrário do que afirmam centenas de comentários na internet –apesar de que, na opinião deste blog, o fato de a pessoa trabalhar ou não nada tem a ver com seu direito de protestar. A seguir, os melhores momentos da conversa com o homem:
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Você pode descrever o que acontecia naquele momento da foto?
Ela já estava mostrando o dedo geral, antes da minha chegada. Quando vi ela assim xingando todo mundo fui lá explicar que se tratava de um protesto para pedir a mudança do reitor, que falta diálogo com a reitoria, que o orçamento de R$ 3,6 bilhões da USP é suficiente para garantir a segurança sem depender da PM… Enfim, ela não escutou e só gritava “Vocês só querem fumar maconha, não querem estudar! Têm que sair e dar a vez pra outro!”. Fiquei mal de ver como é tão superficial o pensamento geral… eu só queria falar que ela estava equivocada, sendo mal influenciada… eu tentava argumentar que aquilo não era um “ato de vagabundo que queria fumar cannabis”, como ela dizia, aos gritos loucos.
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Outro momento do artista na manifestação

O que será que a deixou tão brava?… Ela era motorista, moradora da região?..
Não sei, de repente tava atrasada… vai ver ela assistiu Datena e o Jornal Nacional e chegou àmesma conclusão que a maioria dos paulistanos chega. É lamentável, mas entendo… se eu estivesse no ponto esperando o ônibus, de repente iria ficar puto também. E pode ser que a ela só reste assist ir TV, mas e aos jovens que se voltam contra os alunos e aprovam a ação da PM? Isso sim é muito triste!
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Como foi a repercussão da sua aparição na capa da Folha?
Eu estava num evento e recebi várias mensagens, afinal eu tava na capa da Folha e da Folha On Line, bombando no Face…
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Essa exposição te incomodou?
Sim, fiquei meio constrangido… já tinham me usado na Marcha da Liberdade, um áudio meu tocando foi inserido num vídeo da Folha e nem me pediram autorização. Agora me colocam como aluno da USP, sendo que não sou. Fiquei preocupado, curioso… mas meio feliz também… uma mistura. Mas fiquei triste de saber que eu tava ali botando a cara pra bater literalmente enquanto todos contra o movimento são acomodados. Me preocupei de verdade quando entrei na internet na manhã do dia seguinte e já tinha 469 compartilhamentos da notícia no Facebook [fora quem compartilhou só a foto etc] cheios de comentários rasos e reacionários, como se a causa dos outros não fosse a sua também. Ninguém quer sair da zona de conforto, mas isso tem que mudar, né?
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Muita gente disse que você é vagabundo e não trabalha por estar numa manifestação numa quinta à tarde…
Eu trabalho! Hoje mesmo daqui há pouco [domingo] estou indo trabalhar. Sábado trabalhei o dia todo num evento, e geralmente descanso na segunda. Faço meus próprios horários e às vezes tenho janelas em horários durante o dia, como na tarde da manifestação. Eu tinha acabado de fazer dois testes para publicidade, um de manhã e outro à tarde, quando encontrei com um pessoal seguindo pra lá. Como é uma causa que me interessa, engrossei o caldo.
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E você usa bicicleta sempre?
Só não uso se preciso levar muita bagagem. Senão, to sempre de bicicleta, máscara contra poluição e capacete. Naquele dia estava indo da Mooca pra Vila Mariana. De carro eu levaria quase meia hora a mais. Bike é o futuro! Temos que nos impôr na faixa da direita, fazer com que os carros desviem e não te atropelem. Há um medo geral pela violência dos motores, arrancadas, freadas e noticiários sanguinolentos, mas dá pra pedalar em São Paulo sim, é só se acostumar.
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O que você acha de interromper o trânsito na Paulista? Isso foi muito criticado…
Foi necessário, para haver um conhecimento geral da questão, mesmo que estejam levando para um lado negativo e pejorativo. É assim que se protesta, com um mínimo de provocação e fechamento da rua, pacificamente. Achei bem organizado e bem humorado, tinha até a “tropa rosa choque” [sátira a tropa de choque da PM]. Mas, vendo por outro lado, o que eu sempre tento fazer, se eu tivesse tentando pegar ônibus e tivesse 60 anos ia ficar bem p. da vida também. Até entendo aquela senhora, coitada… Mas foi necessário fechar a Paulista sim.
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Guilherme durante viagem à África do Sul, na Copa

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Você protestava pelo direito de poder fumar maconha livremente na USP, como disse aquela senhora e tantos outros?
Não, imagina… Não dá pra termos uma lei dentro e outra fora do Campus. Mas acho que a descriminalização é o futuro, diminuiria ou resolveria o problema. O mundo todo está voltado para uma nova visão na questão das drogas, o plantio caseiro reduziria o poder do tráfico, há muitos políticos falando disso. Mas essa é uma outra discussão.
Durante show no bar paulistano zé Presidente
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Você é filiado a algum partido político?
Não! Brasil Unido Governa sem Partido [repete uma das palavras de ordem da manifestação]. A corrupção começa com os partidos políticos e o financiamento de campanhas. Sou pela diminuição do Legislativo. Esse sistema bilionário de assessores, verbas e imunidade parlamentar não é eficiente e tem que mudar já!
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E o que você acha de tudo que aconteceu na USP recentemente?
Pra começar, falta segurança em qualquer lugar, e é inadmissível os roubos no campus e a morte de um aluno. A entrada da PM foi uma atitude emergencial, mas deveria ter sido avisado antes, e combinado, ter data marcada data pra sair. Isso porque a PM lá dentro, segundos os alunos, não ajuda em nada. Enfim… PM numa universidade? Isso é um absurdo, não existe!
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E você estuda ou já estudou na USP?
Além de músico, o rapaz é artista de circo
Não, nunca estudei. Mas, por conta de eventos de teatro, já fui várias vezes à USP, UFRJ, UFBA, Federal de Sergipe e algumas particulares. Mas estudei Artes Cênicas numa particular daqui de São Paulo, a Universidade São Judas Tadeu.
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Se você não é estudante da USP, por que foi no ato?
Passei ali perto por acaso, conhecia a questão e acabei indo. Acho uma causa nobre sim! Diferente da maioria dos paulistanos… Fui no protesto contra o código florestal e Belo Monte, sou contra a corrupção do sr. Kassab na Prefeitura… Estamos vivendo um caos no Brasil e no mundo, não falta motivo para protestar: tem problema no preparo da Copa, quedas de ministros, um coronel assassino no massacre do Carandiru assumindo o comando da Rota… Estamos perdidos e a população não tem coragem de fazer nada, só fica acomodada assistindo suas TVs criticando quem está nas ruas tentando mudar algo. Lamentável.

[Vídeo] O dia em que Aécio Neves censurou o jornalista Jorge Kajuru


No dia 2 de junho de 2004, durante a cobertura do jogo Brasil x Argentina, nas Eliminatórias da Copa 2006, Jorge Kajuru fez entradas ao vivo, direto de Belo Horizonte, no Jornal da Band, na época apresentado pelo jornalista Carlos Nascimento. Kajuru presenciou um princípio de tumulto em uma das entradas para deficientes físicos no Estádio Governador Magalhães Pinto, o Mineirão. O jornalista relatou que o governador de Minas, Aécio Neves, e o presidente da CBF, Ricado Teixeira, tinham nada menos que dez mil ingressos para seus convidados.

Depois do telejornal, Jorge Kajuru passou a apresentar a 2º edição do "Esporte Total", ao vivo do Mineirão. O programa mostrou a insatisfação e a revolta de torcedores que não conseguiram comprar ingressos. Inclusive, um deficiente físico que não pode ter acesso ao portão exclusivo, naquela noite transformado em entrada particular dos convidados "especiais".

Após chamar o primeiro intervalo comercial o programa não voltou ao ar. No dia 9 de junho de 2004, a Rede Bandeirantes demitiu Jorge Kajuru por ter atritos com Aécio Neves.


[Brasil Colônia] ‘Telefonica segue blindada, lucrando à custa dos pacatos cidadãos’

  
Escrito por Valéria Nader, da Redação   
Quarta, 30 de Novembro de 2011

A falácia e embuste envolvidos na idéia da eficiência que adviria a partir das privatizações já ficaram bastante evidentes com o longo transcorrer de anos desde a famosa década de 90, iniciada por Collor e encerrada com FHC. Foi nessa década que se deu o início do desmonte acelerado do Estado nacional.

Pelo menos para as parcelas mais desfavorecidas da população, que não têm como recorrer à saúde e educação privadas, este embuste fala em sua própria pele. A minoria privilegiada, que põe os filhos em escolas privadas e recorre à rede hospitalar VIP do país, pode também perceber de forma bem didática a falácia privatista a partir de algumas situações muito básicas. Quando fica horas no escuro em bairros nobres das cidades; ao se ver recorrentemente sem o sinal de internet no meio do trabalho, pagando uma salgada conta de telefonia no final do mês; ao se deparar com vários e caríssimos pedágios em passeios de curta quilometragem, e fazer a conta ao final da viagem; ao abrir os jornais e ter a sorte de encontrar alguma notícia sobre o sucateamento a que foi submetida a rede ferroviária pública do país, justamente aquela que os países desenvolvidos usam pra baratear o transporte de carga.

Mais exemplos não faltariam, mas talvez estes sejam suficientes para dar conta da ineficácia com que estão operando alguns dos setores de infra-estrutura centrais em qualquer nação.

Neste contexto, a cidade de São Paulo, maior metrópole da América Latina, pode alcançar alguns dos maiores rankings negativos do país em uma eventual pesquisa dirigida à avaliação da eficiência de vários dos setores de utilidade pública. O que não é de se espantar, vista a desestruturação a que está sendo conduzida uma das grandes capitais do terceiro mundo, com seu crescimento em ritmo alucinado e longe de qualquer perspectiva de um planejamento público e urbano digno de nota.

E se o setor a ser pesquisado for o de telefonia e, mais especificamente, a provisão de internet a partir do famoso Speedy, da não menos famosa Telefonica, estes mencionados e nada favoráveis rankings provavelmente sofrerão nova e significativa baixa.

A empresa espanhola, uma das maiores agraciadas com as benesses públicas que foram concedidas pelo Estado brasileiro às empresas estrangeiras, para que comprassem o patrimônio nacional, é campeã, há anos, de reclamações em órgãos de defesa do consumidor. Não por acaso, visto que a espanhola oferece ao público brasileiro, comprovadamente, uma das mais caras e menos eficientes conexões de internet do mundo.

Com a palavra, uma leitora.

Uma leitora, um apurado relato

Carta enviada pela leitora Daniela Silveira, cliente do Speedy, ao Correio da Cidadania traz uma descrição primorosa, acurada e sensível dos transtornos a que somos submetidos nós, cidadãos, em um país que não elegeu o respeito à cidadania entre seus ditames fundamentais. Carta que motivou a redação deste artigo, como forma de dar voz àqueles que não a encontram na mídia corporativa, além de reforçar as avaliações que, há tantos anos, vêm fazendo estudiosos e técnicos comprometidos com a nação.

Segundo a leitora, “em menos de duas semanas, foram dois problemas com o Speedy, o que resultou em pelo menos uma semana de interrupção do meu trabalho e quatro dias de plantão esperando pelo técnico, que, ora não chegava, ora chegava fora do horário estabelecido, ou chegava no final de semana, quando, claro, não havia ninguém no meu local de trabalho. Os inconvenientes foram muitos, dentre eles, as várias tentativas de entrar em contato com a central. As horas que te deixam esperando na linha sugerem, mesmo, ser um teste de paciência! Os prejuízos, além de financeiros, são morais, por tratarem o cliente como idiotas completos”.

Daniela salienta ainda em seu relato algo para o qual já estão insensíveis as mentes, tão atoladas acabam por ficar em meio a incontáveis problemas associados aos serviços que lhes são prestados no cotidiano. A percepção da leitora se faz a partir de toda a cadeia de prestação de serviços, a qual passa pelos funcionários – em grande parte, técnicos terceirizados -, antes de chegar ao consumidor. Ressalta, portanto, da avaliação de Daniela a lógica perversa que perpassa esta cadeia de serviços.

Segundo sua descrição, “neste período (de espera pelo Speedy), foram recebidos três técnicos. No momento da raiva e no auge da insatisfação plena com a empresa, a primeira coisa que se pensa é em atacá-los assim que adentram pela porta. Mas, dois segundos depois, volta-se à sanidade, visto que nos deparamos com vítimas, tanto quanto nós, os clientes. Fato é que a terceirização dos técnicos isenta a Telefonica de maiores ônus, responsabilidades e encargos trabalhistas. E a comunicação entre as partes parece inexistente, não se pode sequer agendar um horário para recebê-los. E quando se consegue uma agenda, estes tampouco são avisados das observações feitas pelo cliente com relação ao período disponível para a visita”.

Ainda segundo Daniela, “em um dos momentos do ocioso plantão, eis que surge o tão esperado encontro com o que seria o salvador da pátria – o técnico! Já em alguns minutos de conversa, pode-se perceber a insatisfação tão grande quanto a nossa com a empresa para a qual prestam serviços”.

Os relatos de três técnicos com os quais Daniela teve contato em sua saga, por ela própria também descritos, revelam muito da insatisfação destes funcionários, além da visão profundamente crítica da empresa para a qual prestam serviços:

1º Técnico – “Vocês realmente acham que a espanhola Telefonica vai querer investir aqui?”.

2º Técnico (depois de constatar no medidor que o sinal está muito baixo e quase não chega) – “O sinal quase não chega aqui e não adianta pedir upgrade de mais velocidade porque não vai funcionar, vocês só vão pagar por mais MEGAS, mas continuarão recebendo a mesma velocidade, que é o máximo que a estrutura do cabeamento externo permite, pois são muito antigos, ainda do tempo da Telesp, e o que eles fazem para melhorar são na verdade remendos. A solução seria trocar todos os cabos, mas isso só tacando fogo em tudo, só com uma revolução”.

3º Técnico - “Aqui no Brasil, pagamos mais por tudo, a água é a mais cara, a luz, o telefone, os impostos. O serviço de internet daqui é um dos piores do mundo, compara-se ao existente na África”.

Daniela conclui magistralmente, enfatizando que “os clientes geralmente tratam muito mal os técnicos, que são bombardeados por suas queixas. Por serem o único canal direto com a empresa, funcionam como pára-raios e são responsabilizados pela péssima qualidade dos serviços. Enquanto isso, a soberana Telefonica segue blindada, só lucrando à custa dos pacatos cidadãos”.

Virada à vista?

Nenhum país que hoje está no Primeiro (ainda que decadente) Mundo chegou a uma provisão adequada de serviços básicos para seus cidadãos alimentando um monopólio privado, ainda por cima carente de mecanismos eficazes de regulação. Em nosso país não seria diferente.

A Telefonica já conquistou o primeiro lugar de queixas no Procon em vários anos e desobedece as determinações de governos no sentido de investir em infra-estrutura; descumpre a lei que estabelece um minuto como tempo máximo para atendimento nos chamados SAC; faz ligações e cobranças abusivas a seus clientes através do mesmo SAC letárgico quando por nós acionado; por fim, a mais incrível das delinqüências, tolerada até pelo governo federal, como ficou escancarado no anúncio (pró-mercado, portanto, não-universalizante) de expansão da banda larga: não entrega a velocidade de conexão vendida e, mais fantástico ainda, fica isenta de toda e qualquer punição por tais crimes contra o consumidor.

E não há um espectro muito animador pela frente, pelo menos quando se têm em conta quatro aspectos decisivos. Não se trata de derrotismo, ou pessimismo gratuito, apenas de lançar um olhar minimamente realista para o foco predominante da grande mídia comercial, para o governo federal, os governos estadual e municipal e o cenário internacional.

Ainda que tenhamos noção da imbricação de nossa “mídia livre e democrática” com os poderosos grupos econômicos, chega, às vezes, a soar incompreensível como ela não é capaz de denunciar, mesmo que pontualmente, a empresa, que tem lesado seu “patrão” – o leitor, o telespectador – cotidianamente. E o faz, sem dúvida alguma, intencionalmente. Ao pagar onerosos anúncios em todos os jornais e tevês de grande audiência, a Telefonica mostra-se bem ciente das vantagens de se instalar em nosso território.

Quanto ao governo federal, o transcorrer do primeiro ano de mandato da presidente Dilma tem dado mostras precisas de uma acentuação no veio conservador na condução da economia. Fato pouco surpreendente, visto que a própria índole da presidente, associada à lógica econômica que predomina desde o governo Lula, não poderiam sugerir outro cenário. Estão aí vários exemplos, como o corte orçamentário de cerca de 50 bilhões de reais logo no início do mandato; os anúncios de privatização dos aeroportos mais lucrativos; os reveses nos objetivos de conceder à Telebrás papel central e atuante na universalização da banda larga; os retrocessos na área ambiental e de direitos humanos, dos quais o Código Florestal e a Comissão da ‘Verdade’ são exemplos simbólicos.

Com os governos estadual e municipal, Alckmin e Kassab na liderança, não é preciso gastar muitas linhas. Afinal, foi o tucanato o grande artífice do processo de privatização no Brasil e no estado de São Paulo. No estado, estão encastelados há mais de dezesseis anos, e as circunstâncias atuais indicam um preocupante recrudescimento em um enfoque não somente conservador, mas perigosamente autoritário. Com polícia repressora na USP e contra os trabalhadores informais, nomeação de um dos líderes do massacre do Carandiru pra dirigir a ROTA e um gerenciamento cada vez mais militarizado de toda a cidade, simbolizado pela maciça presença de PMs à frente das subprefeituras, as perspectivas são sombrias.

Finalmente, a crise européia deve intensificar o apetite dos investidores europeus pelos paraísos da América Latina, especialmente os tropicais, Brasil entre eles. Segundo avaliado pelo sítio RFI, http://www.portugues.rfi.fr, “garantir uma parte do faturamento do outro lado do Atlântico é a estratégia das grandes empresas espanholas”. Ao lado da Telefonica, estariam no barco, conforme a RFI, “a Repsol, no setor energético, Banco Santander e BBVA nas finanças, Mapfre, segunda companhia de seguros na zona, além das construtoras como ACS, Sacyr-Valermoso, OHL, Acciona e outras”.

Apertar os nossos cintos, colocar a boca no trombone e lutar pra fechar alguns cercos talvez sejam as únicas e mais fecundas armas que tenhamos no momento.

Valéria Nader, economista e jornalista, é editora do Correio da Cidadania.